quarta-feira, 28 de julho de 2010

Felicidade é isso

Escondidas no alto de um mastro numa praça deserta da Vila Madalena, atrás de uma árvore e com um monte de fios nas proximidades, essas crianças estampadas em chapas de ferro ignoram a sua posição pouco privilegiada e brincam e se divertem que dá gosto de ver...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Árvores de inverno

Elas não são as mais bonitas ou frondosas, pois no inverno as folhas dizem adeus, mas são as que eu tenho disponíveis para fotografar agora que eu estou em São Paulo. Motivado pelo anúncio de um concurso da prefeitura, eu comecei a retratar algumas dessas árvores durante as minhas andanças pela cidade. Como vocês irão perceber, elas geralmente aparecem acompanhadas de uma paisagem urbana como um edifício ou uma parede de grafites. Inevitável, em se tratando de São Paulo...

Como o prazo para inscrição no concurso encerra na primeira semana de agosto, e como eu ainda não decidi quais serão as três fotos que eu irei enviar para concorrer, decidi publicar a seleção completa e fazer uma sondagem de opinião junto à minha pequena porém querida audiência. Quais são as suas preferidas? Deixe um comentário com os números das fotos que você mais gosta e eu prometo inscrever as mais votadas.

Aqui estão elas: http://www.marcusramos.com.br/arvoresdeinverno/. Para ver ampliada basta clicar na imagem.

Mãos de princesa

Mercado Municipal again.

Filosofia de vida

"Não existe trabalho ruim, ruim é ter que trabalhar". Não conheço a figura, que circulava pelo Largo do Paissandu ontem de tarde, mas se fosse meu amigo eu ainda faria uma tentativa dando-lhe de presente aquela outra camiseta, "Faça o que gosta e nunca terá que trabalhar". Será que adiantaria alguma coisa ou é caso perdido?

domingo, 18 de julho de 2010

NEOJIBÁ

Quem me conhece, ou então acompanha este blog, sabe da minha queixa em relação à maior parte das opções musicais disponíveis na região onde eu moro. De uma forma geral, e para resumir em poucas palavras, a mediocridade e o mau gosto imperam.

Por isso eu procuro, sempre que possível, usar as minhas férias para, entre outras coisas, me "descontaminar" dessa pobreza sonora e renovar o espírito com música de verdade. Foi o que eu fiz nessa semana, quando eu tive a oportunidade de estar em três ocasiões diferentes no templo da música erudita paulistana, a Sala São Paulo (foto acima).

Assiti à OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), ao Les Musiciens de Saint-Julien (França) e à uma coisa de nome estranho chamada "NEOJIBÁ". Foi tudo muito bom, tudo fantástico, mas um espetáculo desse trio em particular me tocou de forma profunda e muito especial. Trata-se de uma grande orquestra, regida por um pianista de renome internacional, a qual executou um cardápio musical bastante eclético com grande competência técnica, muito brilho e uma tremenda animação.

Sem ficar a dever nada para as melhores performances das melhores orquestras internacionais, a Orquestra Juvenil da Bahia, regida por Ricardo Castro, deu um show ao interpretar compositores americanos - Bernstein, Revueltas, Gershwin, Marlos Nobre, Villa-Lobos, Ginastera e Alberto Márquez. Ovacionados pelo público ao final da apresentação, eles foram aplaudidos de pé e com grande entusiasmo pelos presentes que lotavam a sala, e ainda brindaram a platéia com números extras de Lorenzo Fernandes, Zequinha de Abreu e Elgar, fechando a festa com nada mais nada menos do que Vassourinhas, o frevo que não deixa ninguém sentado no lugar.

Foram duas horas ininterruptas da melhor música interpretada de forma magistral por 100 meninos e meninas de 12 a 25 anos que fazem parte dessa que é a principal orquestra do projeto NEOJIBÁ (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), criado pelo pianista e maestro (também baiano) Ricardo Castro em 2007, e que tem como objetivo fazer a integração social dessa moçada.

Eu, que trabalho em Juazeiro (BA) e nunca tinha ouvido falar desse projeto ou dessa orquestra baiana, precisei vir para São Paulo para tomar conhecimento da sua existência e, principalmente, para me deleitar com a qualidade da música realizada por eles. Sem contar, naturalmente, a admiração pela nobreza e pela grandiosidade do projeto social que viabiliza tais realizações.

Por isso, eu gostaria de deixar aqui um convite para o maestro Ricardo Castro: por favor, faça-nos uma visita em Juazeiro. Aproveite agora, que o Complexo Multieventos da UNIVASF já foi inaugurado, e traga a sua orquestra para o nosso belo e grande auditório, proporcionando-nos assim algo que, eu tenho certeza, jamais foi vivenciado pela maioria da população local e que, sem dúvida, será recepcionado com o mesmo entusiasmo que eu presenciei e compartilhei com vocês em São Paulo. Depois de Belo Horizonte, São Paulo e Campos do Jordão, eu ficarei aguardando você e a sua orquestra nas margens do Velho Chico. Vocês vão gostar tanto quanto nós, posso garantir.

Para quem quiser mais informações, basta clicar em http://www.neojiba.org/.

Amor à primeira vista

Fotografada no centro de São Paulo num local feio, sujo, escuro e perigoso, definitivamente não recomendável para menores. Ou para maiores.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Fotos do São Gonçalo

Passados mais de seis meses, finalmente eu consegui editar, tratar e publicar as fotos do São Gonçalo que eu assisti em dezembro do ano passado. A postagem com os comentários originais sobre a festa você encontra aqui. E as fotos estão aqui:

http://www.marcusramos.com.br/saogoncalo/

domingo, 11 de julho de 2010

Cartão postal

Não adianta. Eu ponho os pés em São Paulo e logo me vejo indo atrás de um dos meus temas fotográficos preferidos - os grafites que habitam e embelezam os quatro cantos da cidade.

Sou fascinado por eles, que representam para mim algo como o "imóvel porém não inerte" que dá as boas-vindas aos visitantes da Oficina do Francisco Brennand em Recife. O painel da foto foi feito num muro gigantesco (~6x60m) numa das principais vias de trânsito de São Paulo, a Radial Leste, próximo do bairro da Liberdade.

A composição panorâmica da miniatura acima foi feita a partir de oito fotos registradas separadamente. Clique nela, aguarde um pouco (pois o arquivo é grande) e deixe a sua imaginação voar juntamente com os sonhos e os devaneios dessas lindas, delicadas e misteriosas figuras no seu incrível mundo de fantasia.

O que será, que será?

Na primeira tentativa, uma pessoa se aproximou para me fazer alguma pergunta. Me afastei, fiz de conta que não era comigo, dei uma volta no quarteirão e retornei mais tarde. Na segunda tentativa, despertei logo a atenção de uma segunda pessoa, que saiu não sei de onde e veio direto para cima de mim. Resolvi não esperar para saber do que se tratava.

Fui seguido por alguns quarteirões. Eu atravessava a rua, ele atravessava também. Ele chegou a correr para me alcançar. Por segurança, entrei numa mercearia e pedi qualquer coisa. Esperei um pouco. Quando saí, lá estava ele me aguardando na calçada. Caminhei um pouco e desisti de tentar despistá-lo. Optei pela abordagem direta para tentar esclarecer o assunto:

- Pois não...
- Prefeitura?
- Não, sou fotógrafo. Estou registrando os grafites.
- Fotógrafo? Grafites? Hummm...
- Claro, pode ver aqui.
- OK.

De volta ao meu caminho (olhando para trás de vez em quando para ter certeza de que eu prosseguia sozinho), pude finalmente refletir: não sei quais são os mistérios que esse prédio abriga, mas não devem ser poucos ou pouco importantes. O endereço, para quem quiser ir lá conferir: centro da cidade de São Paulo, ao lado do Fórum João Mendes, próximo da rua da Glória. Depois me conta, ok?

domingo, 4 de julho de 2010

Erbetta

João Erbetta, competente guitarrista paulistano que eu não conhecia nem nunca tinha ouvido falar, se apresentou na noite de hoje em Juazeiro numa noite de vento frio e garoa típica e igualmente paulistana. Mas a sua música eclética e sofisticada mostrou que, fazendo justiça a uma tradição de décadas, o Brasil continua produzindo instrumentistas de primeiríssima linha, a maioria deles, infelizmente, ainda desconhecida do grande público. Acompanhado de baixo e percussão, Erbetta deu um show de técnica, sensibilidade e repertório, que contou com Zequinha de Abreu, clássicos do jazz e do blues, Alberto Dominguez (Perfídia) e, last but not least, com as suas próprias e excelentes composições. Alimento para a alma, da melhor qualidade.

Os outros artistas da noite foram Donna Lee (RJ), Mateus e Fabiana Aleluia (BA), Ilê Aiyê com Marku Ribas (BA) e Eddie (PE). Não fiquei para o último, mas os outros três não trouxeram nada de tão novo, interessante ou impactante quanto o João Erbetta. Dele foi a noite.

O show fez parte de um evento denominado "Conexão Vivo", criado para promover a marca da operadora de telefonia celular. Ela, no entanto, ainda tem muito a aprender com os seus artistas convidados, especialmente em termos de qualidade no serviço que presta e no respeito ao público que paga por esses serviços aqui na região. Os quais, como eu, só o fazem mesmo porque não tem outra opção, pelo menos no caso da assim chamada "banda larga" 3G - uma piada cara e de mau gosto, que só sobrevive por aqui porque não há fiscalização do governo, não há movimento popular contra os péssimos serviços prestados e, especialmente, não há concorrência.

sábado, 3 de julho de 2010

Terra à vista

Espécie de mirante que fica na orla de Petrolina. Não conheço a sua história, mas imagino que ela deva estar relacionada com a navegação do rio em tempos áureos. O grafite na parede, no entanto, reforça a idéia de que os tempos são outros. As velas enroladas são dos poucos pescadores que já haviam recolhido os seus barcos enquanto o sol dizia adeus...