quarta-feira, 29 de junho de 2011

Incompetência ilimitada

Sessenta minutos exatos dentro do carro, derretendo debaixo do sol implacável, é o preço que se paga atualmente para conseguir percorrer os 1.200 metros da ponte Presidente Dutra, principal via de interligação entre o sul e o interior do nordeste do país, e única interligação entre as cidades de Petrolina e Juazeiro, dois dos principais pólos econômicos de Pernambuco e Bahia.

As filas para fazer a travessia são quilométricas, em ambos os sentidos, e o prejuízo para a economia local (sem contar a paciência dos habitantes) é incalculável, já se arrastando por meses - a obra em si já dura cerca de dez anos. Por causa disso, seria de se esperar que todos os esforços estivessem sendo alocados no sentido de agilizar essa obra, abreviando ao máximo o prazo para a sua conclusão definitiva.

Seria de se esperar, por exemplo, que um batalhão de operários estivesse trabalhando nessa ponte, dia e noite. Mas qual não foi a minha surpresa hoje, no meio da manhã, quando pude constatar que não mais do que meia-dúzia deles circulavam pela obra, alguns apenas limpando com vassouras a poeira que se acumulava sobre o trecho em obras. Disso tudo só se pode tirar uma conclusão: a incompetência e a estupidez das autoridades responsáveis por zelar pelo bem-comum realmente não conhece limites.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Tourist Information 22 - Missa do Vaqueiro

Quando o dia começou estava frio e nublado. Mas não demorou para o céu abrir, o sol aparecer e, junto com ele, os vaqueiros que vinham em desfile pela cidade, desde o Forró da Espora, realizado no estádio municipal. Muitas daquelas figuras que eu havia fotografado na noite anterior estavam lá de novo, com a mesma roupa e a mesma expressão, com a diferença de que eles vieram direto da festa (o prefeito da cidade inclusive) e eu havia dormido um pouco em casa.

Todos à postos, o padre e os músicos iniciaram a celebração da 70ª Missa do Vaqueiro de Petrolina. No meio de uma nuvem de poeira que jamais se dissipava e de um calor que não perdoava ninguém, vaqueiros vindos de todas as partes e trajados com as suas roupas de couro típicas leram os seus discursos, ouviram as preces do padre, entoram os seus cantigos, pediram proteção para si, suas famílias e seus animais, manifestaram preocupação com a preservação da natureza e do meio ambiente e rezaram pelos colegas falecidos. Foi uma festa típica simples, bonita e carregada de emoção, assim como a dos anos anteriores.

De diferente mesmo só me chamou a atenção a quantidade muito menor de participantes na presente edição. Lembro-me muito bem de que, nos anos anteriores (2008 e 2010) , era praticamente impossível andar a pé pela orla, assim como circular de carro pela avenida. Vaqueiros e os seus cavalos estavam por toda parte, era necessário mesmo fazer um esforço para trocar de lugar. Nesse ano o espaço só estava concorrido mesmo nas proximidades do palco, fora isso podia-se circular à vontade. Fiquei intrigado, o que será que aconteceu?

Tourist Information 21 - Forró da Espora

Finalmente eu matei a curiosidade que já me acompanhava há algum tempo e fui conhecer o famoso Forró da Espora, organizado pela prefeitura e realizado na noite no dia 25/06, no estádio municipal da cidade. A história desse forró é a seguinte: os vaqueiros, que chegam em Petrolina vindos de vários estados para a Missa do Vaqueiro, realizada no dia 26/06, participam da festa na véspera. No final, eles tomam o café da manhã no próprio local e saem em desfile pela cidade até a orla, onde acontece a missa.

Tinha tudo, portanto, para ser uma genuína festa de São João, o que de fato aconteceu. Organizada numa área de chão batido, próxima ao campo de futebol, a festa foi contagiante, pelo menos para mim, que pela primeira vez me senti participando de uma genuína festa junina do interior do nordeste em Petrolina. Sensação igual eu só tinha experimentado, até então, no São João de Senhor do Bonfim (veja postagem).

Se o evento principal da cidade de Petrolina nesse período cresceu em tamanho e já ousa querer disputar com Caruaru e Campina Grande o título de maior festa do nordeste, o fato é que esse tipo de festa, pelo menos para mim, não tem nada de São João e, exceto por algumas bandeirinhas coloridas penduradas aqui ou acolá, em nada difere das outras dezenas de festas que acontecem ao longo de todo o ano na cidade e na vizinhança. Senão vejamos: com uma programação de shows que teve início no dia 22 e se estenderá até o próximo dia 30, ela acontece numa área de 17.000 metros quadrados, é servida por dezenas de bares e restaurantes com todo tipo de comida e bebida (não necessariamente juninas), possui uma mega-estrutura formada por dois palcos super-equipados, tem boate e camarotes privados para os mais abastados, e, é claro, com raríssimas exceções (como é o caso de Matingueiros, Samba de Véio e Elba Ramalho), conta com a apresentação de bandas de gosto oscilando entre o péssimo e o duvidoso. Tudo isso, naturalmente, apoiado por um amplo esquema de divulgação em todo tipo de mídia, eletrônica e impressa. Apesar do caráter comercial, deve-se reconhecer o investimento feito e a boa organização do evento por parte da prefeitura. Um prato cheio, para quem gosta, e que aparentemente veio para ficar pelos próximos anos.

Mas com o Forró da Espora foi diferente. De um lado havia o ambiente, intimista e lembrando uma festa de interior de verdade, decorado com profusão de bandeiras e balões. Do outro havia a música de forró legítima, com trios acústicos se alternando no palco de pequenas dimensões - a performance do Rochinha da Paraíba, por exemplo, foi sensacional. Mas nada disso teria sentido se, do lado de baixo, casais não dançassem animadamente ao som daquela música tão contagiante. Dava realmente gosto de ver, e a sensação que se tem é aquela que a gente não sabe explicar num primeiro momento mas que, quando sente, é porque sabe que está presenciando algo que faz sentido sob vários pontos de vista, especialmente o cultural. Entre os participantes, muitos vaqueiros com suas roupas e chapéus de couro e pessoas humildes com suas roupas simples e espontaneidade visível. Nenhum desfile de moda, nada fake, nada eletrônico, nada forçado, nada de plástico. Tudo muito genuíno e, portanto, bonito e tocante. Não fiquei até tarde pois na manhã do dia seguinte lá estaria eu novamente a postos para fotografar aqueles mesmos vaqueiros chegando para a missa na orla. Eles viriam diretamente da festa, mas eu precisava dormir um pouco antes. De qualquer forma, vontade de passar a noite acordado contemplando tão bonita festa do interior não faltou. Tampouco faltou inspiração, como sugere o nosso amigo aí de cima. Ano que vem estarei lá, sem falta, e desde já recomendo para todos os que se interessam pelas tradições e manifestações genuínas da nossa cultura.

Para ver algumas fotos dessa noite, clique aqui.

sábado, 25 de junho de 2011

Ele garante que é bom

Recém retirado das águas do Velho Chico, o "potó" mais se parece com um daqueles seres abissais que eram combatidos pelo National Kid no seriado de televisão da década de 1960. Tarde de hoje, orla de Petrolina.

Boi sonoro

Eu já vi muitos carros equipados com aquilo que se chama de "som automotivo", e também já vi muitos carros de boi. Mas carro de boi sonorizado dessa forma foi a primeira vez. Tarde de hoje, orla de Petrolina.

Poço da Panela

Nos poucos momentos livres que eu tenho em Recife, eu tive a oportunidade recente de conhecer o Poço da Panela, do qual eu ouvia falar há muito tempo mas nunca tinha tido a chance de visitar. Se for para resumir, trata-se de um distrito bucólico formado por casas e ruas que preservam intactas as suas características arquitetônicas desde a época colonial. Para ser conferido - e fotografado - outras vezes e com mais tempo.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Energia junina

Chegou o São João e com ele mais uma série de sensacionais apresentações de quadrilhas nos concursos locais. Sábado passado foi a vez do concurso organizado pela prefeitura, no SESI. Oito quadrilhas se apresentaram para um ginásio lotado e um júri especializado. Como no ano passado, eu fui imediatamente contagiado pela animação, pelas coreografias, pelos figurinos e pela música de todas elas, em especial pelas quadrilhas Quente e Arrochado, Forró Xaxado e Balão Dourado. Depois de muita torcida e expectativa pelo resultado, o 2º lugar obtido pela Quente e Arrochado foi comemorado aos pulos pelo pessoal da Forró Xaxado que, é claro, sabia que tinha feito uma excelente apresentação e tinha tudo para ficar com a primeira colocação. E foi exatamente isso o que aconteceu logo em seguida.

Da minha parte, confesso que estava torcendo pela Quente e Arrochado. A energia, o entrosamento, as roupas de cores fortes e exuberantes e os enfeites deles ainda são insuperáveis e me tocam profundamente. Mas concordo que a Forró Xaxado fez uma excelente apresentação também, bastante criativa e baseada em temas circenses. Espero ainda conseguir assistir alguma reprise nessas próximas noites de festa, que prometem se estender até o último dia do mês.

Barquinho no Serrote do Urubu

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sem-teto, sem-terra e... sem-ensino!

Graças ao Luiz Maurício Barretto Alfaya, durante viagem para São Raimundo (PI) na quinta-feira da semana passada.

terça-feira, 21 de junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Indo novamente...

... dessa vez no Recife. Mas ele volta, eu sei.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tourist Information 20 - Jecana do Capim

Pelo menos para o locutor oficial não restava dúvida: aquele era, inquestionavelmente, o maior evento jeguístico (sic) de todo o país. Ele estava se referindo à 40ª Jecana do Capim, realizada ontem no povoado do Capim, distante 20Km do centro de Petrolina na direção da saída para o Recife.

Trata-se uma corrida de jegues e jumentos que começou como uma brincadeira em 1971, mas que hoje alcançou o status de evento regional de grande importância, que atrai competidores de todo o Brasil, seus melhores animais e jegue-jóqueis, assim como uma multidão de curiosos, estimada em vários milhares, além da própria comunidade rural do Capim que sedia a festa.

Com duração de três dias, a festa começou na sexta-feira, contou com barracas de todos os tipos, shows ao vivo (de forró, é claro) e teve o seu ponto alto justamente no domingo de manhã, quando os competidores se alinharam para disputar os bons prêmios em dinheiro e os visitantes se acotovelaram para garantir momentos de boa diversão. Prefeitos e deputados também estiveram presentes, distribuindo bonés e disputando um título paralelo, o daquele que mais esforços fez para que a festa pudesse acontecer. Também estava sendo comemorado o asfaltamento da via de acesso ao Capim, que ao longo do dia mais me parecia a rodovia Imigrantes em véspera de feriadão, tamanho era a fila dos carros daqueles que ainda queriam participar da festa.

E tudo isso apenas por uma corrida de jegues? É claro que não! Houve também o jeguefashion, um concurso onde as melhores fantasias (do jegue, é claro) são premiadas por um júri especializado. Tudo muito interessante e pitoresco, pelo menos para mim que nunca havia participado de uma Jecana. Pitoresco que começou com algumas figuras diferenciadas que frequentavam o local, passou pela obervação do locutor de que "graças ao bom trabalho da polícia militar não temos registros de mortes, nem tiros ou facadas", e chegou ao inusitado camelo que, coitado, suava em bicas enquanto era apresentado para a comunidade local debaixo de um calor de rachar.

Mas o ambiente era o melhor possível, a festa foi muito legal e eu recomendo para todos que queriam conhecer algo de diferente na região. Os jegues e jumentos eram, sem dúvida, os mais bonitos e saudáveis que eu já vi em toda a minha vida, e com toda a razão - a festa era deles!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dificuldade ou oportunidade?

Mais uma para a série "Barquinhos de Petrolina". Essa foi feita na tarde de hoje, quando eu retornava a pé para casa, depois de ter tentado atravessar a ponte de carro sem sucesso pela manhã. E assim será pelos próximos 40 dias, segundo me disseram. Novas fotos à caminho, portanto.

domingo, 5 de junho de 2011

Opus 68 no SICOMP 2011

Mais um trabalho tendo a Orquestra Opus 68 como protagonista. Dessa vez foi no auditório do Complexo Multieventos da UNIVASF, no dia 18/05/2011, durante a solenidade de abertura do II SICOMP - Simpósio Interinstitucional de Computação do Vale do São Francisco. Para ver as fotos, é só clicar aqui.

Conspiração

Um dos prazeres da fotografia é você se descobrir no local certo, na hora certa e com a luz certa compondo a cena. E, é claro, com a máquina por perto. Depois disso, é só clicar e o resultado aparece sem grande esforço, como demonstra a foto aí de cima, feita nos poucos segundos antes dessa luz se dissipar.

sábado, 4 de junho de 2011

Raios de Sol

Enquanto os últimos raios de sol caiam sobre as águas do rio São Francisco, o Raios de Sol oferecia generosamente as suas cores saturadas, chamando a atenção nos derradeiros minutos do dia iluminado.