sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Pousada L´amour


Eis que, no meio do deserto, no meio da aridez total, entre Juazeiro e Sobradinho, nos deparamos com a "Pousada L´amour". Não se sabe nada com relação à freqüência do local, à rentabilidade do negócio ou mesmo à decoração interna das suas suítes. Mas o visual externo é 10, com distinção e louvor. Toda pintada com motivos de oncinha, ela ainda se dá ao trabalho de acrescentar no letreiro "Desfrutando do amor". Deve ser para os distraídos...

Psicodélica total, pós-moderna e única em todo o sertão, quiça no país ou no mundo. Mas o melhor é a vizinhança: ninguém na frente, ninguém atrás e ninguém à direita. Só terra batida, mato seco, um cachorro ou outro perdido e um poste bem no meio da fachada (alguma mensagem subliminar?). Mas e à esquerda? Nada mais nada menos do que um acampamento de sem-terra. Sim, daqueles do MST que você vê de vez em quando no Jornal Nacional, com bandeira vermelha e tudo mais.

A foto não é minha (clique para ampliar). Na verdade, acho melhor nem falar de quem que ela é. Caso contrário isso poderia levantar especulações indevidas...

Pousada L´amour, local de tórridos encontros. Em todos os sentidos.

Petrolina Fashion Week

Começou ontem e vai até a amanhã. O melhor da moda do sertão e do Vale do São Francisco. Desfiles das 19:00 às 22:00hs na concha acústica, ao lado da catedral. Patrocínio da TV Grande Rio (afiliada local da TV Globo), e dos produtos "Charmy".

Candidatos a vereador do exterior

Off-topic. Não consigo resistir, são duas "pérolas":

  1. Carlinhos Bin Laden (Sumaré, SP): "Esse Os...Ama"!
  2. Gordinho de Itú (Itú, SP): Não fala nada e só come uma melancia que já vem cortada em cubinhos. (http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/propaganda-eleitoral-do-gordinho-de-itu-0402346ED4811326?types=A&)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pingüins no deserto

Quanto mais elevada a temperatura média numa cidade ou região, mais adaptados estão os seus habitantes ao calor. Certo? Errado!!

Hoje fez 37 graus por aqui. A promessa da previsão do tempo para a semana que vem é chegar nos 42. Naturalmente, o ar-condicionado é um item de conforto importante nas casas, escritórios e lugares públicos.

Mas a forma exagerada como ele é usado por aqui é supreendente. No meu escritório, por exemplo, onde trabalham dez pessoas, a temperatura do ar-condicionado é regulada em 17 graus. Um frio de doer. Daqueles me que fazem pensar todo dia em não esquecer de trazer o casaco para poder me sentir um pouco mais confortável no dia seguinte.

É claro que uma temperatura baixa assim não é unanimidade por lá. Alguns colegas acham, assim como eu, que 22, 23 ou 24 graus está bom demais. Mas os pingüins não deixam. Eles estão sempre aumentando o frio e achando que ainda está quente.

E não é só na universidade. Outro dia entrei num caixa automático do Bradesco, na orla do rio São Francisco, e quase congelei nos 2 ou 3 minutos que fiquei lá dentro. E assim acontece em lojas e vários outros locais que a gente acaba tendo que freqüentar no dia-a-dia.

Moral da história: no deserto também tem pingüim. E, do jeito que a coisa vai, eu estou passando por um verdadeiro processo de pasteurização.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Villa-Lobos em Petrolina

Show com Marcus Llerena (violão) e Rosenete Eberhardt (soprano) no projeto Sonora Brasil do Sesc. Estudos, prelúdios, modinhas, serestas e outras obras para violão solo e violão e voz do grande Heitor.

Foi um verdadeiro colírio nos olhos do viajante que, há meses, vagueia por um deserto musical absolutamente árido de sons que possam ser apreciados e frequentemente se vê atingido por violentas tempestades de areia que ofuscam a visão e contribuem para deteriorar os sentidos. O verdadeiro antídoto das "pererecas".

Um grande compositor, uma ótima programação e excelentes intérpretes. Nada mau para uma simples noite de terça-feira no sertão do meu Brasil. Com entrada gratuita, ainda por cima.

Mas o sertão precisa ser preparar melhor para esse tipo de evento. Logo no início do espetáculo, os aparelhos de ar-condicionado do auditório do Sesc foram desligados a pedido dos músicos, uma vez que o ruído produzido por eles (os aparelhos) concorria de forma severa com as suas próprias execuções.

Como resultado o calor foi grande, especialmente para os músicos, que ainda tiveram que tocar debaixo de luzes fortes e quentes. O meu xará, por exemplo, suava em bicas e saiu do palco com a camisa encharcada.

Para atrapalhar ainda mais, os sons vindos da rua se faziam vez ou outra presentes no palco (carros de som, ruídos das pessoas, barulhos do trânsito etc) e competiam com a música do Villa. Numa quadra de esportes ao lado do auditório, os gritos dos atletas que disputavam alguma partida soavam ainda mais alto dentro do auditório, e criavam um fundo musical paralelo que permeou todo o espetáculo.

Na platéia, naturalmente, os celulares que tocavam sem aviso prévio não deixaram de marcar a sua presença em pontos diferentes do programa. E, no palco, vez ou outra aparecia alguém, sabe-se lá de onde, que o atravessava de forma indiferente e distraída, enquanto os músicos tocavam, procurando abstrair e se sobrepor a esse universo de interferências externas. Falar sobre os aplausos em momentos inoportunos é desnecessário e poderia parecer um exagero da minha parte.

A gente que está acostumado a ver artistas se apresentando apenas nos grandes centros, não imagina a vida que eles levam quando resolvem se aventurar por esse Brasil afora. Não é fácil, isso ficou evidente, e tal fato só pode ser explicado pelo amor que eles tem pela arte e pela sua devoção ao trabalho de redução das desigualdades regionais que ainda são tão marcantes nesse nosso país.

Por sorte temos artistas sofisticados que encaram todas essas adversidades (e possivelmente outras mais) de forma tranquila e corajosa, e ainda assim aparecem por aqui de vezes em quando para nos brindar com momentos mágicos como os da noite de hoje. Obrigado ao Marcus, à Rosenete e ao Sesc.

domingo, 21 de setembro de 2008

Coisas boas - parte 1

Nada como o tempo para a gente conseguir analisar as coisas de forma mais ponderada e sem excessos. Após 5 meses de Jualina (comemorados no último dia 14), eu sou capaz de reconhecer, de forma isenta e serena, algumas das coisas boas que a cidade oferece:

  • Aerorporto (é a única cidade do interior de Pernambuco que tem um);
  • Eleição em turno único (felizmente tudo acaba no próximo dia 5 de outubro, sem chance de prorrogação).

Perereca prá frente

Cidade ensandecida recria o Inferno de Dante na beira do rio São Francisco.

Desde às oito horas da manhã deste domingo Petrolina está tomada por uma febre festeira que continua com força total no final da tarde e, pelo visto, só vai acabar na manhã de segunda-feira.

Pela manhã, os festejos em comemoração aos 113 anos da cidade serviram de aquecimento para essa trupe que parece ter fôlego infinito (e que exige dos moradores dos arredores uma paciência igualmente inesgotável).

Por volta da hora do almoço, os simpatizantes dos dois principais candidatos à prefeitura da cidade disputavam quem conseguia atingir o maior número de decibéis na região. Tive a impressão de que todos os carros de som do estado vieram para Petrolina hoje, a fim de participar dessa singela demonstração de carinho e respeito para com a cidade e os seus moradores.

Além deles (que geram grandes deslocamentos de ar e emitem grunhidos absolutamente ininteligíveis), montes de cavalos, vaqueiros e carroças puxadas por burros serviam, também, para mostrar que a força das candidaturas não vem apenas do centro "desenvolvido", mas também do campo e dos seus humildes habitantes.

Na orla, agora no final da tarde, trios elétricos gigantescos estão reunindo pessoas que chegam às centenas, de todas as partes, para sacudir as suas partes íntimas no asfalto ao som do hit "Perereca prá frente, perereca prá trás". Aqui eles chamam isso de "puxada", uma espécie de canaval fora de época, que se repete várias vezes ao longo do ano. Tanto do lado de cá como do lado de lá do rio, o ambiente ideal para o encontro das pererecas do sertão.

Vai ter "puxada" hoje? Ótimo! Então é dia de encher a cara, ligar todos os alto-falantes no último volume, atrapalhar bastante o sossêgo dos outros, sacudir o esqueleto até não aguentar mais e depois voltar prá casa feliz, certo de que Petrolina é mesmo o lugar mais animado do mundo para se morar. Um verdadeiro centro cultural e de lazer.

Aniversário da cidade, campanha eleitoral e "puxada", tudo isso num mesmo dia. Como nem tudo é perfeito, toda essa festança caiu num domingo este ano. Ano que vem, se Deus quiser, a população será abençoada com o repeteco desse magnífico evento num dia semana, e assim terá condições de desfrutar, com mais vontade, de tanta alegria e vontade de viver.

Piada pronta

Tá no meu horóscopo de hoje:

"Que tal convidar amigos e família e fazer um programa diferente?"

Só se o diferente for não fazer nada.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Vigilância Sanitária

Nessa última semana dois amigos meus foram nocauteados pela gastronomia de Jualina. Um contraiu salmonela e o outro contraiu infecção intestinal. Atenção vigilância sanitária!!

domingo, 14 de setembro de 2008

A primeira piranha

"A primeira piranha", dizem, "a gente nunca esquece". É fato. Depois do sol escaldante no mirante da barragem em Sobradinho, eu, Malu e Robson fomos para a Ilha do Rodeadouro para almoçar.

Pés na água fria do rio, cerveja na mesa e referências à Polinésia do sertão. A música de fundo, naturalmente, deixava a desejar. Mas guardava, mesmo assim, algum tipo de associação com a "piranha" que pensávamos em degustar.

Pois foi justamente esse o nosso prato principal: uma piranha, peixe típico do rio São Francisco, de um tamanho que eu mesmo nunca tinha visto. Nada parecido com aquelas pequenininhas, empalhadas e envernizadas que a gente compra em lojas de lembranças para turistas na Praça da República em São Paulo. Essa era grande, grelhada, temperada e foi bem saboreada por três famintos.

Uma excelente escolha. Carne branca e saborosa. Uma piranha para três. De entrada, acarajés. E, para fechar a noite, Bacalhau à Lagareiro (com batatas ao "murro") regado à espumante rosé no Maria Bonita,

Acarajé, piranha e bacalhau. Gastronomia de um único dia deixando boas lembranças.

Tourist Information 01 - Sobradinho

Se você pensa em fazer turismo pela região do Vale do São Francisco, esteja desde já ciente de dois fatos principais:

  • Existem várias coisas bonitas que realmente valem a pena ser visitadas;

  • A menos que você contrate um guia local (como eu, por exemplo), você estará abandonado à sua própria sorte e terá imensas dificuldades para chegar aonde quer que seja.
Vamos primeiro às atrações (pelo menos as que eu conheci ou ouvi falar até agora):

  1. Sobradinho;
  2. Vinícolas;
  3. Ilha do Rodeadouro (sic);
  4. Cachoeiras em locais ermos e perigosos;
  5. Santa Maria da Boa Vista;
  6. Dunas do Velho Chico;
  7. Parque Nacional da Serra da Capivara.
O tema de hoje será Sobradinho (a barragem, não a cidade). Lá fica o maior lago artificial do mundo, uma paisagem belíssima. Parece o mar, pois não se consegue avistar o "lado de lá". Ao lado da usina, um mirante que fica no alto de um morro proporciona uma visão panorâmica de tirar o fôlego. Barragem e usina no meio, lago de um lado e o rio indo embora do outro...

É um passeio legal e rápido. Em 3 horas você vai e volta. Mas esteja atento: (i) não existe indicação em Juazeiro sobre como chegar na estrada para Sobradinho; (ii) o trecho inicial da estrada para Sobradinho parece a superfície lunar; (iii) num certo ponto da estrada você precisa entrar à direita, mas, naturalmente, não existe qualquer placa avisando; (iv) quando você chega em Sobradinho (a cidade), não há nenhuma indicação sobre como chegar na barragem (refira-se aos nativos); (v) depois da barragem, não há nenhuma placa indicando onde fica o acesso para o tal do mirante. Se você for sozinho, provavelmente vai ir e voltar umas três vezes na estrada, falar alguns palavrões e acabar concluindo que a entrada para o mirante deve ser aquele caminho de pedra que está quase sendo devorado pela mata vizinha.

Mas a recompensa vale o esforço. Ao chegar lá em cima, não fique apenas deslumbrado com a visão do lago que se tem do pátio cimentado onde o carro pode ser estacionado. Embrenhe-se pela mata (tênis velho, calça jeans e meia) e caminhe uns 500 metros em direção à extremidade do morro. Tome cuidado para não se cortar nos cactos nem em outras plantas do gênero. Cuide-se para não escorregar em cima de nenhuma pedra. E atenção para não despencar do alto do morro.

Quando chegar lá, arrume o seu chapéu de Indiana Jones, aprecie a vista e sinta-se orgulhoso da sua proeza. Você venceu mais um desafio!

Seguem fotos da Malu Oliveira, jornalista que também incorpora o espírito do Indiana Jones e que aceitou encarar essa aventura num sábado de descanso (clique para ampliar). Também já estiveram lá o Leo (em julho, na nossa primeira e sofrida incursão, onde foram feitas todas as descobertas iniciais) e o Robson, que me deu o prazer da companhia nesse 4 últimos dias aqui no meio do sertão.



Nos próximos posts eu escreverei sobre as demais atrações turísticas da região. A MarcusTur aceita encomendas de pacotes e não cobra nada, desde que o cliente aceite fazer companhia para ele por pelo menos um ou dois dias...

Barack Obama em Petrolina

Depois da visita do presidente Lula, ocorrida na semana passada com o objetivo de inaugurar os campi da UNIVASF, eis que agora me chega a notícia de que Barack Obama anda percorrendo a periferia de Petrolina em busca de votos.

Não que a vitória nas eleições presidenciais norte-americanas já esteja garantida, e que ele esteja querendo aproveitar a folga por lá para ganhar um pouco de popularidade aqui por essas bandas também.

Trata-se, na verdade, de "Alexandre Barack Obama", candidato a vereador em Petrolina. Negro e com idade semelhante à do seu colega político norte-americano, o nosso Barack Obama está fazendo miséria com as economias domésticas para tentar viabilizar a sua candidatura.

Sabe-se, entre outras coisas, que ele comprou uma moto financiada em 42 prestações para poder fazer suas andanças e divulgar o seu projeto político. "Viva a América Latina" diz o seu santinho.

De qualquer forma não deve ter sobrado nem um trocado para gravar o seu recado no horário eleitoral gratuito. Caso contrário este que aqui, que vos escreve, atento espectador do horário eleitoral, já estaria por dentro desse verdadeiro furo de reportagem.

Não se sabe, por outro lado, se Obama e Lula aproveitaram para se encontrar em algum momento durante a permanência de ambos na cidade, ou mesmo qual teria sido o teor da sua conversa. De qualquer forma, é Petrolina se projetando no cenário da política mundial.

Para mais informações: