quarta-feira, 23 de junho de 2010

Adrenalina pura

Eu saí de lá todo arrepiado. É tanta energia, tanta alegria, tanto entusiasmo, tantas cores, tanto movimento, tanta beleza, tanta emoção, tanta música boa, enfim, tanto tudo de bom, que você até se esquece da vida, de onde você vinha antes e para onde vai depois, dos problemas que te preocupavam quando você saiu de casa e do que você tinha para fazer quando para lá retornasse, para dizer o mínimo.

Quantos espetáculos possuem esse poder de invasão, de contágio e de transformação? Eu poderia enumerar bem poucos, e olha que o meu currículo não é exatamente pequeno. Se você é paulistano como eu, provavelmente nunca viu um concurso de quadrilhas. Aliás, nem sabe que nessa semana se comemora o São João. Mas, se você leva em conta minimamente as coisas que eu escrevo e recomendo, você vai imediatamente incluir na sua "must-do list" uma parada obrigatória num concurso de quadrilhas do sertão nordestino.

Dessa vez o concurso foi promovido pela TV Grande Rio, afiliada local da Rede Globo, e realizado no SEST/SENAT. Oito quarilhas se apresentaram, uma melhor que a outra, num ritmo crescente que contagiou a todos os que ali estavam e que torciam com o mesmo ânimo e disposiçao dos que na quadra de esportes se apresentavam.

Não foi fácil fotografar, e não apenas porque os dançarinos não paravam de se mexer por um segundo. Não foi fácil porque a tentação de largar a máquina e sair dançando com os grupos é quase incontrolável, tamanho o magnetismo que eles exercem sobre quem está por perto. De onde vem tudo aquilo? De onde surge toda essa força? São perguntas óbvias mas inevitáveis. Não importa, está tudo lá para quem quiser ver e usufruir, sem precisar tirar um centavo do bolso.

E não pense que eles fazem isso pelo prêmio. O primeiro lugar levou mil reais, o segundo setecentos e o terceiro apenas quinhentos. Dinheiro e troféus à parte, é evidente que a força motriz é outra, é aquela força interna que todos nós temos, mas que só é usada, com toda a sua plenitude, quando a causa é nobre e nos instiga a dar o melhor de nós mesmos apenas pelo prazer de mostrar o que temos de melhor. Quando isso acontece, ela vem tão plena, tão trascendente e tão senhora de si, que talvez seja daí que emana o seu poder vital.

Terminado o espetáculo, logo me ocorre uma outra questão: para onde vai tudo isso depois? O meu bom senso diria apenas: apresentações regulares ao longo de todo o ano, é claro. Afinal de contas os turistas estão aí, a cultura regional tem tanto a oferecer, os teatros tem capacidade ociosa, e espetaculos como esse não podem ficar guardados no armário durante um ano inteiro. Seria um desperdício em inúmeros sentidos, inclusive cultural. Mas, aparentemente, ainda não atingimos esse grau de elaboração do nosso patrimônio imaterial. Por isso, é aproveitar agora e não deixar nunca mais passar uma oportunidade como essa.

Agradeço por essa noite especial e parabenizo a todos os que contribuiram para ela se tornar tão encantadora. Espero poder retribuir com algumas imagens que ilustrem de forma convincente pelo menos uma fração de tudo que eu pude ver, ouvir e sentir na noite de hoje.

E parabéns, especiamente, para as quadrilhas Balão Dourado (3º lugar), Forró Xaxado (2º lugar) e Quente e Arrochado (1º lugar). Vocês simplesmente arrasaram e são dignas dos melhores palcos das melhores casas de espetáculo do planeta. O seu show é universal e os seus espectadores são seres privilegiados, não tenham dúvida em relação à isso.

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