terça-feira, 31 de agosto de 2010

Orquestra Opus 68

A história deles é recente e ousada: montar uma orquestra sinfônica no sertão nordestino, contando com poucos recursos e infraestrutura. Mas a vontade e o trabalho são grandes, e a Orquestra 68 do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão, campus Petrolina, conta agora com uma iniciativa pioneira e louvável sob todos os aspectos.

Tendo como ponto de partida a dedicação e a persistência do maestro Ozenir Luciano, seu regente e principal educador, a orquestra começou as poucos, reunindo alunos com interesse em música. Pelo que eu sei, o trabalho começou na base mesmo, ensinando os fundamentos da música e dos instrumentos para esses alunos igualmente ousados, curiosos e dedicados. Vale lembrar que o IF não possui curso de música, e que todos eles são alunos regulares dos demais cursos da instituição (química, enologia etc).

Eu assisti a Orquestra Opus 68 pela primeira vez na Festa do Tamarindo, em Caboclo, em agosto de 2009. Depois disso foi na comemoração de 30 anos da Tenda Galeria de Arte e finalmente na inauguração do Complexo Multieventos da UNIVASF. De lá para cá, a agenda deles vem sendo cada vez mais demandada e hoje eles são presença obrigatória em eventos e solenidades onde a elegância, o bom gosto e a sofisticação precisam estar presentes. Musicalmente (tanto do ponto de vista da técnica quanto do repertório) também se percebe evolução a cada novo concerto, e por isso é sempre um prazer poder assistir às suas apresentações.

As imagens que eu mostro dessa vez são da apresentação realizada no último sábado, dia 28/08/2010, durante as comemorações da Festa do Tamarindo em Caboclo, no município de Afrânio. Vejam as fotos e prestigiem a nossa orquestra, o nosso maestro e os nossos músicos!

As fotos: http://www.marcusramos.com.br/opus68/.

domingo, 29 de agosto de 2010

Tourist Information 17 - Bar e Bode Assado Chico de Rosa

Responda rápido: qual é o restaurante onde você almoça ao ar livre, tão livre e tão inserido na natureza, que camalões, papagaios, cabeças-vemelhas, siriemas, bois, galos e porcos circulam soltos ou estão bem próximos da sua mesa?

Se você respondeu Bar e Bode Assado Chico de Rosa, acertou. Se não respondeu, está perdendo o mais macio e saboroso carneiro de toda a região, entre outras iguarias muito bem preparadas e servidas pelo seu Chico e família. Eu me servi também do feijão tropeiro e da linguiça, que estavam absolutamente especiais. Mas a fartura trouxe ainda a buchada de bode (para quem gosta) e um frango que eu acabei não experimentando.

Seu Chico, avô com sombrancelhas e bigode escuros que chamam a atenção, vive e trabalha nesse restarante rústico com a família, que fica no meio do mato numa espécie de sítio localizado entre Afrânio (~110Km de Petrolina) e Dormentes. Para chegar lá, deve-se dirigir por cerca de 20 Km pelo asfalto a partir de Caboclo (distrito de Afrânio), e depois entrar à direita numa estrada de terra. Depois de uns 2Km de poeira o restaurante deve aparecer à sua direita.

Escolha uma boa sombra de uma das várias árvores de existem no local, coloque a sua mesa no chão de terra, se posicione de frente para a vista do sertão, curta o vento no rosto, encomende a cerveja gelada e deixe o seu Chico cuidar do resto enquanto ele esbanja simpatia para os fregueses/visitantes. Visitantes sim, porque é difícil você não se sentir mais do que um mero cliente nesse lugar. E se você ainda tiver a sorte de ter músicos equipados e inspirados na sua mesa, a ambientação vai estar completa e o prazer desse momento vai ficar para sempre na lembrança.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Fotos do Concurso de Quadrilhas da TV Grande Rio

Dessa vez até que não demorou tanto. Passados apenas pouco mais de dois meses, eu já consegui editar e tratar as imagens do Concurso de Quadrilhas promovido pela TV Grande Rio no SEST/SENAT de Petrolina no dia 22 de junho passado.

Sinto-me feliz em poder compartilhar esse trabalho com vocês. Como eu disse na postagem original, o espetáculo foi maravilhoso e eu senti ao mesmo tempo um grande prazer e uma forte emoção por poder estar ali acompanhando tudo de perto. Quem estava lá, vai poder matar as saudades e reviver as emoções da noite. Quem não esteve, talvez entenda melhor o tom do meu texto anterior e se motive para estar presente na próxima edição do concurso.

Espero, portanto, que as minhas imagens consigam transmitir um pouco dessa experiência. Além disso, aproveito para dedicar o meu trabalho aos fantásticos dançarinos, dançarinas, coreógrafos e coreógrafas que conceberam e realizaram esse espetáculo com tanta competência, energia e animação.

Aqui estão as imagens: http://www.marcusramos.com.br/concursotvgranderio/.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Raiz e Remix

Depois do Aldeia do Velho Chico, acontece nesse próximo final de semana o Raiz e Remix 2010, evento cultural que reune música, cinema, fotografia, artesanato e culinária no Parque Josefa Coelho. Não conheço todos que irão se apresentar, mas só o Samba de Véio, a Isaar e os Matingueiros mais do que justificam a ida.

Eu e outros fotógrafos da região estaremos expondo algumas imagens no chamado "Cordel Fotográfico". Para acessar a programação completa do evento, clique na imagem acima ou no link http://www.raizeremix.com.br/.

Outras opções para o final de semana são a Festa do Tamarindo em Caboclo (distrito de Afrânio, distante cerca de 120Km de Petrolina) ou então um outro candomblé que vai acontecer em Petrolina no sábado de noite, dessa vez na casa do irmão do Pai Adilson. Diversão não vai faltar.

Candomblé do Pai Adilson

Era prá ser uma segunda-feira como outra qualquer, descansando em casa e curtindo as aventuras de Charlie, Alan e Jake (de Two and a Half Men) na TV. Mas o convite para assistir um ritual de candomblé no terreiro do Pai Adilson, no centro de Petrolina, trouxe muito mais conteúdo, cultura e emoção para esse início de semana.

Reunidos para uma celebração conjunta, babalorixás de toda a região (Petrolina, Juazeiro, Serra Talhada etc) se encontraram na noite de ontem para uma grande festa comandada pelo Pai Adilson, na casa desse último. Acompanhados por dois percussionistas de grande competência, que executaram os seus atabaques com muito ritmo e energia do começo ao fim, a festa teve a presença de figuras que eu nem me atrevo a nomear, já que eu não conheço o candomblé, mas entre as quais eu pude reconhecer pais-de-santo, baianas e uma figura estranha, coberta de palha da cabeça aos pés e que não mostrou o rosto em momento algum.

Havia também uma pequena platéia assistindo o ritual, mas ela era bem pequena, provavelmente formada apenas por pessoas próximas do grupo, nessa que foi uma celebração genuína do candomblé regional. Eu, que nunca tinha assistido nada parecido, fui muito bem recebido por todos e vibrei com a música, a dança, a energia, o astral, o misticismo e a magia dessa noite cheia de fluidos. Ao longo de várias horas de atividades, que transcorreram da forma mais prazeirosa possível, eu pude presenciar um ritual pulsante e magnético, com os participantes muito bem vestidos e exalando concentração, carisma e simpatia.

Naturalmente, eu aproveitei bem a autorização para fazer os meus cliques. No começo de forma mais reservada e distante, mas depois já bem à vontade e quase integrado ao grupo que começou com movimentos lentos e foi evoluindo para uma dança frenética, bonita e contagiante. Quando parecia que nada de novo iria acontecer, eis que, já de madrugada, um verdadeiro banquete foi montado no centro do terreiro e aí a coisa seguiu em frente à luz de velas.

E foi nesse momento que eu, de mero espectador, passei a me sentir mais integrado ao grupo quando uma das baianas me serviu uma refeição completa, com quitutes de primeira. Nesse instante eu precisei dar um descanso para a máquina fotográfica, a fim de poder explorar melhor a variedade de cores e sabores que me foram servidos numa folha verde grande e grossa que servia como prato. Eu me deliciei com um bolinho, uma farofa e um acarajé, mas não tive energia para dar conta de toda a fartura que me foi servida. Antes do jantar, eu já tinha passado por outra experiência inédita ao tomar um banho de pipoca ministrado pelo próprio Pai Adilson.

O resultado foi uma noite com poucas horas de sono, mas largamente compensada pelo show de música, dança, cultura, culinária e religiosidade que carregaram as baterias desse paulista que até imaginava que algum dia ainda poderia assistir algo do tipo, mas apenas do lado de lá do rio - nunca desse lado. Gostei, recomendo e pretendo ir mais vezes. Salve o Pai Adilson e todos os demais participantes da festa!

domingo, 22 de agosto de 2010

Cores e barcos

Quando o sol se despede, as cores ficam saturadas e os barquinhos na orla do rio São Francisco em Petrolina parecem possuir luz própria...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Resultado final

É com grande alegria e orgulho que eu compartilho com vocês uma seleção das imagens produzidas pelos participantes da Oficina de Fotografia de Espetáculos coordenada por mim no SESC Petrolina, como parte da programação do Aldeia do Velho Chico 2010.

Para acessar, basta clicar em http://www.marcusramos.com.br/aldeia2010/. Tenho certeza de que vocês, assim como eu, irão se convencer de que existe uma nova geração de talentosos(as) fotógrafos(as) de palco despontando na região do Vale do São Francisco.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Terceiro dia - Mostra de Dança Contemporânea

Se a programação de eventos culturais de qualidade por aqui não é freqüente, não é difícil imaginar então que a oferta de espetáculos de arte contemporânea seja mais rara ainda. O Aldeia do Velho Chico 2010, no entanto, está conseguindo suprir ambas as deficiências de maneira exemplar. Em particular, por causa do concerto de música contemporânea do Quinteto Latino-Americano de Sopro realizado na sexta-feira (13/08), e pela Mostra de Dança Contemporânea realizada na segunda-feira subseqüente (16/08).

Formado por professores da Universidade Federal da Paraíba, o concerto trouxe obras de Cláudio Santoro e Guerra-Peixe e teve um caráter didático ao procurar explicar a trajetória desses dois importantes compositores brasileiros do século XX, desde a sua fase inicial mais radical, até a incorporação de elementos nacionais na sua música. Com referências à música atonal, ao dodecafonismo, e até à H.J. Koellreutter, o quinteto fez uma apresentação impecável, didática e bem-humorada.

É fato que o auditório do SESC começou cheio e estava apenas pela metade ao término da apresentação. Mas (como se costuma perguntar no caso do copo d´água), será que ele estava meio cheio ou meio vazio? Nesse caso eu não tenho dúvida: que metade dos espectadores tenham ido embora durante o concerto, eu considero esse fato bastante compreensível. Mas que a outra metade tenha permanecido nos seus lugares até o final, isso sim eu considero relevante e digno de registro.

Já a Mostra de Dança Contemporânea trouxe nove grupos diferentes formados por bailarinos locais, os quais apresentaram coreografias bastante criativas, interessantes e até divertidas, explorando novas linguagens e formas de expressão. Foi justamente lá que aconteceu o terceiro e último dia de atividades práticas da Oficina de Fotografia de Espetáculos coordenada por mim. Uma edição das fotos que eu fiz nesse dia está disponível aqui.

Música contemporânea na sexta-feira, dança contemporânea na segunda seguinte. Dois espetáculos de alto-nível que supriram espírito e cérebro de alimento de excelente qualidade. Espero que, no rastro deles, outros espetáculos do mesmo gênero estejam à caminho de Petrolina. E, desde já, parabéns ao SESC pela realização de mais essa edição do Aldeia do Velho Chico.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Segundo dia - Zé Manoel

No segundo dia de atividades práticas da Oficina de Fotografia de Espetáculos (11/08), registramos o show do pianista, cantor e compositor petrolinense, Zé Manoel. Mas quem é Zé Manoel? Eu mesmo nunca tinha ouvido falar dele nesses mais de dois anos emque estou aqui, e confesso que a escolha do espetáculo dele se deu mais por questões de conveniência do que por qualquer outro tipo de preferência ou referência prévia.

A escolha, no entanto, se mostrou perfeita, pois o show (acompanhado de contrabaixo, flauta e bateria, além de contar com participações especiais de ótimas cantoras) revelou um compositor de alto-nível, representante legítimo do que a música brasileira tem melhor na sua nova geração. Delicado e dotado de extremo bom gosto, ele apresentou composições com instrumentação rica e complexa, influenciadas por genêros como o chorinho, a valsa e o samba, além do jazz e do blues, as quais cativaram a platéia que praticamente lotou o auditório do SESC. Em muitos momentos, a influência de Tom Jobim e Chico Buarque também eram visíveis, mas isso apenas atesta a qualidade da música por ele produzida, o seu respeito para com os nossos mestres e o seu compromisso com a qualidade do seu trabalho.

Foi um show inspirador, muito gostoso de ser assistido, bonito e de elevado nível musical, ouvido com grande prazer e atenção por este que estava, em princípio, preocupado apenas em obter boas fotos do espetáculo . O CD por apenas R$5,00 no final do show foi uma barganha imperdível e será ouvido e recomendado muitas vezes, com certeza. Zé Manoel, que atualmente estuda e mora no Recife, tem uma grande carreira pela frente. E representa, juntamente com Geraldo Azevedo e Matingueiros, a música pernambucana nascida em Petrolina com qualidade para conquistar o Brasil e o mundo. Fiquem atentos.

Para mais informações, http://www.myspace.com/zemanoel.

Primeiro dia - Encantrago

No primeiro dia (10/08) de atividades práticas da Oficina de Fotografia de Espetáculos coordenada por mim no SESC Petrolina, como parte da programação do Aldeia do Velho Chico 2010, nós fotografamos o espetáculo de teatro "Encantrago - Ver de Rosa um Ser Tão", criação dos grupos Expressões Humanas e Teatro Vitrine de Fortaleza (CE) e inspirado na obra de Guimarães Rosa. Uma edição do meu material está disponível aqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

Elas não são lindas?

Quando eu estive na Ilha do Massangano pela primeira vez, eu voltei encantado com as crianças que por lá moram. Hoje, na minha segunda visita, eu não pude deixar, mais uma vez, de me impressionar com a beleza, a simpatia e o carinho dessa garotada toda. Essas crianças foram a companhia ideal para um lindo domingo de sol repleto de atividades culturais, não apenas para os adultos, mas também para elas e com a participação delas. Se alguém duvida disso, que tal dar uma olhada nas fotos para então se convencer de vez? Elas não são lindas?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aldeia do Velho Chico 2010

Começa no próximo dia 06/08, sexta-feira, e vai até o dia 21/08, o VI Festival de Artes do Vale do São Francisco, mais conhecido como "Aldeia do Velho Chico", versão 2010. Promovido pelo SESC Petrolina e contando com o apoio, entre outros, da Prefeitura de Petrolina, UNIVASF, UPE e TV Grande Rio (TV Globo local), o evento representa um marco no calendário cultural anual da região e traz na sua extensa programação atividades nas áreas de música, teatro, dança, literatura, pintura, grafitagem e, como não poderia deixar de ser, também de fotografia.

Eu estarei coordenando a Oficina de Fotografia de Espetáculos nos dias 09, 10 e 11, das 19:00 às 22:00hs. Vamos repassar um pouco da técnica utilizada nesse tipo de trabalho e procurar desenvolver a linguagem atística dos participantes, com o objetivo de montar uma exposição mostrando o melhor da nossa produção. Os espetáculos que serão fotografados fazem parte da programação da Aldeia do Velho Chico.

Para mais informações, eu estou disponibilizando o folheto oficial com a programação completa (infelizmente não há site ainda, apenas um folheto impresso). Notícias em www.sesc-pe.com.br/agenda.asp e inscrições pelos telefones (87) 3866.7474 e (87) 3866.7454.