sábado, 20 de dezembro de 2008

On the road


Origem: Petrolina. Destino: Salvador. Saí de casa às 11:00hs da manhã e lá fui eu. Não vou nem comentar o significado de dirigir por quase 7 horas tomando o pior sol do dia num carro 1.0 sem ar-condicionado. Isso seria chover no molhado. Ou melhor, jogar palito de fósforo aceso numa fogueira. Vou falar sobre a estrada, a paisagem e os motoristas com os quais cruzei pelo caminho.

A estrada é boa e pode-se viajar sem nenhuma preocupação quanto a isso. Apenas no trecho entre Feira de Santana e Salvador, onde o tráfego é mais intenso, e onde supostamente a pista deveria ser muito boa, é que acontece justamente o contrário. Em algumas partes são tantos remendos e buracos na estrada que fica realmente difícil e perigoso dirigir.

Me chamou a atenção o contraste entre a paisagem que se vê quando se vai de Petrolina para o Recife (pelo interior de Pernambuco) e a paisagem que se vê quando se vai de lá para Salvador (pelo interior da Bahia). Em PE ela é árida, seca, desértica, muito castigada. Na BA é justamente o contrário: a paisagem é verde o tempo todo, com fazendas, árvores, pastagens, animais e morros desenhando belos cenários para aliviar os olhos dos motoristas. Em alguns trechos a paisagem chega a ser bucólica mesmo.

Parei o carro umas 5 ou 6 vezes para procurar o que comer. Desisti em todas elas, após passar os olhos pelos ambientes e pelas respectivas "vitrines". Mil vezes a água, o panetone, as castanhas e as uvas que eu tinha no carro.

A estrada pode ser boa mas os perigos estão lá do mesmo jeito. A começar pelos animais, que cruzam a pista o tempo todo, criando situações de alto risco para motoristas e pedestres. Jegues, burros, vacas, bois, bodes e cachorros não estão nem aí para os veículos. Acostamento nem pensar, então temos mais um fator de risco. E, para terminar, aquelas famosas placas de beira da estrada com os dizeres "Lombada AQUI". E haja lombada...

Mas o pior de tudo são os próprios motoristas. A falta de respeito pelos outros, a falta de observação à sinalização, a falta de educação e o atrevimento são impressionantes. Assim como os jegues, os burros, as vacas, os bois, os bodes e os cachorros, eles não estão aí prá ninguém e constituem grande ameaça. De longe, esse é o principal fator de risco para se pegar uma estrada por essas bandas: os próprios motoristas e a forma como eles conduzem as suas "armas". Presenciei várias cenas de arrepiar os cabelos e pelo menos dois quase acidentes graves, por pura imprudência desses condutores.

Por tudo isso, nem se cogite em viajar de noite. A menos que se esteja pensando em suicídio.

Cheguei no meu destino são e salvo às 18:00hs. Segunda-feira tem Lençóis by bus (620Km, mas dessa vez com direito a ar-condicionado!). Dia 5 de janeiro tem repeteco: back on the road to Jualina.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Rio Sol


Novas fotos da Rio Sol: http://www.marcusramos.com.br/riosol2.

Pior cego


O calor é infernal. As áreas verdes são escassas. Há apenas um único parque, praticamente abandonado à própria sorte. O rio só refresca quem se joga dentro dele.

Plantar novas árvores não é apenas uma boa idéia, mas também uma necessidade urgente, tanto em Petrolina quanto em Juazeiro. Para deixar as cidades mais bonitas, refrescar o ar, criar sombras para os pedestres e, quem sabe, atrair alguma chuva.

Mas o que a prefeitura faz? Derruba as poucas remanescentes. Derrubaram e esquartejaram três, logo três de uma vez, em frente ao meu prédio essa semana. E a quarta for tão depenada que parece mais um poste plantado na calçada.

O pior cego é o que não quer ver. E o pior sertanejo é aquele que despreza as poucas árvores que a natureza lhe deu.

domingo, 30 de novembro de 2008

Novas respostas


Novas respostas para antigas perguntas:
  • Por quantos segundos você consegue encarar a barra de chocolate na sua mão, antes que ela escorra em forma líquida pelo seu braço adentro?

  • Por quantos minutos você consegue manter aquela sensação de frescor depois de um banho de água fria?

  • Quanto tempo dura um sorvete de palitinho em temperatura ambiente, antes de ele se desintegrar na sua mão?

  • Por quantos metros você consegue conduzir o carro sem encostar no volante, depois de deixá-lo estacionado no sol por alguns instantes?

  • Quantos litros de água você precisa beber por dia?

  • Quantos minutos demora prá uma cueca secar no varal?

  • Quantos pijamas você precisa ter na gaveta?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Twin Peaks

A pergunta que não quer calar: por quê Twin Peaks, que é 10 vezes menor do que Petrolina e Juazeiro juntas, é 100 vezes mais interessante? OK, eu sei a reposta. Mas mesmo assim...

domingo, 23 de novembro de 2008

Jingle bells

Quinze dias, entre o Natal e o Ano Novo, longe desse inferno e dessa solidão. Acho que é o maior presente que eu já terei ganhado do Papai Noel em toda a minha vida. Só torço para que no ano que vem ele seja ainda mais generoso comigo.

sábado, 22 de novembro de 2008

Country life


A poluição sonora por aqui supera de longe a de qualquer cidade grande e/ou civilizada. Desde ontem que eu só ouço gritos histéricos de crianças descontroladas, latidos descontrolados de cachorros histéricos, batucadas diversas, música "brega-romântica" brotando de lugares invisíveis, pessoas emitindo grunhidos nas ruas, ruídos distantes indistingüíveis, som alto de trios elétricos e tum-tum-tums de forró eletrônico que só os seres primitivos são capazes de emitir e tolerar. Que saudades da tranquilidade da minha São Paulo. Que saudades de morar numa cidade em que as pessoas tem respeito umas pelas outras.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Curiosidade

Alguém lê as coisas que eu escrevo nesse blog? Ou será que ele tem apenas finalidade terapêutica? Se a resposta for não para a primeira pergunta, e sim para a segunda, está valendo do mesmo jeito. Se a resposta for sim para a primeira pergunta, é claro que a resposta da segunda será não, mas apenas por causa da palavra "apenas". De qualquer forma, eu prefiriria essa segunda opção.

Apesar de não saber quem você é, pelo menos eu sei que nesse momento você está lendo. E se "nesse momento" for considerado sob outra perspectiva, quem está lendo sou eu. Portanto a resposta para a primeira pergunta é sim e eu posso ficar contente porque a segunda opção é a que está em vigor.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Luar do sertão


A lua fotografada na varanda do meu apartamento às 19:20hs do dia 13/11/2008. Clique na imagem para ampliar.

sábado, 8 de novembro de 2008

Um Piano pela Estrada

O projeto é antigo, pois eu ouço falar dele faz muito tempo, mas ele só começou de fato a acontecer em 2003. Arthur Moreira Lima, com o seu caminhão-palco, vai percorrendo o interior do Brasil, especialmente do nordeste, e com ele vai levando a sua música para os menos privilegiados e os mais carentes.

Foi na quarta-feira dessa semana, na orla de Petrolina, a vigésima apresentação de um total de trinta e uma que o pianista fará nesta terceira etapa do projeto "Um Piano pelo Brasil 2008".
O caminhão ficou atravessado na avenida da orla, a pista foi fechada para os carros, a lateral do caminhão se abriu e o palco estava montado. O Steinway foi posicionado no meio do palco, os geradores foram ligados, as luzes acesas e pronto. Uma verdadeira sala de concertos estava instalada na beira do rio São Francisco, a três quadras do meu apartamento.

No programa Mozart, Beethoven, Chopin e, como não poderia deixar de ser, em se tratando de Arthur Moreira Lima, Villa-Lobos, Nazareth, Luiz Gonzaga e Piazzola. A platéia, acomodada em cadeiras de plástico sobre o asfalto, devia estar na casa de umas 150-200 pessoas.

Um grande show e um grande artista. Fiquei emocionado pela oportunidade de vê-lo ao vivo e tão de perto, assim como por ouvir a música com que ele nos brindou. Assisti ao concerto bem de perto,quase podendo tocar o piano com as mãos, e aproveitei para levar algumas fotos desse grande e incansável homem da cultura nacional. De quebra ainda comprei um CD dele que eu não tinha, com direito a autógrafo, naturalmente.

Mas como eu fiquei sabendo que haveria esse concerto? Será que foram afixados cartazes nos muros da cidade? Será que foram espalhados outdoors nas principais ruas e avenidas? Saiu na TV? Estava na página da prefeitura na Internet? Não, amigos. Essas coisas só acontecem quando aqui se apresentam as bandas no estilo "perereca prá frente perereca prá trás". As quais são divulgadas com semanas de antecedência, diga-se de passagem.

Pois fiquei sabendo do show por acaso, quando alguém comentou de passagem a respeito na universidade. Não é um absurdo? Eu não me conformo com isso. Um evento desses, quase na porta da minha casa, e se não fosse um comentário casual eu nem teria tomado conhecimento. Como aliás, muita gente não deve ter tomado. Fui lá mais para tirar a dúvida, não achava mesmo que fosse haver o tal show.

De qualquer forma, como a própria apresentadora do concerto já antecipava, nas suas sábias palavras: "... esse concerto é levado para locais onde o acesso à cultura é limitado e a população tem pouca ou nenhuma oportunidade de presenciar algo do gênero". É isso mesmo. Vieram para o lugar certo. Só espero que ele não demore a voltar. Vida longa, muita saúde e muito sucesso para o Rei Arthur.

Fornalha ligada

O calor por aqui está IN-SU-POR-TÁ-VEL. Há cerca de uma semana que a coisa piorou, e muito. Como resultado, este pobre paulistano que aqui escreve está se sentindo nocauteado, inapetente, continuamente exausto, sem forças nem vontade para fazer nada que não seja ficar parado, de preferência na horizontal, esperando esse inferno passar.

Você se sente mal quando veste uma roupa. Quando sobe ou desce uma escada ou quando tem que andar ou dirigir debaixo do sol. Mesmo quando fica parado na sombra, sem receber sol direto. O vigor e a disposição só retornam quando se está num ambiente climatizado, ou seja, numa sala com ar-condicionado.

Fora isso, falta ar para respirar. Você faz força mas parece que o ar não entra. Também não há ar circulando. Quando há, ele circula quente, então você se sente como se estivesse na boca de uma fornalha que cospe ar em temperaturas muito altas prá fora. Usar o ventilador deixou de ser uma opção para aliviar o calor, pois ele só te joga com mais força no rosto aquilo do qual você está tentando se livrar.

Nessa época, a minha faxineira lava, seca e passa a roupa no mesmo dia. E sem usar máquina de secar, naturalmente. Eu nunca tinha visto isso antes.

Lembro-me de um episódio de Jeannie é um Gênio em que o Major Nelson é reduzido ao tamanho de um boneco e colocado amarrado num espeto giratório dentro de um forno doméstico ligado. É exatamente assim que eu me sinto. Onde está o Major Healey, para me salvar das mãos da terrível Jeannie?

Essa semana eu achei que fosse desmaiar pelo menos duas vezes. Desmaiar por não estar aguentando o calor. Eu nunca tinha experimentando essa sensação antes. E olha que eu já estive em muitos lugares muito quentes. O inferno é aqui mesmo, não tenho mais dúvida em relação à isso.

Mas, como tudo tem o seu lado bom, e eu estou continuo me esforçando para ver sempre o lado bom das coisas, eu descobri que as muriçocas (ou os pernilongos, como queiram), também não aguentam esse calor e simplesmente sumiram. Ou seja: tá tão quente, mas tão quente, que nem muriçoca, que não é besta, se arrisca a ficar por aí debaixo desse sol, procurando gente prá morder. Elas devem ter migrado para o pólo norte. Ou sul. Se eu fosse muriçoca, eu faria exatamente isso.

Então, são essas as opções que a cidade lhe oferece para você levar uma vida tranquila e saudável, com total concentração nas suas atividades diárias: um "inverno" onde você é devorado pelos insetos e, depois, um "verão" onde te negam o ar para respirar. Tudo lindo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Tourist Information 04 - Rio Sol

A Vinibrasil é uma das principais vinícolas da região e, sem dúvida, também uma grande atração turística. Eles produzem o vinho e o espumante Rio Sol, apreciados no Brasil e em vários países do exterior, além de outras marcas menos conhecidas.

Numa área de 200 hectares ficam situadas as plantações (com videiras em diversos estágios de produção), a fábrica (com seus tonéis de aço e máquinas de todo o tipo) e a adega (onde os vinhos mais elaborados descansam em tonéis de cavalho francês).

Por se tratar de uma fazenda, há também uma comunidade que lá vive. E eles contam com casas, capela e escola para aqueles que precisam estar sempre presentes e não podem se dar ao luxo de morar na cidade mais próxima, que é Lagoa Grande. Os demais trabalhadores chegam e vão embora todo dia num ônibus da empresa que faz o trajeto fazenda-Lagoa Grande. Há também uma sede muito bonita, na margem do rio São Francisco, onde são recebidos os hóspedes e visitantes ilustres da fazenda.

Algumas fotos estão aqui: http://www.marcusramos.com.br/riosol/

Para se chegar lá, deve-se sair de Petrolina pela estrada em direção a Recife. Depois de 42Km, você passa em frente a Embrapa e, depois de mais 8Km, você chega em Lagoa Grande, município onde estão localizadas todas as principais vinícolas da região. São, portanto, 50Km de Petrolina à Lagoa Grande.

A partir de trevo de Lagoa Grande, dirija por mais 2Km em direção à Santa Maria da Boa Vista, que é o mesmo caminho para Recife. Quando encontrar uma placa indicando "Vermelhos", dobre à direita. Pronto, você está numa estrada secundária, que segue próximo à margem do rio, e onde estão localizadas, uma após a outra, as maiores vinícolas daqui.

Seguindo em frente por mais 9km, você vai encontrar uma placa com os dizeres "Vinibrasil Rio Sol". Dobre à direita, cruze o mata-burro e entre no clima de fazenda dirigindo por mais 3Km numa estradinha de terra e pedra. Mas vá devagar, pois não é uma boa idéia ter o eixo do comando de válvulas do seu carro partido bem no meio dessa estrada, como aconteceu quando estive lá com o Leo.

Ao chegar na portaria é só se identificar e, naturalmente, dizer que você tem uma visita previamente agendada. Para isso, o telefone que deve ser usado é o 87-3860.1587.

Ótimo passeio e diversão garantida a apenas 64Km de Petrolina. E não esqueça de trazer para casa umas garrafas do espumante rosé que eles produzem. Bem gelado, ele ainda vai se tornar a bebida oficial do nordeste. Delicado e refrescante, vai bem na praia, no sertão, no almoço no jantar ou no happy-hour.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mestre Luiz Baiano

O programa de TV é nacional mas o patrocinador é regional. Logo depois do Jornal Hoje, o locutor anuncia:

"O Videshow que você vai assistir agora é um oferecimento de... Mestre Luiz Baiano, o Espírita da Verdade"

Nada contra, mas a gente que não está acostumado com esse tipo de patrocinador acaba sempre se surpreendendo quando a mensagem passa na TV, ainda mais na TV Globo.

Para quem quiser conferir, é só acessar http://www.mestreluizbaiano.com.br/index.html. Seus serviços vão de tenda espírita de consulta até bola de cristal, búzios, passes mediúnicos e horóscopos.

O negócio deve ser bom, pois ele atende em Petrolina, Uauá, Caruaru, Garanhus e Serra Talhada. Business is business, e a mídia está aí para ajudar os business men.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Tome feriado

Hoje é Dia do Comerciário (no Brasil inteiro ou só aqui?), e por conta disso nenhuma loja abriu em Petrolina ou Juazeiro. Nunca reparei, mas será que em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade do gênero o comércio também fecha nesse dia? Imagino que não. E como não são só os comerciários que são filhos de Deus, segunda-feira da semana que vem é o Dia do Funcionário Público. Um bocado de gente (inclusive eu...) vai aproveitar. Aqui tem prá todo mundo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sr. Raimundo

Você sai do trabalho às 18:00hs e, depois enfrentar um trânsito pesado, consegue chegar em casa, exausto, às 18:50hs. Você saiu de Perdizes e foi para o Itaim? Trabalha no centro e mora no Morumbi? Nada disso, você só tem que atravessar uma ponte que separa o campus de Juazeiro da UNIVASF do centro de Petrolina. No total, o trajeto tem 3,5Km. Felizmente eu tenho as fitas-cassete do Robson para ouvir no carro e consegui, hoje, me distrair um pouco ouvindo BB King, Jimmy Hendrix e The Doors, entre outros.

Dá até vontade de deixar o carro em casa e ir a pé. Mas isso eu não faço, por dois motivos.

Primeiro, porque preciso do carro para poder ir almoçar todo dia. Sem ele, eu teria que caminhar uns 20-30min sob um sol de derreter para ir até algum restaurante, e depois outro tanto para voltar. No way. Segundo, porque o risco de você ser atropelado por algum dos inúmeros vândalos que conseguiram carteira de motorista em Juazeiro é muito grande.

Que o diga o Sr. Raimundo, porteiro do campus Juazeiro da universidade e recém-falecido. Atropelado por um carro desses na rua, ele foi atendido na rede pública de saúde da cidade. Mesmo sem movimentos nas pernas, ele foi liberado pelo médico local. Como ainda não se sentia bem, foi transferido pelos familiares meio que às pressas para Salvador. Lá, infelizmente, os médicos não tiveram condições de resolver os problemas decorrentes dos ferimentos internos causados pelo acidente de alguns dias atrás.

Esses são alguns dos riscos e das desvantagens de se morar numa cidade pequena. As vantagens eu ainda não consegui descobrir. Sinto muito pelo Sr. Raimundo.

Bendito bode

O "Bode Assado do Papa´s" (sic) ocupa uma área a céu aberto, um pouco abaixo e exatamente ao lado do prolongamento da estrada federal que liga Juazeiro e Petrolina, próximo da ponte. Fica mais ou menos perto do campus e numa área que deve ter sido utilizada, no passado, como praça pública. Lá estão as mesas e cadeiras de plástico para os clientes, a mesa de aço onde os bichanos são limpos, o "armário" de tela onde ficam expostas as carnes já limpas e o lugar do churrasqueiro, envolto numa nuvem permanente de fumaça e rodeado de pilhas de espetos de bode já assados ou por assar. Um bom cenário de filme, com certeza, inclusive pela freqüência.

Pois é lá que se almoça de vez em quando. Sexta-feira passada foi um dia desses. Eu e mais quatro colegas professores comemos bode assado à vontade, acompanhado por arroz, feijão, macaxeira, um tomate picado e mais alguma coisa. Para beber, refrigerantes.

A carne estava ótima, bem passada e temperada (na verdade, é o tal do carneiro). Um bom almoço por um preço melhor ainda:R$ 42,00 a conta. Ou seja, R$8,40 para cada um. Uma excelente relação custo/benefício. Mas não acredito que a prefeitura de Juazeiro tenha feito alguma inspeção sanitária no lugar. E, se fez, isso não deve fazer diferença nenhuma. O jeito é relaxar, gozar e esperar que o Homem lá de cima não tire os olhos da gente aqui de baixo...

Mudança de hábitos

Eu já visitava o Kibeloco, lia o José Simão e via uns vídeos divertidos na Internet de vez em quando antes de vir prá cá (aliás, uma coletânea bem legal desses vídeos está no meu orkut). Mas, passados 6 meses, a necessidade de humor ficou maior e agora essas coisas passaram a fazer parte da minha vida cotidiana, tornando-se quase indispensáveis para a manutenção de uma rotina mais leve e saudável. Rir sozinho, fazer ginástica em casa e andar de bicicleta pela periferia da cidade parecem ser os melhores remédios para conseguir carregar essa cruz.

Além disso, eu nunca vi tanta TV Globo (a única que pega aqui em casa) na minha vida. Noites e finais de semana inteiros, exceto quando saio para fazer alguma coisa. Não que eu preste atenção em tudo, aliás não presto em quase nada, pois estou sempre trabalhando no computador, fazendo ginástica, lendo, cozinhando ou fazendo qualquer outra coisa ao mesmo tempo. Então a TV fica como pano de fundo, só prá dar um pouco mais de vida na casa. Futebol, Faustão, Fantástico, novelas, um bocado de coisas que eu não gosto (e continuo sem gostar...) e nunca via , agora são a minha "família", ou seja, preenchem os vazios da minha casa e da minha vida, conseqüentemente.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Tourist Information 03 - Dunas do Velho Chico

As Dunas do Velho Chico são mais uma daquelas atrações turísticas maravilhosas que existem no nordeste, mas que ainda são quase que completamente ignoradas por tudo e por todos.

Quem poderia imaginar que, após andar cerca de 900km em direção ao interior, vindo do litoral, no extremo norte da Bahia, depois de Pernambuco e quase na fronteira com o Piauí, numa região castigada de toda forma pela seca, seria possível encontrar um lugar em que você se sente como se estivesse numa daquelas praias paradisíacas do litoral? Pois a paisagem ampla, a areia branca e macia, as dunas, a água limpa e cristalina e o vento suave soprando no rosto não deixam outra sensação senão essa mesma. "Puxa, é mesmo, esqueci que eu estava no interior!"

O acesso, prá variar, não é dos mais fáceis. Eu já havia tentado ir uma vez, com o Leo em julho, mas desistimos pela dificuldade em achar o lugar. Dessa vez eu e a Malu fomos com a Bárbara, uma mineira especialista em uvas que conhece a região como a palma da mão dela.

Você sai de Petrolina pelo aeroporto, passa por Santana do Sobrado e depois por Casanova, já na Bahia. Cerca de 50km depois de Casanova há uma entrada à esquerda, com uma placa enferrujada sinalizando "Dunas do Velho Chico". É quando você sai do asfalto e entra numa estrada de terra e pedras. A partir daí são 18km até o acesso às dunas, e é onde a aventura de fato inicia.

A paisagem ao longo dessa estradinha é quase lunar. Terra seca, pedras, galhos e árvores secas, um bode ou outro vagando pelo caminho e quase nenhuma alma viva (além dos bodes). Aridez total, cenário de "Deus e o Diabo na Terra do Sol".

Não existe muita dúvida sobre qual caminho seguir, exceto por uma bifurcação na qual, naturalmente, não existe nenhuma orientação. Entre à esquerda e tudo vai dar certo. Não tenho a menor idéia de onde você iria parar se fosse em frente. Obrigado, Bárbara!

Quando a estradinha acaba (18km exatos), você se depara com um portão de madeira. Estacione o carro, pegue as suas coisas, tire o tênis e atravesse o alagado que o separa do caminho que o leva até as Dunas. E isso é muito bom, porque você já começa a caminhada com os pés refrescados. Atravesse uma porteira de ferro e, depois de menos de 1km, você sobe uma primeira duna. Pronto, chegou.

A visão que recepciona o visitante é impressionante. A mesma sensação de quem chega numa praia ampla e deserta pela primeira vez. Até os pés custam a entender: como pode uma areia branca e macia como essa por aqui? E esse mar aí frente, está fazendo o quê aqui?

Domingo de tarde e, pasmem, quase ninguém para desfrutar desse paraíso. Duas pessoas de um lado, três de outra, todas bem longe. Um cachorro, nativo do local. Tudo bem longe de você e, graças a Deus, nenhum estúpido com o som do carro ligado por perto. Você se sente o dono do mundo, ou pelo menos de uma parte muito boa dele.

Banho de rio (mar?), cangas estendidas na areia, sol do são Francisco e caminhadas para apreciar as várias perspectivas de paisagem. Para refrescar, uma única barraquinha vende água, cerveja e um peixinho frito. Ela pertence a uma senhora que mora lá mesmo, sozinha e longe da civilização (é tudo apenas uma questão de referencial mesmo...).

As Dunas ficam numa região que foi inundada pela barragem de Sobradinho. Consta que, quando as águas baixam, parte do "cemitério" reaparece, segundo um nativo. O cemitério a que ele se refere são os restos das casas da antiga Casanova, desaparecida pela inundação. No alto de uma das dunas o antigo cruzeiro da cidade permanece intacto e serve, agora, quase como uma indicação de que ali jaz a antiga Casanova.

As fotos, dessa vez, estão em http://www.marcusramos.com.br/dunas/

Exceto talvez um pouco pela vegetação, as Dunas do Velho Chico me trazem à lembrança imagens de Maragogi (AL), Jericoacoara (CE) ou Genipabu (RN). É a verdadeira praia do sertão. O sertão não vai virar mar, já virou. Tudo isso a apenas 107 km de Petrolina. Você vai de manhã e volta no final da tarde. E nunca mais vai se esquecer do que viu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Fotos publicadas

Duas fotos minhas, da Procissão de São Francisco de Assis em Pedrinhas, foram publicadas no site oficial da prefeitura de Petrolina (http://www.petrolina.pe.gov.br/noticia.php?id=2050) e também na capa e contracapa da "Gazzeta do São Francisco", um dos dois jornais locais. O texto é da Malu.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Tourist Information 02 - Pedrinhas

O Balneário de Pedrinhas fica a cerca de 30Km do centro de Petrolina e vale a pena ser conhecido. Uma antiga aldeia de pescadores, o local recebe esse nome por causa das pequenas pedras arredondadas (como essas que se usa em paisagismo) que ocupam as margens do rio São Francisco. Nesse trecho, uma série de bares/restaurantes com arquitetura padronizada pela prefeitura dá um toque bastante agradável ao local, que é ideal para um bate-papo com amigos no final da tarde ou então uma simples caminhada para apreciar a vista.

Lá se pesca o Cari, um peixe que parece saído de um episódio de "National Kid contra os Seres Abissais". Se ele fosse do meu tamanho, eu ia sair correndo procurando ajuda sem pensar duas vezes. Todo preto, com escamas duras e nadadeiras trabalhadas (parece um crustáceo), dizem que ele rende uma boa moqueca. A conferir.

Depois de tudo visto, eis que eu e a Malu somos convidados pelo Geraldo, o dono do boteco onde tomávamos cerveja, para participar da Procissão de São Francisco. Participar de verdade, com direito a desfile de canoa pelo rio e depois acompanhar o cortejo até a igrejinha local. E lá fomos nós... só faltou mesmo carregar o santo nas costas, porque vela acesa para o santo a Malu levou. Eu, como vocês podem imaginar, estava com as mãos ocupadas com a máquina fotográfica.

É claro que havia um troglodita com o carro estacionado na beira do rio, com o porta-malas aberto e o som nas alturas, fazendo os poucos que ali estavam ter que digerir Calypso e companhia. Mas felizmente ele se mancou e desligou a "máquina" quando teve início a procissão. Dizem que nos domingos os carros lotam o local e competem pelo volume mais alto. Então, é para ir de segunda a sexta, de preferência.

As fotos, prá quem quiser conferir, estão em http://www.marcusramos.com.br/pedrinhas/

Foi um sábado à tarde "tudo de bom", mas em boa parte por acaso. Por quê esses eventos não são divulgados? Por quê pelo menos a prefeitura não coloca no site oficial da cidade um programa desses eventos tão interessantes? Por quê não se vê cartazes colados nas paredes?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sugestão para os TREs de SP, PE e BA

Reflexões pós-debate sertanejo me fazem pensar na seguinte sugestão. A cidade de São Paulo tem três candidatos mais fortes à prefeitura. A sugestão é a seguinte: apurados os votos, o que vencer as eleições fica por São Paulo mesmo. O segundo colocado assume a prefeitura de Petrolina e vem comer bode aqui por 4 anos. E o terceiro colocado assume em Juazeiro e vem ouvir pagode durante todo o seu mandato. Todo mundo ia sair ganhando, especialmente as cidades daqui.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Mediashow

Debate na TV Globo local entre os candidatos à prefeito de Petrolina. E o show, quem diria, ficou por conta do mediador.

- (mediador) Agora o candidato A fará uma pergunta para o candidato B...

O candidato A faz a pergunta para o candidato B e o candidato B começa a responder quando...

- (mediador) Desculpe, desculpe. Me enganei... Na verdade é o candidato B que deve perguntar para o candidato C. Por favor, vamos de novo...

E assim vai. Depois, numa interação entre os candidatos B e C:

- (mediador) Agora vamos ouvir a pergunta do candidato A...

- (candidato B) Mas eu tenho direito à uma réplica...

- (mediador) Tem? Deixa eu pensar... peraí um pouco... hummm... ok, vai lá...

Mais tarde:

- (mediador) Vamos agora ouvir a pergunta do candidato C...

- (candidato A) Ei!! Eu ainda não acabei, falta a minha tréplica!

- (mediador) Hã...? Será? Um momento... ok, acho que sim, pode falar...

No final do debate:

- (mediador) Vamos agora ouvir as considerações finais de cada candidato. Três minutos para cada um apenas...

Depois dos resumos, agradecimentos e despedidas de todos...

- (mediador) Atenção, atenção... acabamos de perceber que ainda sobrou um tempo... então, vocês podem fazer novas considerações finais... dessa vez com dois minutos e meio para cada um... vamos lá... tudo bem, pessoal? vocês concordam, podemos prosseguir...??

O melhor dos três candidatos foi o mediador, sem sombra de dúvida. Pena que o debate foi curto.

Preparando o assado

Quando a temperatura ambiente, às oito horas da noite, é de 30 graus (Celsius), você precisa tomar algumas providências para conseguir sobreviver.

A primeira coisa que faço ao chegar em casa de noite, por exemplo, é tirar o máximo de roupa possível do corpo. Ficar de sapato e meia nem pensar. Camiseta é um execesso, e até um short incomoda. A sorte é que ninguém fica me olhando pela janela.

A solução, então, é abrir todas as portas e janelas e torcer para circular algum ventinho. Como isso é raro, é bom deixar o ventilador ligado no máximo também. Para dormir, a maioria das pessoas aqui não sobrevive sem um poderoso ar-condicionado. Como eu não gosto (e nem tenho um), eu direciono uma hélice de helicóptero para o teto do quarto. Ela fica ligada a noite inteira jogando um vento difuso sobre a cama, que refresca um pouco e ainda ajuda a espantar as incansáveis trabalhadoras da dengue.

Um colega de trabalho (vindo do sul, como eu) foi além e resolver passar a dormir sobre toalhas e lençóis molhados. Eu ainda não cheguei nesse ponto, mas também sei que o pior ainda não chegou. Os próximos dias prometem temperaturas diurnas para além dos 40 graus.

Alguns cuidados básicos são recomendados pelos médicos e pelas pessoas: tomar muita água e lavar o rosto várias vezes durante o dia, porque a umidade relativa do ar é praticamente uma unanimidade: sempre baixíssima.

Mesmo assim, qualquer coisa que você faça durante o dia parece que cansa em dobro. É como se alguém estivesse segurando uma pedra de kriptonita do seu lado. Dirigir sem ar-condicionado, então, é um exercício diário de paciência e resistência. As pessoas aqui não compram carro com ar-condicionado. Como disse um outro colega meu, elas compram aparelhos de ar-condicionado sobre rodas.

De uma forma ou outra, a gente pode sempre olhar pelo lado positivo e entender que, afinal de contas, esse pode ser um bom treino para um eventual futuro ingresso no inferno.

Fotos!

Depois de quase 6 meses em que eu estive praticamente sem equipamento (ele esteve em manutenção todo o tempo em que eu estou morando aqui), eu finalmente consegui, neste último sábado, retomar uma das atividades que eu mais gosto: sair por aí com a máquina na mão, andando pelas ruas e fotografando aquilo que eu acho interessante.

Então, se você ainda não conhece Petrolina e Juazeiro, quer ter pelo menos uma noção de como as coisas se parecem por aqui, e, de quebra, quer também conhecer melhor o meu "entorno" e as paisagens que fazem parte do meu dia-a-dia, é só clicar em http://www.marcusramos.com.br/petrolina/

Espero que você goste. Das fotos e das cidades.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Pousada L´amour


Eis que, no meio do deserto, no meio da aridez total, entre Juazeiro e Sobradinho, nos deparamos com a "Pousada L´amour". Não se sabe nada com relação à freqüência do local, à rentabilidade do negócio ou mesmo à decoração interna das suas suítes. Mas o visual externo é 10, com distinção e louvor. Toda pintada com motivos de oncinha, ela ainda se dá ao trabalho de acrescentar no letreiro "Desfrutando do amor". Deve ser para os distraídos...

Psicodélica total, pós-moderna e única em todo o sertão, quiça no país ou no mundo. Mas o melhor é a vizinhança: ninguém na frente, ninguém atrás e ninguém à direita. Só terra batida, mato seco, um cachorro ou outro perdido e um poste bem no meio da fachada (alguma mensagem subliminar?). Mas e à esquerda? Nada mais nada menos do que um acampamento de sem-terra. Sim, daqueles do MST que você vê de vez em quando no Jornal Nacional, com bandeira vermelha e tudo mais.

A foto não é minha (clique para ampliar). Na verdade, acho melhor nem falar de quem que ela é. Caso contrário isso poderia levantar especulações indevidas...

Pousada L´amour, local de tórridos encontros. Em todos os sentidos.

Petrolina Fashion Week

Começou ontem e vai até a amanhã. O melhor da moda do sertão e do Vale do São Francisco. Desfiles das 19:00 às 22:00hs na concha acústica, ao lado da catedral. Patrocínio da TV Grande Rio (afiliada local da TV Globo), e dos produtos "Charmy".

Candidatos a vereador do exterior

Off-topic. Não consigo resistir, são duas "pérolas":

  1. Carlinhos Bin Laden (Sumaré, SP): "Esse Os...Ama"!
  2. Gordinho de Itú (Itú, SP): Não fala nada e só come uma melancia que já vem cortada em cubinhos. (http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/propaganda-eleitoral-do-gordinho-de-itu-0402346ED4811326?types=A&)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pingüins no deserto

Quanto mais elevada a temperatura média numa cidade ou região, mais adaptados estão os seus habitantes ao calor. Certo? Errado!!

Hoje fez 37 graus por aqui. A promessa da previsão do tempo para a semana que vem é chegar nos 42. Naturalmente, o ar-condicionado é um item de conforto importante nas casas, escritórios e lugares públicos.

Mas a forma exagerada como ele é usado por aqui é supreendente. No meu escritório, por exemplo, onde trabalham dez pessoas, a temperatura do ar-condicionado é regulada em 17 graus. Um frio de doer. Daqueles me que fazem pensar todo dia em não esquecer de trazer o casaco para poder me sentir um pouco mais confortável no dia seguinte.

É claro que uma temperatura baixa assim não é unanimidade por lá. Alguns colegas acham, assim como eu, que 22, 23 ou 24 graus está bom demais. Mas os pingüins não deixam. Eles estão sempre aumentando o frio e achando que ainda está quente.

E não é só na universidade. Outro dia entrei num caixa automático do Bradesco, na orla do rio São Francisco, e quase congelei nos 2 ou 3 minutos que fiquei lá dentro. E assim acontece em lojas e vários outros locais que a gente acaba tendo que freqüentar no dia-a-dia.

Moral da história: no deserto também tem pingüim. E, do jeito que a coisa vai, eu estou passando por um verdadeiro processo de pasteurização.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Villa-Lobos em Petrolina

Show com Marcus Llerena (violão) e Rosenete Eberhardt (soprano) no projeto Sonora Brasil do Sesc. Estudos, prelúdios, modinhas, serestas e outras obras para violão solo e violão e voz do grande Heitor.

Foi um verdadeiro colírio nos olhos do viajante que, há meses, vagueia por um deserto musical absolutamente árido de sons que possam ser apreciados e frequentemente se vê atingido por violentas tempestades de areia que ofuscam a visão e contribuem para deteriorar os sentidos. O verdadeiro antídoto das "pererecas".

Um grande compositor, uma ótima programação e excelentes intérpretes. Nada mau para uma simples noite de terça-feira no sertão do meu Brasil. Com entrada gratuita, ainda por cima.

Mas o sertão precisa ser preparar melhor para esse tipo de evento. Logo no início do espetáculo, os aparelhos de ar-condicionado do auditório do Sesc foram desligados a pedido dos músicos, uma vez que o ruído produzido por eles (os aparelhos) concorria de forma severa com as suas próprias execuções.

Como resultado o calor foi grande, especialmente para os músicos, que ainda tiveram que tocar debaixo de luzes fortes e quentes. O meu xará, por exemplo, suava em bicas e saiu do palco com a camisa encharcada.

Para atrapalhar ainda mais, os sons vindos da rua se faziam vez ou outra presentes no palco (carros de som, ruídos das pessoas, barulhos do trânsito etc) e competiam com a música do Villa. Numa quadra de esportes ao lado do auditório, os gritos dos atletas que disputavam alguma partida soavam ainda mais alto dentro do auditório, e criavam um fundo musical paralelo que permeou todo o espetáculo.

Na platéia, naturalmente, os celulares que tocavam sem aviso prévio não deixaram de marcar a sua presença em pontos diferentes do programa. E, no palco, vez ou outra aparecia alguém, sabe-se lá de onde, que o atravessava de forma indiferente e distraída, enquanto os músicos tocavam, procurando abstrair e se sobrepor a esse universo de interferências externas. Falar sobre os aplausos em momentos inoportunos é desnecessário e poderia parecer um exagero da minha parte.

A gente que está acostumado a ver artistas se apresentando apenas nos grandes centros, não imagina a vida que eles levam quando resolvem se aventurar por esse Brasil afora. Não é fácil, isso ficou evidente, e tal fato só pode ser explicado pelo amor que eles tem pela arte e pela sua devoção ao trabalho de redução das desigualdades regionais que ainda são tão marcantes nesse nosso país.

Por sorte temos artistas sofisticados que encaram todas essas adversidades (e possivelmente outras mais) de forma tranquila e corajosa, e ainda assim aparecem por aqui de vezes em quando para nos brindar com momentos mágicos como os da noite de hoje. Obrigado ao Marcus, à Rosenete e ao Sesc.

domingo, 21 de setembro de 2008

Coisas boas - parte 1

Nada como o tempo para a gente conseguir analisar as coisas de forma mais ponderada e sem excessos. Após 5 meses de Jualina (comemorados no último dia 14), eu sou capaz de reconhecer, de forma isenta e serena, algumas das coisas boas que a cidade oferece:

  • Aerorporto (é a única cidade do interior de Pernambuco que tem um);
  • Eleição em turno único (felizmente tudo acaba no próximo dia 5 de outubro, sem chance de prorrogação).

Perereca prá frente

Cidade ensandecida recria o Inferno de Dante na beira do rio São Francisco.

Desde às oito horas da manhã deste domingo Petrolina está tomada por uma febre festeira que continua com força total no final da tarde e, pelo visto, só vai acabar na manhã de segunda-feira.

Pela manhã, os festejos em comemoração aos 113 anos da cidade serviram de aquecimento para essa trupe que parece ter fôlego infinito (e que exige dos moradores dos arredores uma paciência igualmente inesgotável).

Por volta da hora do almoço, os simpatizantes dos dois principais candidatos à prefeitura da cidade disputavam quem conseguia atingir o maior número de decibéis na região. Tive a impressão de que todos os carros de som do estado vieram para Petrolina hoje, a fim de participar dessa singela demonstração de carinho e respeito para com a cidade e os seus moradores.

Além deles (que geram grandes deslocamentos de ar e emitem grunhidos absolutamente ininteligíveis), montes de cavalos, vaqueiros e carroças puxadas por burros serviam, também, para mostrar que a força das candidaturas não vem apenas do centro "desenvolvido", mas também do campo e dos seus humildes habitantes.

Na orla, agora no final da tarde, trios elétricos gigantescos estão reunindo pessoas que chegam às centenas, de todas as partes, para sacudir as suas partes íntimas no asfalto ao som do hit "Perereca prá frente, perereca prá trás". Aqui eles chamam isso de "puxada", uma espécie de canaval fora de época, que se repete várias vezes ao longo do ano. Tanto do lado de cá como do lado de lá do rio, o ambiente ideal para o encontro das pererecas do sertão.

Vai ter "puxada" hoje? Ótimo! Então é dia de encher a cara, ligar todos os alto-falantes no último volume, atrapalhar bastante o sossêgo dos outros, sacudir o esqueleto até não aguentar mais e depois voltar prá casa feliz, certo de que Petrolina é mesmo o lugar mais animado do mundo para se morar. Um verdadeiro centro cultural e de lazer.

Aniversário da cidade, campanha eleitoral e "puxada", tudo isso num mesmo dia. Como nem tudo é perfeito, toda essa festança caiu num domingo este ano. Ano que vem, se Deus quiser, a população será abençoada com o repeteco desse magnífico evento num dia semana, e assim terá condições de desfrutar, com mais vontade, de tanta alegria e vontade de viver.

Piada pronta

Tá no meu horóscopo de hoje:

"Que tal convidar amigos e família e fazer um programa diferente?"

Só se o diferente for não fazer nada.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Vigilância Sanitária

Nessa última semana dois amigos meus foram nocauteados pela gastronomia de Jualina. Um contraiu salmonela e o outro contraiu infecção intestinal. Atenção vigilância sanitária!!

domingo, 14 de setembro de 2008

A primeira piranha

"A primeira piranha", dizem, "a gente nunca esquece". É fato. Depois do sol escaldante no mirante da barragem em Sobradinho, eu, Malu e Robson fomos para a Ilha do Rodeadouro para almoçar.

Pés na água fria do rio, cerveja na mesa e referências à Polinésia do sertão. A música de fundo, naturalmente, deixava a desejar. Mas guardava, mesmo assim, algum tipo de associação com a "piranha" que pensávamos em degustar.

Pois foi justamente esse o nosso prato principal: uma piranha, peixe típico do rio São Francisco, de um tamanho que eu mesmo nunca tinha visto. Nada parecido com aquelas pequenininhas, empalhadas e envernizadas que a gente compra em lojas de lembranças para turistas na Praça da República em São Paulo. Essa era grande, grelhada, temperada e foi bem saboreada por três famintos.

Uma excelente escolha. Carne branca e saborosa. Uma piranha para três. De entrada, acarajés. E, para fechar a noite, Bacalhau à Lagareiro (com batatas ao "murro") regado à espumante rosé no Maria Bonita,

Acarajé, piranha e bacalhau. Gastronomia de um único dia deixando boas lembranças.

Tourist Information 01 - Sobradinho

Se você pensa em fazer turismo pela região do Vale do São Francisco, esteja desde já ciente de dois fatos principais:

  • Existem várias coisas bonitas que realmente valem a pena ser visitadas;

  • A menos que você contrate um guia local (como eu, por exemplo), você estará abandonado à sua própria sorte e terá imensas dificuldades para chegar aonde quer que seja.
Vamos primeiro às atrações (pelo menos as que eu conheci ou ouvi falar até agora):

  1. Sobradinho;
  2. Vinícolas;
  3. Ilha do Rodeadouro (sic);
  4. Cachoeiras em locais ermos e perigosos;
  5. Santa Maria da Boa Vista;
  6. Dunas do Velho Chico;
  7. Parque Nacional da Serra da Capivara.
O tema de hoje será Sobradinho (a barragem, não a cidade). Lá fica o maior lago artificial do mundo, uma paisagem belíssima. Parece o mar, pois não se consegue avistar o "lado de lá". Ao lado da usina, um mirante que fica no alto de um morro proporciona uma visão panorâmica de tirar o fôlego. Barragem e usina no meio, lago de um lado e o rio indo embora do outro...

É um passeio legal e rápido. Em 3 horas você vai e volta. Mas esteja atento: (i) não existe indicação em Juazeiro sobre como chegar na estrada para Sobradinho; (ii) o trecho inicial da estrada para Sobradinho parece a superfície lunar; (iii) num certo ponto da estrada você precisa entrar à direita, mas, naturalmente, não existe qualquer placa avisando; (iv) quando você chega em Sobradinho (a cidade), não há nenhuma indicação sobre como chegar na barragem (refira-se aos nativos); (v) depois da barragem, não há nenhuma placa indicando onde fica o acesso para o tal do mirante. Se você for sozinho, provavelmente vai ir e voltar umas três vezes na estrada, falar alguns palavrões e acabar concluindo que a entrada para o mirante deve ser aquele caminho de pedra que está quase sendo devorado pela mata vizinha.

Mas a recompensa vale o esforço. Ao chegar lá em cima, não fique apenas deslumbrado com a visão do lago que se tem do pátio cimentado onde o carro pode ser estacionado. Embrenhe-se pela mata (tênis velho, calça jeans e meia) e caminhe uns 500 metros em direção à extremidade do morro. Tome cuidado para não se cortar nos cactos nem em outras plantas do gênero. Cuide-se para não escorregar em cima de nenhuma pedra. E atenção para não despencar do alto do morro.

Quando chegar lá, arrume o seu chapéu de Indiana Jones, aprecie a vista e sinta-se orgulhoso da sua proeza. Você venceu mais um desafio!

Seguem fotos da Malu Oliveira, jornalista que também incorpora o espírito do Indiana Jones e que aceitou encarar essa aventura num sábado de descanso (clique para ampliar). Também já estiveram lá o Leo (em julho, na nossa primeira e sofrida incursão, onde foram feitas todas as descobertas iniciais) e o Robson, que me deu o prazer da companhia nesse 4 últimos dias aqui no meio do sertão.



Nos próximos posts eu escreverei sobre as demais atrações turísticas da região. A MarcusTur aceita encomendas de pacotes e não cobra nada, desde que o cliente aceite fazer companhia para ele por pelo menos um ou dois dias...

Barack Obama em Petrolina

Depois da visita do presidente Lula, ocorrida na semana passada com o objetivo de inaugurar os campi da UNIVASF, eis que agora me chega a notícia de que Barack Obama anda percorrendo a periferia de Petrolina em busca de votos.

Não que a vitória nas eleições presidenciais norte-americanas já esteja garantida, e que ele esteja querendo aproveitar a folga por lá para ganhar um pouco de popularidade aqui por essas bandas também.

Trata-se, na verdade, de "Alexandre Barack Obama", candidato a vereador em Petrolina. Negro e com idade semelhante à do seu colega político norte-americano, o nosso Barack Obama está fazendo miséria com as economias domésticas para tentar viabilizar a sua candidatura.

Sabe-se, entre outras coisas, que ele comprou uma moto financiada em 42 prestações para poder fazer suas andanças e divulgar o seu projeto político. "Viva a América Latina" diz o seu santinho.

De qualquer forma não deve ter sobrado nem um trocado para gravar o seu recado no horário eleitoral gratuito. Caso contrário este que aqui, que vos escreve, atento espectador do horário eleitoral, já estaria por dentro desse verdadeiro furo de reportagem.

Não se sabe, por outro lado, se Obama e Lula aproveitaram para se encontrar em algum momento durante a permanência de ambos na cidade, ou mesmo qual teria sido o teor da sua conversa. De qualquer forma, é Petrolina se projetando no cenário da política mundial.

Para mais informações:

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Candidatos a vereador

  • Adriano de Peba
  • Beguinha do CEAPE
  • César Durando (candidato à reeleição)
  • Dedé do Restaurante
  • Didi da Simpatia
  • Geraldo da Acerola
  • Júnior do Gado
  • Leide Esposa de Dr. Deilson
  • Neguinho do Hospital
  • O Homem do Bolo
  • Paraíba
  • Paulinho da Biônica
  • Zequinha da COHAB

Tem também a Socorro, que é candidata em Recife ("Recife pede Socorro")...

Saudades do Pedro Geraldo Costa, de São Paulo ("Bosta por bosta, vote em Pedro Geraldo Costa").

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Coisas que eu NÃO sinto falta - parte 1

  • Ar;
  • Água;
  • TV Globo;
  • Pernilongos;
  • Congestionamento na hora do rush.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Feriadão again

Sexta-feira de feriado, sábado e domingo. Mais uma maratona de ginástica na varanda, filmes e seriados na televisão, passeios de bicicleta, leituras, estudo e trabalho em casa. Não vejo a hora de chegar a segunda-feira para poder ver gente novamente.

Padroeiras

A UNIVASF é uma universidade duplamente abençoada. Sexta-feira, dia 15 de agosto, recesso acadêmico. Motivo: Dia da Padroeira de Petrolina (Pernambuco). Segunda-feira, dia 08 de setembro, novo recesso acadêmico. Motivo: Dia da Padroeira de Juazeiro (Bahia). Conforto dobrado para o espírito e descanso idem para o corpo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Coisas que eu sinto falta - parte 1

  1. Pizza (não apenas aquela do Bráz, mas também aquela que é feita na padaria da esquina da sua casa);
  2. A seção de frutas do Pão de Açúcar ou do Mambo;
  3. Jornal de São Paulo ou do Rio (aqui só tem de Pernambuco, Bahia, ou então a "Gazzeta do São Francisco", com "zz" mesmo);
  4. Um prato de salada colorido, lindo, saudável e maravilhoso;
  5. Livraria (não precisa ser uma Cultura ou Fnac, mas pelo menos algum lugar para você ir ver as novidades de vez em quando);
  6. Chopp (não precisa ser conhecedor para torcer o nariz para essas porcarias que servem por aqui);
  7. Alface lisa (aqui não existe);
  8. Gente bem cuidada e bem vestida (nas ruas e lugares públicos);
  9. Kopenhagen;
  10. Música ao vivo (que não seja pagode ou forró);
  11. Uma comidinha honesta (por quilo ou PF), bem feita e bem apresentada.

Inferno e verão

Os nativos me alertam que estamos próximos de uma mudança de estação. Com o término do verão, aproxima-se o inferno. As previsões são de temperaturas oscilando entre 40º e 45º.

Médico em Juazeiro

Depois de ter passado por todas as estrelas da otorrinolaringologia em São Paulo, de ter feito uma cirurgia no ano passado, e de não ter ainda conseguido uma solução satisfatória para o meu problema, eu resolvi mudar de estratégia e procurar um médico em Jualina. Se as estrelas não resolveram, quem saberia se algum ilustre desconhecido do interior não me traria a solução definitiva? Não custava nada tentar.

Pois foi o que eu fiz. Entrei num hospital qualquer e perguntei o nome de um médico qualquer. Me indicaram dois ou três e eu acabei achando que a Dra. Karine tinha um bom perfil. Tudo isso foi em abril. Depois eu perdi o rastro dela e só fui conseguir localizá-la no início dessa semana. Não sabia por que, mas achava que tinha que ser com ela.

Pois hoje eu estive lá. Ainda não sei se ela vai conseguir resolver. Mas pelo menos eu já consegui dar alguns passos que em São Paulo eu não estava conseguindo de jeito nenhum. Apesar dos meus exames dizerem que eu não tenho nada, a minha sensação é de que tem alguma coisa errada. Em São Paulo e Recife as estrelas sempre me disseram que eu não tinha nada e que fosse aproveitar a vida. "E não me apareça mais aqui", era só o que faltavam me falar.

Mas a Dra. Karine e o pai dela, o Dr. Juvêncio, fizeram uma verdadeira junta médica e me receberam durante uma hora e meia no consultório deles. O resultado é que eles me ouviram e não me descartaram por causa dos meus exames bem-sucedidos. Mais que isso, eles acham que talvez eu tenha mesmo ainda algum problema, me anteciparam o possível nome desse problema e também já me encaminharam para uma possível solução.

Adorei. Podem anotar essa aí na (ainda muito pequena, minúscula, desprezível, ínfima) coluna das boas surpresas que Jualina está me proporcionando.

Elba Ramalho

Fez um show no último sábado na orla do San Francisco River, a céu aberto. De tarde eu passei por ali de bicicleta para ver o movimento e o ensaio. Bicicleta estacionada, braços cruzados, meia dúzia de gatos pingados do meu lado e a Elba dando tchauzinho para mim de lá de cima do palco. Cidade pequena é outra coisa...

De noite o show, que foi ótimo. Programado para iniciar à meia-noite, ele começou pontualmente no horário. Por um momento, achei que estava na Inglaterra. Achei isso incrível, porque nas reuniões de trabalho ninguém está nem aí com horário, deixam de ir sem avisar, se esquecem dos compromissos e ainda acham ruim se você chega na hora.

Com muito pique, a Elba botou a multidão para dançar até quase às 3 horas da manhã. Sem sair do palco nenhuma vez, e sempre com muita energia e carisma. Ela é, sem dúvida, uma grande personalidade. Foi merecidamente ovacionada por uma platéia formada por todo tipo de gente, de todas as idades, que dançou e cantou madrugada adentro com ela.

Gasolina

O preço médio do litro por aqui varia de R$2,90 a R$2,95. Isso, para quem não sabe, é muito mais caro do que em qualquer outra cidade mais conhecida ou capital. Não sei como é lá pelo Amazonas, mas acho que a gasolina daqui deve ser uma das mais caras do Brasil, o que talvez se justifique pelos quilometros que ela tem que rodar para chegar até Jualina. Se vier de Salvador são 500Km, se vier de Recife são 750Km. Fortaleza e Teresina ficam por aí também.

A boa notícia é que, apesar de cara, a gente gasta pouco. Se você usar o carro apenas para o dia-a-dia, sem viagens ou aventuras no sertão, meio tanque dá para o mês inteiro. E se não se incomodar de andar no sol e de perder um pouco de agilidade nos seus deslocamentos, você pode fazer tudo a pé ou de barquinho. Aí zero tanque de gasolina vai dar para o mês inteiro e você não vai mais se preocupar com o preço do litro.

Tomates

Depois de quase 4 meses frequentando o mesmo (e supostamente o maior e melhor) supermercado da região, dessa vez eu achei que estava tendo uma miragem quando olhei para a banca de verduras e legumes: tomates vermelhos, redondos e inteiros ali parados, olhando para mim. Parecia uma miragem mesmo. Os tomates aqui são esverdeados, geralmente estão atropelados e normalmente tem uma cara péssima.

Mas esses que eu vi dessa vez estavam lindos. É claro que eu comprei quilos. Não sei se é questão da época ou se esses aí vieram importados de algum outro lugar. De qualquer maneira, façam votos de que eles tenham gostado da cidade e apareçam sempre por aqui.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Uvas, vinhos e bacalhau

A indústria de vinhos é poderosa por aqui. Várias vinícolas estão instaladas ao longo do rio São Francisco. Algumas delas vieram do sul (como é o caso da Miolo) e outras são de propriedade de grupos estrangeiros.

Esse é o caso da Rio Sol, que produz, ao que parece, os melhores vinhos da região. Segundo eu soube, eles já exportam para 20 países e também conquistaram uma parcela importante do mercado nacional. A empresa pertence a um grupo de portugueses e ocupa uma área de 2.000 hectares localizada a cerca de 70 Km de Petrolina. Lá trabalham 113 pessoas e estão plantadas 50 espécies diferentes de uva.

Com duas safras e meia por ano, temperatura alta de dia e baixa de noite, um sofisticado sistema de irrigação e colheitas semanais, a produtividade por aqui é recorde, e esses parecem ser os motivos que estão fazendo os gaúchos reclamarem e perderem mercado.

Maior região produtora de uvas do Brasil, a região do vale do São Francisco responde também por 90% da exportação brasileira da fruta para o exterior. E a Conab, segundo informações deles mesmos, está hoje com a atenção voltada para os produtores do sul, que não podem naufragar assim de uma hora para a outra, já que eles estão com imensas dificuldades para colocar os seus produtos no mercado.

Na Rio Sol, quatro enólogos portugueses se revezam ao longo do ano na fazenda Santa Maria (onde fica a produção) para garantir a qualidade do vinho que é produzido aqui. E, como uma coisa puxa a outra, para nossa sorte a esposa de um dos sócios portugueses da Rio Sol resolveu abrir um restaurante de comida típica portuguesa em Petrolina.

Com um cardápio formado apenas por receitas de bacalhau, sobremesas típicas portuguesas e vinhos da Rio Sol, o Maria Bonita é um lugar ótimo para se fazer uma refeição memorável. Comida excelente, preços bons e um ambiente agradável. Prometo que estará no roteiro gastronônimo de todos os próximos visitantes que resolverem me honrar com o privilégio da sua presença por aqui.

Campina Grande

Depois de quase um mês ausente, aqui estou eu de volta. Muita coisa aconteceu nesse período, e sobre elas estarei publicando nos próximos dias.

Estou escrevendo de Campina Grande, interior da Paraíba. Vim, juntamente com 11 alunos e outros dois professores, participar do Encontro Nacional dos Estudantes de Computação, onde fui convidado para ministrar um mini-curso.

Foram 10 horas de viagem de ônibus (da própria universidade) desde Petrolina. Uma viagem extremamente cansativa, em especial no trecho que passa por Sertânia e Monteiro, fazendo a ligação entre os estados de Pernambuco e Paraíba. Uma estrada péssima, cheia de buracos, onde não se consegue dirigir em linha reta por mais de 50 metros.

Campina Grande, para quem não sabe, é a segunda maior cidade da Paraíba, depois apenas da capital, João Pessoa. Eu, pessoalmente, fiquei encantado com a cidade. Campina Grande deveria ser tomada como exemplo por Petrolina.

A cidade é bonita e agradável de se olhar e de se passear. Ela é toda arborizada e limpa, as ruas são calçadas, o tráfego é organizado e as edificações bem apresentadas e arrumadas. Possui um comércio de rua atraente, com belas vitrines, e um shopping center bem arrumado e com boa diversificação de lojas. E o trânsito aparentemente flui bem também.

Na região central tem um lago muito agradável e outros parques igualmente interessantes povoam a cidade. Definitivamente dá vontade de sair por aí a pé, para conhecer melhor os seus recantos. E tem também uma vida cultural, como atesta um Festival de Inverno que está sendo realizado em diversos lugares da cidade. Entre outras atrações, orquestras e bandas sinfônicas, Naná Vasconcelos, Denise Stocklos e Cordel do Fogo Encantado.

Pode ser impresão de visitante que fica por pouco tempo na cidade, mas também os nativos parecem ser mais acessíveis, amistosos e simpáticos do que os de Jualina.

Campina Grande tem 370.000 habitantes, 100.000 a mais do que Petrolina. Será que esse é motivo de tanta diferença? Ou será que a proximidade do mar (130Km daqui) ainda faz tanta diferença nesse Brasil que historicamente se divide em dois: litoral e interior? Ou será que a existência de duas universidades públicas já consolidadas é que contribuiu para esse distanciamento entre as duas cidades?

É difícil saber, mas provavelmente todos esses fatores contribuíram de alguma forma para o resultado que se vê. Parabéns Campina Grande. Espero poder voltar mais vezes, a passeio, para curtir melhor o bom astral que se respira pelas ruas.

domingo, 29 de junho de 2008

Missa do Vaqueiro

Hoje foi o dia da Missa (ou Festa?) do Vaqueiro. O evento, realizado num terreno descampado na orla do rio, reuniu um bocado de gente. E um monte de vaqueiros também, muitos deles com as suas roupas típicas de couro. Uma missa tradicional, realizada pela sexagésima-primeira vez.

Muita gente na rua. E muitos cavalos também. Fiquei intrigado. Não sei de onde de repente apareceram tantos cavalos na cidade. Será que as pessoas guardam os seus cavalos na garagem de casa? Tava difícil de andar. Não só por causa da multidão, mas também por causa dos volumes abandonados no chão das ruas e das calçadas pelos bichinhos. Um perigo.

Por conta da festa, eu bati um recorde nesse final de semana. Ouvi forró hoje das 9:00 da manhã até às 17:00hs, sem interrupção. Em alto e bom som dentro de casa, naturalmente. Agora parou. Mas daqui a pouco começa a festinha da igreja. E mais forró. Ontem foi forró até meia-noite. Como se gosta de forró por aqui.

Ainda existe

Finalmente uma festa junina bacana de se ir. Nada de mega-produções, mau-gosto, música eletrônica ou barracas montadas especialmente para se atender os bêbados de plantão. Ao contrário.

Trio de sanfona, zabumba e triângulo, tocando de forma discreta e animada. Uma quadrilha imensa e super divertida. Comidinhas ótimas (milho, bolo de pé-de-moleque etc), gente vestida à caráter e brincadeiras típicas. Pessoas agradáveis e de bom astral. Legal mesmo. E para mim, melhor ainda: é só descer para a rua e já estou dentro da festa. Fui com o Edmundo (meu colega de Univasf e recém-chegado de Marília) e a esposa. Hoje vou de novo.

Acho que o São João que restou nos dias de hoje é esse. Festinhas de igreja ou nos sítios distantes de pessoas que ainda zelam pela tradição. Parece que em algumas cidades pequenas também ainda existe alguma coisa. Mas nas metrópoles, ou pelo menos nas "pretensas metrópoles", as festas oficiais são a expressão da maior e mais pura mediocridade. O negócio é ser "moderno". E tome Calypso, Gatinha Manhosa, Leonardo, Zezé de Camargo e Luciano e companhia.

sábado, 28 de junho de 2008

Arraiá Missionário com São Pedro

"Aos Paroquianos da Rainha dos Anjos

A Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Anjos realizará, no próximo dia 28 e 29 de junho/2008, o "Arraiá Missionário com São Pedro". É a grande festa junina das famílias católicas de nossa Paróquia que, em clima de congraçamento, promovem o "Arraiá Paroquiá", na praça ao lado da nossa Igreja Matriz.

Com esse evento, pretendemos além do encontro fraterno e amigo das famílias, arrecadar recursos financeiros destinados à manutenção do Templo e investimentos pastorais e missionários.

Portanto, solicitamos a V.Sra., presença e contribuições, elementos importantes para organização e sucesso da festa junina de nossa Paróquia.

Com os nossos agradecimentos,
Atenciosamente,
Pe. Francisco Augusto S. de Macedo
Reitor da Igreja Catedral e Administrador Paroquial"





Estão todos convidados.

domingo, 22 de junho de 2008

São Feriadão

Programa de feriadão: cuidar do Francisco (o gato do meu colega) de dia, matar mosquitos em casa de noite, assitir filmes na TV (vi um do Frtiz Lang ontem e outro da Bette Davis hoje), fazer ginástica na varanda enquanto ouço a missa da igreja ao lado, e escrever mais para o livro. Eu, que já tinha dado esse livro por encerrado quando cheguei aqui, não paro de ficar tendo novas idéias e de ficar escrevendo coisas novas e revendo coisas antigas. Tempo livre faz essas coisas com a gente...

Ontem resolvi dar uma passada lá no "Pátio do Forró", o local onde acontece a comemoração oficial do São João na cidade. Fiquei 10 minutos e fui embora. Tempo suficiente para ver que de São João só há o nome. Da comida que é vendida (churrasquinho de gato e mais nada. Pé de moleque, milho verde, essas coisas? Nem sonhar...) à música que é tocada (da pior espécie possível, anos-luz de distância daquela que associamos às festas juninas...), não há nem vestígio do São João que a gente aprendeu a reconhecer. A mediocridade grassa.

Amanhã eu vou conhecer uma ilha do rio que fica nas redondezas, com dois professores colegas meus. Dizem que é legal etc e tal. A "praia" da região. Depois eu conto.

Segunda e terça, naturalmente, são feriados por aqui. A festança vai até o domingo da semana que vem, com shows todas as noites. E na outra semana, para quem não acredita, tem mais um feriado: independência da Bahia. Outra oportunidade para eu continuar diminuindo a população de mosquitos da cidade. Ou para escrever uma nova seção para o livro que nem existe ainda.

sábado, 21 de junho de 2008

Oásis

Na segunda-feira, dia 16, foi inaugurada a loja do Makro em Petrolina. Ontem, dia 20, de noite, eu fui conhecer.

Fiquei perplexo. Não esperava encontrar nada parecido por aqui pelos próximos anos. É uma loja grande, moderna, com imensa variedade de produtos, tudo muito bem organizado e limpo. Diferente de tudo que existia até então por essas bandas. Minhas preces foram ouvidas!

Quando entrei na loja me senti como um cowboy do velho oeste americano que vê pela primeira vez uma locomotiva a vapor se aproximando da nova estação de trem da cidade. É a modernidade chegando. Se eu me senti assim, imagino como o restante da população deve ter se sentido. A loja estava lotada e as filas eram grandes.

Finalmente consegui comprar uma fatia de queijo provolone. Encontrei até macarrão italiano Barilla!! Preciso voltar com calma para poder conferir tudo, mas já sei que as condições de permanência aqui melhoraram, e muito.

Acho que os outros empresários do setor na cidade devem estar bem preocupados. Na minha modesta opinião, acho que não vai sobrar ninguém para contar história.

Infelizmente as frutas e as verduras não são diferentes das que a gente encontra nos demais lugares, mas isso também já seria pedir demais. Vamos aos poucos. Em compensação, encontrei muitos DVDs ótimos por apenas R$4,90 cada - Fassbinder, Fritz Lang, Jacques Tati e outros.

Dizem que as Lojas Americanas estão considerando retornar à cidade. Espero que o exemplo do Makro ajude-os a tomar uma decisão favorável rapidamente.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Arraiá do mosquito

Não sei como eu ainda não peguei dengue. Todas as noites eu sou mordido inúmeras vezes. A última coisa que eu me lembro todas as noites, antes de pegar no sono, é estar me coçando nos pés e nas mãos por causa de alguma picada. Nem o ventilador virado prá cama ou aquele aparelhinho que a gente põe na tomada estão resolvendo a parada.

A cidade não tem saneamento básico. Pessoas próximas contraem dengue. Terrenos baldios existem em toda esquina e não faltam poças de água para alimentar os bichanos. Até na margem do rio existe muita água parada.

Hoje a festa vai ser grande. É inauguração do São João "oficial" da cidade. A "música" (sim, eles chamam isso de música) já está num volume insuportável lá fora - e aqui dentro também, abafando o som da TV. E podem ter certeza: essa "música" não tem nada a ver, absolutamente nada, com o tipo de música que se costuma associar tradicionalmente ao São João.

Vai ser uma longa noite, com muita mordida de mosquitos e "música" alta até de madrugada. Eu sigo em frente, pagando os pecados passados e zerando as minhas dívidas com os "homens" lá de cima...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Rádio pela Internet

É uma grande invenção. Tenho curtido muito ligar o meu computador e poder "sintonizar" a Cultura FM de São Paulo. Ouvir as músicas que fazem a minha cabeça. As pessoas que falam do jeito que eu falo. Os assuntos que merecem ser discutidos. O jazz no final da noite. O programa do Almeida Prado de música contemporânea, e tantos outros que não eu não conseguiria esgotar nesse post. Enfim, o velho e bom banho diário de cultura que a gente se acostuma a ter e acaba até se esquecendo de agradecer por ele existir. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, eu agradeço à Cultura FM de São Paulo por ela existir. E por transmitir pela Internet.

E não pára por aí. Tem também a CBN-SP, a BandNews-SP e a Kiss FM. Nada como poder saber como está o tempo, o trânsito nas marginais, o tamanho do congestionamento na cidade no final do dia ou o engarrafamento da avenida Paulista. Ouvir a voz do Carlos Alberto Sardenberg, os comentários da Miriam Leitão e saber o que entra em cartaz no circuito cultural da cidade. Até o refrão das rádios é pura música para os meus ouvidos. Boas vibrações.

Thanks God!

domingo, 15 de junho de 2008

McBode

Antes que alguém pergunte: aqui não tem Kopenhagen. Aliás, tem um supermercado que vende chocolate na seção de frios, dentro de uma geladeira. Alguém consegue imaginar o motivo?

Não ter Kopenhagen é ruim, com certeza. Mas não ter McDonalds é ótimo. Acreditam nisso? Não tem McDonalds nem em Petrolina nem em Juazeiro!! Que delícia. Não achava que houvessem cidades no mundo que tivessem sido poupadas, mas encontrei logo duas. Meio milhão de habitantes e nem vestígio. Nem no shopping tem.

Mas as coisas mudam. Qualquer dia desses alguém abre uma franquia e, para ficar bem de acordo com o espírito da terra, vai colocar em destaque no cardápio a especialidade regional: McBode com saquinho de macaxeira frita. Vamos aguardar para ver.

Outro dia fui comer um "meio-bode" em Juazeiro. Tava bom, realmente. Meio bode para duas pessoas mais dois refrigerantes, tudo isso por dezesseis reais. Oito reais prá cada um. E o bode não era bode, era carneiro. Como na maioria dos restaurantes que são especializados em bode por aqui.

Vida social

Sexta-feira de noite: festa de São João da Assunivasf, a associação dos funcionários da Univasf. Boa oportunidade para estreitar as relações com os colegas de trabalho.

Sábado de noite: festa de aniversário de um ano do filho de um colega professor. Outra boa oportunidade para estreitar as relações com os colegas de trabalho.

Domingo: almoço na casa de um colega professor: uma bela macarronada, papos sobre São Paulo (ele e a mulher são de Marília e, como eu, também estão desbravando "Jualina") e sempre um pouco de conversa sobre o trabalho também.

Programa para o feriado de São João: cuidar do Francisco, o gatinho do meu colega professor que vai ficar sozinho enquanto ele viaja.

Não me queixo não. São pessoas legais e é bom conviver com elas. E também já não fico tão sozinho como nos primeiros tempos. Mas espero conseguir diversificar o meu círculo social nos próximos meses para além dos colegas de trabalho e dos gatos.

O reitor é uma pessoa que ainda me chama a atenção. Presente na festa da associação, ele veio até a minha mesa, conversou, perguntou como eu estava indo e ainda me convidou para dar uma passada na sala dele qualquer hora dessas. Parece ser um cara legal.

domingo, 8 de junho de 2008

Musicalidade

É raro o momento em que se pode estar em casa tranquilo, desfrutando da paz doméstica. Pelo menos aqui aonde eu moro, o ar está quase que permanentemente contaminado com ruídos oriundos das caixas de som espalhadas nas ruas pelos festeiros, pelos ambulantes, pelos botequeiros, pelos automóveis e pelos desocupados que não tem nada para fazer na vida a não ser infernizar a vida dos outros.

Sempre tem um "tum-tum-tum", uma batucada, um forró, alguma voz estridente, alguém exalando para as redondezas um som que penetra por baixo das portas, que atravessa as paredes e que te faz lembrar que a mediocridade domina o entorno.

No último domingo foi pior. Das 17 às 20hs eu tive que aturar um carnaval (ou forró?) fora de época aqui na vizinhança. Parecia que estavam todos - trio elétrico, caixas de som, gente histérica - dentro da minha sala. Para poder acabar de corrigir umas provas eu precisei ir para a universidade. Voltei para casa só depois da meia-noite.

Na terça-feira eu cheguei de viagem uma hora da manhã, depois de passar o dia no Recife. E entro em casa escutando, em alto e bom som, Asa Branca, do Luiz Gonzaga. Outro carnaval (ou forró?). Em plena madrugada de terça para quarta-feira. Liguei para a polícia, é óbvio, e escutei como resposta que, além de autorizado pela prefeitura, o evento iria até às seis horas da manhã. Se eu não estivesse satisfeito, que reclamasse com a promotoria.

Quer sossego? Vem morar aqui. Gosta de festa e não tem que trabalhar no dia seguinte? É aqui também.

sábado, 31 de maio de 2008

Vida cultural

Uma rápida passada de olhos nos cartazes afixados nas ruas da cidade revela as próximas atrações:

  • Léo Magalhães (alguém conhece?)
  • Pastor Silas Malafaia (com Jairinho e Eyshila)
  • São João do Pernalonga
  • Alcymar Monteiro
  • Tayrone Cigano (o rei do "arrocha romântico")

Estão aí as opções do momento, agora é só escolher e aproveitar.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Genésio

- Alô?
- Pois não.
- É de 3861.0555?
- Sim, pois não...
- Eu queria falar com o Genésio.
- Hum... aqui não tem nenhum Genésio...
- Não tem Genésio?
- Não tem.
- Genésio... ? Genésio???
- ...
- Genésio!!
- Quer saber? Vá prá P.Q.P.!! E leve o Genésio junto!
- ...

Thanks to rai (also known as oi, ex-telesea)

Engraçadinhos de plantão: esse assunto é sério, ok?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Limão azedo

Vejam também:

http://jornaldolimaoazedo.blogspot.com/

É o blog do Leo.

Inter-estadual

Já que os meus apelos por companhia no feriado de Corpus Christi não produziram resultado, eu vou tentar começar a campanha do próximo feriado mais cedo.

Junho é mês de São João e, para quem não sabe o que é o São João nessas bandas, eu aviso logo que se trata de uma festa comparável, em termos de grandiosidade e impacto social, ao próprio Carnaval.

Portanto, as inscrições estão novamente abertas. Por favor, não me deixem de novo em casa, trabalhando e estudando durante os 4 dias do feriadão.

E para quem já está ficando desconfiado dessa profusão de feriados, eu posso esclarecer a questão rapidamente. Como se trata de uma instituição federal "regional" (parece que é a primeira do Brasil com essa característica), e não vinculada a algum estado ou cidade, a Universidade Federal do Vale do São Francisco abrange, por enquanto, 3 cidades em 3 estados diferentes (Pernambuco, Piauí e Bahia).

Conseqüência? Qualquer feriado em qualquer uma dessas 3 cidades ou desses 3 estados resulta numa paralisação completa da universidade. Tem a padroeira de lá, a padroeira de cá, e assim por diante. O Corpus Christi, por exemplo, é feriado na Bahia, e não em Pernambuco. Já o São João é o contrário. Na dúvida, paramos em todos eles.

Deve ser o sonho de muita gente. Deve ter alguma vantagem também, em ser uma instituição multi-estadual. Mas, sem dúvida, por enquanto a característica mais marcante dessa "novidade" ainda me parece ser a questão dos feriados. A conferir.

Eu só imagino se um dia criarem a Universidade Federal do Brasil, com abrangência nacional. Acho que não vai ter dia letivo sobrando nem para ministrar a aula inaugural...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Buemba buemba!

Deu no noticiário da TV: temperatura esfria e lojistas, felizes, vendem todo seu estoque de malhas, casacos e botas. Não adianta procurar que não tem mais. É o inverno assolando o sertão...

Não vejo a hora de ir dar uma volta no calçadão (orla) qualquer hora dessas, de short e camiseta, e me deparar com essas figuras encapotadas que devem parecer verdadeiros ETs invadindo Petroland. Vou me divertir um bocado.

Eu, da minha parte, estou pensando em reduzir a velocidade do meu ventilador noturno de 3 para 2, e, naturalmente, quando o inverno rigoroso chegar de vez, usar uma camiseta ou um lençol para dormir. Bem entendido: um OU o outro.

O noticiário daqui é sempre muito esclarecedor. Outro dia, por exemplo, eu vi na TV uma outra entrevista em que um produtor de frutas confirmava, descaradamente, aquilo que eu já suspeitava: como a safra desse ano não foi boa, e o produto não atingiu a qualidada mínima para exportação, então a mercadoria está sendo escoada no mercado local.

Ou seja: se a safra é boa, ninguém daqui consegue ver. Se é ruim, pode levar à vontade. Please! Alguém pode me mandar um melão, um abacaxi, umas uvas e uma boa manga aí de São Paulo? As botas e os casacos podem ficar aí mesmo. Eu trouxe as minhas para cá.

domingo, 18 de maio de 2008

Driving in Petroland

A companhia de trânsito de Petrolina vai fazer campanha para educar os pedestres da cidade, pedindo que eles respeitem os motoristas. É isso mesmo. Após inúmeras campanhas voltadas apenas para os motoristas, agora é consenso que os pedestres é que precisam receber educação de trânsito, em prol do bem estar geral. Mas o problema não é exatamente falta de educação, e sim excesso de confiança.

Eu bem que já havia notado algumas coisas estranhas. Por exemplo, o risco de se atropelar um pedestre por aqui é altíssimo. O motivo? É que eles são tão confiantes na "educação" dos motoristas, que ninguém pára para olhar dos lados antes de atravessar uma rua. Eles se jogam, destemidos, do meio-fio para o asfalto, bem na sua frente, e você que se vire. Até parece Europa ou EUA, mas aqui a coisa chegou num ponto que está merecendo a atenção das autoridades.

Eu mesmo achava que, tendo saído da era dos carros de boi, talvez os pedestres daqui ainda não tivessem atentado para o perigo que um automóvel pode representar. Mas que nada. Foi detectado que essa atitude decorre mesmo é do excesso de confiança dos pedestres nas campanhas anteriores voltadas apenas aos motoristas, e pedindo, naturalmente, cuidado com os pedestres.

Por outro lado, falta campanha para que o motorista respeite o seu semelhante. Outro dia, depois de 30 minutos andando em passo de tartaruga, esperando a minha vez para subir na ponte, um nativo encostou do meu lado e, todo alegre, com o polegar voltado para cima, pediu para entrar na minha frente, furando a fila. Eu falei que não, é claro, e mandei ele ir para o final da fila como tudo mundo. Resultado: ele me chamou de mal-educado, me falou um bocado de palavrões e, naturalmente, ainda jogou o carro na minha frente quase provocando um acidente. Acidentes desse tipo, aliás, eu soube que são bem comuns por aqui. Cabra-macho is another thing.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Feriadão à vista

Semana que vem, mais quatro dias... =(

Ninguém aí se anima a aparecer por essas bandas e fazer companhia para um paulista em Petrolina?

Prometo que eu levo prá comer bode no Bodódromo (leiam o comentário do Ari sobre o assunto, no post "Ameno", é muito esclarecedor), prá fazer compras no River Shopping, prá andar de barquinho no San Francisco River e prá fazer um city-tour em Juazeiro. Prá missa eu não levo, mas também não preciso levar. É só estar dentro de casa na hora em que ela começar.

As inscrições estão abertas. Candidatos(as)?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Rotina

De dia: acordar e tomar café da manhã assistindo a Ana Maria Braga. Trabalhar dando aulas ou participando de reuniões. De noite: comer alguma coisa em casa, ver o Jornal Nacional, fazer ginástica, estudar, ver algum seriado do DVD (Hawaii 5.0, Intocáveis, Sete Palmos ou Família Adams), ler um livro e dormir. Já ia esquecendo: quando o telefone toca, conversar com alguém. Nos feriados e finais de semana, os programas da noite ocupam dia e noite.

Vida pacata

Quanto tempo você leva para percorrer um trecho de 3,5Km de carro? Aqui eu levo quase uma hora e meia, e essa é a distância que separa minha casa do meu trabalho. Tudo por causa da ponte que separa essas duas princesas do sertão, Petrolina e Juazeiro. Ponte velha, mal conservada, e agora em obras, provavelmente construída numa época em que não mais do que uns carros de boi iam de um lado para o outro de vez em quando. Hoje o trânsito é intenso, especialmente de caminhões, e o resultado é esse. Tudo parado. Filas intermináveis. Prá nenhum paulista sentir saudades de casa.

É claro que fora do horário do "rush" a coisa não é tão ruim assim. Nesses horários em vou em 5 minutos. Só que o "rush" aqui vai das 7:00 às 10:00hs e das 17:00 às 20:00hs. Resultado: invente algo para fazer e fique até mais tarde no trabalho diariamente. Só não ligue o rádio do carro para ouvir música ou as últimas notícias do mundo enquanto você espera chegar a sua vez no trânsito. Pode ser que, quando quando ela chegar, você resolva parar o carro e se jogar de cima da ponte, com carro e tudo.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ameno

Ouvi dizer que o diabo, quando está transportando as pessoas para o inferno, costuma fazer uma escala em Petrolina. É para as pessoas irem se acostumando com o clima...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Povo musical

Aqui, como em Recife, as pessoas tem som no carro não para si próprias, mas sim para os outros. É incrível a quantidade de carros que são trios elétricos ambulantes. São carros "normais", mas que, quando abrem o porta-malas, deixam à mostra poderosas caixas de som que, voltadas para fora, exalam "música" da pior espécie possível, em volumes insuportáveis.

Como são ambulantes, esses "disc-jóqueis" podem estacionar em qualquer lugar, e infernizar a vida das pessoas ao redor delas com a maior facilidade. Ou então simplesmente ficar dando voltas no quarteirão e assim obter o mesmo resultado. Ouvir música deixou de ser o barato. O barato agora é incomodar os outros, e quanto mais melhor.

Placas

Além da sinalização normal de ruas, bairros e lugares mais importantes, como escolas e hospitais, a cidade é repleta de placas para lugares mais distantes. Indicações sobre chegar em Recife, Salvador, Fortaleza e Teresina estão em todo lugar. Dá até a impressão que se você dobrar uma esquina ou for até o final de uma avenida você chega num lugar desses. Talvez até chegue, mas depois de rodar algo entre 500 e 800 Km...

sábado, 3 de maio de 2008

Feriadão

Novos progressos: já liguei a TV e matei saudades do William Bonner e da Fátima Bernardes. Já tenho uma cama para dormir. Já consigo deixar alguma coisa na geladeira. Comprei meu primeiro pé de alface. Ainda faltam o fogão, o microondas, a lavadora de roupas, o som, a Internet etc.

Quatro dias de feriado e quatro dias de uma rotina invariável: arrastar e abrir caixas, empurrar coisas pela casa, trabalhar no computador, ver TV (fica ligada na Globo o tempo todo, a única que pega, assim pelo menos eu me sinto "acompanhado"), assitir DVDs, fazer exercícios (sim, fiz da minha varanda a minha academia), ler, comer e dormir. Só falta encontrar gente pela frente. Pelo que vi, não vou poder contar muito com o pessoal da universidade, que são todos novos e recém-casados com filhos pequenos. Quando chega no final de semana ou num feriadão, cada um vai para a sua toca e lá fica.

O "shopping" fica cheio de gente, mas a maioria de adolescentes. De noite até que se ouve falar num forró aqui, um baile ali etc, mas confesso que ainda não me animei. Alguém quer ir conhecer comigo?

P.S. No shopping tem um restaurante que serve uma apetitosa "sopa de bode". Ideal para tormar depois de um forró, antes de ir dormir...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lar doce lar

Quarto 1:
Quarto 2:
Quarto 3: Sala: Cozinha:

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sites

Meu novo site:
http://www.univasf.edu.br/~marcus.ramos/

O de fotografia continua, é claro. Repaginado e com muitas novidades:
http://www.marcusramos.com/

By the river

Clique para ampliar:

Graças ao Google Earth.

Progressos

A mudança chegou. Já tenho Internet na minha mesa no trabalho. Meu telefone (87-3861.0555) está funcionando, pelo menos para receber ligações. E o carro continua andando... =)

Quatro trogloditas semi-bêbados arfando durante quatro horas seguidas para conseguir despejar as minhas coisas depois de atravessar seis lances de uma escada estreita. Foi parada dura, mas pelo menos agora já está tudo lá. É claro que o cenário é desolador, pois só se vê pilhas de caixas de papelão e plástico bolha. Mas sei que, quando a disposição permitir, eu vou acabar encontrando as coisas que preciso.

A primeira coisa que eu vou desembrulhar vai ser a cama, com certeza. Depois de cinco noites de "tratamento", a coluna e os demais ossos já se consideram "curados". Também vou poder ligar a TV e receber sinais da civilização. Ver um filme. Ouvir música, usar a geladeira e o microondas. Que bom!

Sabem qual é a diferença entre um padre que canta um cachorro que late? É que pelo menos o padre pára depois de uma hora. O cachorro, quem sabe?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Esperando Godot

Sábado eu ainda me ocupei com a mudança do hotel para o apartamento. Mas domingo e segunda-feira, enquanto eu esperava a mudança de São Paulo, que não chegava (aliás ainda não chegou e nem sei quando vai chegar ...), o jeito foi sentar prá trabalhar (no chão, encostado na parede) e tentar produzir alguma coisa. Até que deu prá fazer bastante coisa, dadas as circunstâncias. Pelo menos hoje eu recebi o carro do mecânico, isso já foi um alento.

Segundo dia de almoço na escola. Como a empadinha tinha acabado (é claro, a única que coisa que prestava tinha que acabar logo mesmo), eu tive que encarar a coxinha. No final de semana eu resolvi agir: fui ao supermercado e decidi preparar a minha própria salada, sem depender de ninguém. Era só comprar os ingredientes: pelo menos um pé de alface e uns tomates. Acha que eu consegui? Consegui salvar uns pepinos e olhe lá. O restante, acho que nem os mendigos iriam querer. De qualquer forma valeu, eles (os pepinos) foram o meu jantar de hoje.

Passei o feriadão absolutamente sozinho. Durante o dia, na universidade, eu vejo poucas pessoas e converso com menos ainda. De noite, eu não vejo ninguém e não falo com ninguém. Sinto falta do contato com as pessoas.

Como eu ainda não tenho cama, tive que improvisar com um colchonete de 5cm de altura que eu comprei no shopping. Ontem, a minha terça noite nele, não foi fácil. Os ossos já sabem que tem chão duro logo ali e a reclamação começa assim que eu me deito. Hoje será a quarta noite. Espero que a minha cama chegue logo.

Eu continuo sem Internet em casa e também no trabalho. O telefone (87-3861.0555) está instalado, mas eu ainda não consegui achar um adaptador de tomada para poder ligar o aparelho. Tenho saudades de tudo e de todos.

domingo, 20 de abril de 2008

Primeira noite em casa

Mudei ontem. Contratei uma pickup e fiz a mudança do hotel para o apartamento. Mais uma. Pequena, mas mudança. Contrariando as expectativas, a mudança principal, que vem de SP, não chegou. Talvez chegue na segunda. E o carro também não ficou pronto. Talvez fique na terça. Moral da história: eu estou num apartamento (praticamente) vazio, sem TV, sem telefone, sem Internet, sem carro e sem ninguém conhecido por perto. Vão ser três dias divertidos.

O vizinho de baixo tem um cachorrinho muito simpático e cheio de vitalidade. Ele é muito falante e tem um lindo timbre de voz. Ele possui muitos amigos na vizinhança e está sempre disposto a um bom papo, não importa o horário. Não vejo a hora de conhecê-lo pessoalmente e, se possível, desfrutar de alguns momentos a sós com ele.

Não se compara, no entanto, com a alegria dos fiéis e do padre na missa do sábado à noite e nas missas do domingo de manhã. Parece que temos aqui um padre musical, que conta com um grupo de fiéis que adora soltar o pulmão logo cedo. A voz do padre nem é tão forte, assim como o acompanhamento do violão, mas, como eles precisam se sobressair no coral dos fiéis, é natural que sejam amplificados por poderosas caixas de som. Quando olhei o relógio pela primeira vez eram 6 horas da manhã, mas creio que a primeira missa deve ter começado antes, lá pelas 5 horas. Vou ficar aguardando ansiosamente pelas próximas.

Hoje será minha segunda noite no apartamento, e sinto que terei que tomar as providências para lidar melhor com aqueles pernilongos que nos fazem companhia e sussurram em nosso ouvido durante toda a noite: comprei ventilador, inseticida etc. De qualquer forma, espero que eles estejam vindo diretamente do rio, e não façam escala prévia na casa de alguém com dengue.

Ontem eu almocei num restaurante chinês no shopping, e depois jantei na "Francesco Pizzaria", na orla do San Francisco River. Prometo que não levarei ninguém para conhecer nenhum desses dois lugares.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Fotos

Iguaria regional...

Fotos

New house...

Atravessando a rua...

No final da rua...


Fotos

Embarcando em Petrolina...

Desembarcando em Juazeiro...

Equipe de boas-vindas em terra...

Caminho da roça...


Só notícia boa

1) O carro só vai ficar pronto amanhã de tarde. Justamente agora que eu mais precisava dele para poder me mudar no sábado. E a peça que pifou é a mesma que foi trocada há 10 dias em Recife. Ou seja, tem alguma outra coisa que ninguém consegue descobrir e eu vou acabar ficando na mão de novo qualquer hora dessas.

2) Hoje eu fui conhecer a cantina da universidade na hora do almoço. Com a maior boa vontade do mundo, a única coisa que eu consegui mandar prá baixo foi uma empadinha. Dizem que do lado de fora tem um restaurante que faz um "meio bode" muito bom. Esse assunto já está me tirando do sério.

3) Por causa das restrições ao crédito que existem em meu nome, a companhia telefônica daqui se recusa a instalar a Internet no apartamento que eu aluguei. Tudo que eu consegui foi um telefone que só faz ligação para aparelho fixo em Petrolina e Juazeiro. Isso quer dizer que vou ficar sem email, rádio, notícias, compras, Skype, MSN e até trabalho, depois das 18hs, que é quando eu saio da escola. Era tudo que eu precisava.

O número é (87) 3861.0555. A partir de amanhã.

P.S. Amanhã tem show do "Shaolin" na cidade. Alguém tem alguma referência?

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Dito e feito

O carro apagou de vez e teve que ser rebocado para um mecânico. Depois de tanta manutenção, e de tantas peças trocadas nos últimos meses, acho que agora só falta trocar os bancos. Deve ser esse o motivo. De qualquer forma, espero não passar a pé esse feriadão.

Jornal do Recife só chega nas bancas depois das 13:00hs. Jornal de São Paulo ou do Rio, nem antes nem depois das 13:00hs. Do meio-dia às duas nada funciona. O comércio baixa as portas, vai almoçar em casa e depois tira a siesta. Tava querendo aproveitar a hora do almoço para resolver umas coisas? Sorry...

Preparativos para ocupar o novo apartamento. Já estou com as chaves, mas precisei deixar com o homem que vai pintar uma parede na varanda. Pelo menos vou conseguir me livrar do amarelo-pintinho. Espero que o caminhão chegue mesmo no sábado, assim posso me "divertir" no domingo e na segunda, movendo caixas de um lado para o outro. Alguém aí está sem programa para o feriadão?