sábado, 24 de outubro de 2009

Ascebolado (divagações gastronômicas)

Se, num mesmo cardápio, são oferecidas, entre outras opções:
  • Filé de tilápia acebolado, e
  • Fígado "assebolado" (as aspas são minhas),

você logo imagina que:

  1. A pessoa que digitou o cardápio naturalmente se enganou. O correto seria "fígado acebolado", e não "fígado assebolado";
  2. A pessoa que digitou o cardápio NÃO se enganou. O filé de tilápia é servido COM cebola e o fígado é preparado SEM cebola, especialmente para os fregueses que não suportam essa hortaliça. Naturalmente, caso queira, o freguês pode também pedir o filé de tilápia "assebolado" ou ainda o fígado "acebolado";
  3. Na dúvida entre "acebolado" e "assebolado", a pessoa que digitou o cardápio resolveu tentar as duas opções e assim garantir pelo menos uma média 5, suficiente para aprovação em muitas escolas;
  4. É óbvio que o cardápio foi digitado por duas pessoas diferentes, com convicções diferentes sobre o mesmo assunto.

De qualquer forma, foi lá (no Restaurante Piracema, Atrás da Banca, ao lado do Bompreço) que eu comi a primeira linguiça de peixe da minha vida. Apesar de não ter gosto de peixe, ela é saborosa, muito mais saudável do que a linguiça tradicional e, já que estamos falando do assunto, é servida "acebolada".

Essa história me lembra aquela outra, em que o garçom, ao ser consultado pelo cliente sobre a grafia correta de R$60,00 - sessenta, secenta, seçenta, sescenta... -, para preencher o cheque de pagamento da conta, recebe como resposta: "Não se preocupe, pode fazer dois cheques de R$30,00 mesmo"...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Passando mal

Em casa, na rua, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, com ventilador, sem ventilador...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tourist Information 11 - Pindobaçu e Carnaíba

Indo pela estrada que vai de Petrolina até Salvador, são cerca de 120km até Senhor do Bonfim e depois outros 17km até Antônio Gonçalves. Lá, é possível fazer um "circular", um caminho de cerca de 100km de comprimento, a maior parte de terra, que parte e chega nessa mesma cidade, passando por Pindobaçu, Carnaíba, Brejão da Grota, Santo Antônio, Poços e Campo Formoso. Foi por essas bandas que eu andei nesse último final de semana/feriado em companhia do Ricardo Ramos, amigo e também professor.

Pindobaçu serviu apenas como dormitório e base para o passeio até Carnaíba. Para chegar lá, deve-se seguir pela estrada de asfalto e, depois de Pindobaçu, avançar por outros 7km e entrar à direita, numa estrada de terra. Essa estrada segue ao largo de uma represa e depois um rio, revelando lugares paradisíacos e paisagens de extrema beleza. Feita para regular o abastecimento de água das cidades da região, o entorno da represa é forrado por uma vegetação verde e exuberante, que em nada lembra o sertão, a seca ou coisas do gênero. Ninguém diria, pelo visual, que não se estaria no interior de Minas ou de São Paulo.

Depois da represa, dos rios que a formam e da ponte, finalmente chegamos em Carnaíba, um pequeno distrito que é dividido em Carnaíba de Baixo e Carnaíba de Cima, este último no alto de uma serra. Confesso que achei o lugar um pouco estranho, especialmente a Carnaíba de Cima, pois a região é explorada pelo garimpo e, consequentemente, o "astral" do lugar é típico dos locais com esse tipo de atividade econômica: um misto de sertão com faroeste, comércio improvisado, pessoas amontoadas em ruas estreitas e uma certa tensão no ar. Fora isso, o clima é londrino (sim, as nuvens, a garoa, a elevada umidade do ar e até um certo friozinho foram companheiras durante dois dias inteiros), a paisagem é de montanha e as vaquinhas estão por todo parte, felizes com tanto pasto e tanta água para preencher as suas vidas.

A principal atração de Carnaíba são as minas de exploração de esmeraldas. Nelas, pessoas de todas as idades (crianças, adultos, homens e mulheres, idosos etc) passam o dia quebrando as pedras que rejeitadas pelas escavações das grandes mineradoras, em busca da sorte grande. Numa dessas minas, chamadas "serviços" pelos locais, as pedras são quebradas e lavadas para, apenas depois, o olho clínico do garimpeiro determinar se ali existe algo de valor ou não. Consta que vários serviços existem nessa região, mas como era domingo conseguimos ver apenas um funcionando. Consta, também, que durante a semana o comércio de pedras na vila é intenso, sendo que os principais clientes vem da Índia.

Na Carnaíba de Baixo a vida corre, aparentemente, mais pacata. Ao longo da estrada um bode assitia, compenetradíssimo, a uma partida de futebol entre crianças. Parecia mesmo final de Copa do Mundo e eu, é claro, não pude fazer outra coisa, depois de ser exposto a um presente desses, que não fosse sacar a minha máquina fotográfica e registrar imediatamente o episódio surrealista. O resultado você confere aqui.

Garimpo e paisagem são os atrativos para visitar a região. É impressionante como, numa distância tão pequena de Petrolina e Juazeiro, a paisagem e o clima podem se modificar tão radicalmente em relação àquela que é típica do sertão. Não é à toa que o local é conhecido como o oásis do sertão. Sabe-se que cachoeiras e trilhas também estão por ali, esperando pelos turistas aventureiros. Temos, portanto, um bom potencial turístico para ser explorado nessa região também.

Depois disso foi apenas estrada de terra até Antônio Gonçalves, e depois asfalto até Campo Formoso e Senhor do Bonfim, completando assim o "circular". No meio do caminho, uma parada para ver a feira livre e comprar umas frutas em Poços. A tentação de comprar uma cabritinha bonitinha de 3 semanas de idade por apenas R$10,00 foi grande, mas felizmente a razão prevaleceu sobre a emoção.

Com tudo isso, fica a vontade de voltar lá mais uma vez, dessa vez para ver tudo debaixo do céu azul e sol forte, para ver o comércio e as demais minas de esmeraldas e para explorar as trilhas e cachoeiras da região.

As fotos estarão disponíveis em breve.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

Maracatús

Com algum atraso, finalmente eu disponibilizo uma edição das fotos da concentração de maracatús do Carnaval 2009 no Recife Antigo, conforme prometido numa postagem anterior. Para ver, é só clicar aqui.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Plugado

Dormir é uma experiência normalmente associada à economia e à reposição de energia do nosso corpo, entre outras coisas. Mas, no calor do alto sertão, é também uma experiência vinculada ao gasto de energia: da energia elétrica que sai das tomadas das paredes do seu quarto.

Eu, pelo menos, já não dispenso os meus apetrechos elétricos de sobrevivência noturna funcionando por horas à fio, ao redor da minha cama, todos os dias: ventilador, espanta muriçoca e umidificador de ar.

E, se você quiser, pode ainda adicionar à lista o aparelho de ar-condicionado. Outro dia, olhando para os lados, eu me senti (exageros à parte) mais ou menos como esse sujeito da foto: plugado para garantir a sobrevivência.

Há um certo alívio, mas o resultado nem sempre é garantido.