domingo, 27 de junho de 2010

Fotografando like a horse (ou jegue...)

Depois da viagem pelo interior e pelo litoral, das visitas às ilhas do rio São Francisco, do concurso de sanfoneiros e dos concursos de quadrilhas, junho ainda reservou espaço para a Missa do Vaqueiro, tradicional evento que aconteceu hoje de manhã pela 69ª vez na orla de Petrolina, e que atrai vaqueiros de todos os tipos e suas montarias, da cidade e da região.

A festa começou ontem de noite, com o Forró da Espora, e de lá eles vem direto para a orla onde é celebrada a missa em sua homenagem. Vaqueiro velho, adulto, jovem e mirim, lá tem de todo tipo, todos eles participando da missa, cantando aboios, benzendo os seus pertences e dançando ao som do trio de forró que animava a festa, tudo a mesmo tempo e no mesmo palco. Muita gente, muitos cavalos (ainda não me conformo, de onde eles saem em tamanha quantidade?) e Petrolina fica transformada numa grande fazenda em que você se sente diminuído por não estar a bordo do seu alazão.

E antes que alguém pergunte: eu estou em todas e pode parecer que não, mas eu também trabalho, viu?

Quente, arrochado, forró, xaxado, balão e dourado

Para quem nunca tinha assistido um concurso de quadrilhas, participar de três na mesma semana até que não está mal. Mas sei que ainda preciso assistir muito mais, para compensar todos os outros que eu não pude assitir na minha vida até então.

Agora de noite aconteceu o terceiro e último concurso, dessa vez realizado pela prefeitura de Petrolina, organizado e conduzido de forma impecável pela diretora de cultura municipal, Roberta Duarte.

As oito quadrilhas concorrentes foram as mesmas do concurso da TV Grande Rio, realizado na terça-feira, cada uma representando de uma certa forma um bairro ou região da cidade e com direito à sua própria torcida. E o resultado das apresentações foi igualmente lindo e inspirador... com certeza vai deixar saudades!

No final, Balão Dourado em 3º lugar, Quente e Arrochado em 2º e Forró Xaxado em 1º. A mesma classificação do concurso anterior, apenas invertendo os dois primeiros lugares. Não achei justo: as três merecem o primeiro lugar. E as outras todas o segundo...

No meio de tantas coisas legais que eu pude ver nesses dias, uma delas me chamou a atenção: no final do concurso, após o anúncio do resultado e as primeiras comemorações, os vencedores param, fazem uma roda imensa, dão as mãos, ficam de joelhos e rezam em voz alta. Muito bacana e comovente.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Adrenalina pura

Eu saí de lá todo arrepiado. É tanta energia, tanta alegria, tanto entusiasmo, tantas cores, tanto movimento, tanta beleza, tanta emoção, tanta música boa, enfim, tanto tudo de bom, que você até se esquece da vida, de onde você vinha antes e para onde vai depois, dos problemas que te preocupavam quando você saiu de casa e do que você tinha para fazer quando para lá retornasse, para dizer o mínimo.

Quantos espetáculos possuem esse poder de invasão, de contágio e de transformação? Eu poderia enumerar bem poucos, e olha que o meu currículo não é exatamente pequeno. Se você é paulistano como eu, provavelmente nunca viu um concurso de quadrilhas. Aliás, nem sabe que nessa semana se comemora o São João. Mas, se você leva em conta minimamente as coisas que eu escrevo e recomendo, você vai imediatamente incluir na sua "must-do list" uma parada obrigatória num concurso de quadrilhas do sertão nordestino.

Dessa vez o concurso foi promovido pela TV Grande Rio, afiliada local da Rede Globo, e realizado no SEST/SENAT. Oito quarilhas se apresentaram, uma melhor que a outra, num ritmo crescente que contagiou a todos os que ali estavam e que torciam com o mesmo ânimo e disposiçao dos que na quadra de esportes se apresentavam.

Não foi fácil fotografar, e não apenas porque os dançarinos não paravam de se mexer por um segundo. Não foi fácil porque a tentação de largar a máquina e sair dançando com os grupos é quase incontrolável, tamanho o magnetismo que eles exercem sobre quem está por perto. De onde vem tudo aquilo? De onde surge toda essa força? São perguntas óbvias mas inevitáveis. Não importa, está tudo lá para quem quiser ver e usufruir, sem precisar tirar um centavo do bolso.

E não pense que eles fazem isso pelo prêmio. O primeiro lugar levou mil reais, o segundo setecentos e o terceiro apenas quinhentos. Dinheiro e troféus à parte, é evidente que a força motriz é outra, é aquela força interna que todos nós temos, mas que só é usada, com toda a sua plenitude, quando a causa é nobre e nos instiga a dar o melhor de nós mesmos apenas pelo prazer de mostrar o que temos de melhor. Quando isso acontece, ela vem tão plena, tão trascendente e tão senhora de si, que talvez seja daí que emana o seu poder vital.

Terminado o espetáculo, logo me ocorre uma outra questão: para onde vai tudo isso depois? O meu bom senso diria apenas: apresentações regulares ao longo de todo o ano, é claro. Afinal de contas os turistas estão aí, a cultura regional tem tanto a oferecer, os teatros tem capacidade ociosa, e espetaculos como esse não podem ficar guardados no armário durante um ano inteiro. Seria um desperdício em inúmeros sentidos, inclusive cultural. Mas, aparentemente, ainda não atingimos esse grau de elaboração do nosso patrimônio imaterial. Por isso, é aproveitar agora e não deixar nunca mais passar uma oportunidade como essa.

Agradeço por essa noite especial e parabenizo a todos os que contribuiram para ela se tornar tão encantadora. Espero poder retribuir com algumas imagens que ilustrem de forma convincente pelo menos uma fração de tudo que eu pude ver, ouvir e sentir na noite de hoje.

E parabéns, especiamente, para as quadrilhas Balão Dourado (3º lugar), Forró Xaxado (2º lugar) e Quente e Arrochado (1º lugar). Vocês simplesmente arrasaram e são dignas dos melhores palcos das melhores casas de espetáculo do planeta. O seu show é universal e os seus espectadores são seres privilegiados, não tenham dúvida em relação à isso.

domingo, 20 de junho de 2010

Quadrilhas

Depois do concurso de sanfoneiros, está aberta a temporada dos concursos de quadrilhas. Eu mesmo nunca tinha visto nenhum e fiquei impressionado com o que vi ontem, na quadra do SESC. Ao longo da tarde e parte da noite, diversas quadrilhas de diversas cidades da região apresentaram as suas coreografias com muita cor, muita alegria e muita energia. Algumas mais simples, usando figurinos alugados, outras mais ricas, com vestimentas de encher os olhos, mas todas com a mesma vibração e disposição para levantar e encantar o público. Essa aí de cima é de Casanova (BA). Ao longo da semana, outros concursos em vista, entre eles o da TV Grande Rio e o da Prefeitura de Petrolina, sem contar as apresentações na orla das quadrilhas vencedoras das edições passadas. Estarei lá, clicando tudo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Entrando no clima

Nada melhor do que um concurso de sanfoneiros para inagurar oficialmente o período das festas juninas na cidade. Foi o que aconteceu, agora de noite, na concha acústica situada ao lado da catedral. Quinze concorrentes de várias cidades da região empunharam os seus instrumentos (devidamente acompanhados por zabumbas e triângulos) para promover o gênero, animar os presentes e disputar os prêmios que seriam distribuídos pelo júri.

O vencedor, "Sandrinho" da cidade de Dom Inocêncio, no Piauí, mostrou categoria e levou o primeiro prêmio pela segunda vez consecutiva, com uma pontuação bastante superior à do segundo colocado. No final de tudo o público ainda foi brindado com um show de "Raimundinho do acordeon", ícone do gênero, idealizador do concurso e festeiro de marca maior.

Com muitas referências à Luiz Gonzaga, tanto verbais quanto musicais, muitas outras composições originais e genuínas com interpretações cativantes, e um público numeroso e bastante animado, pode-se dizer que foi a noite da festa no sertão...

domingo, 13 de junho de 2010

Eu sou você amanhã

Fotografado num chiqueiro improvisado, debaixo de uma árvore na Ilha do Massangano.

Fotografado dentro de um carrinho de mão de pedreiro, na entrada de um mercadinho, na mesma Ilha do Massangano.

sábado, 12 de junho de 2010

SUA

Depois de levar jovens fotógrafos para três ilhas do rio São Francisco durante a semana (Rodeadouro, Massangano e Amélia), ontem foi o dia de editar todo o material produzido por eles, tratar as imagens e depois montar a exposição, que foi inaugurada de noite no Centro Cultural João Gilberto, em Juazeiro (BA). Foi um dia (e uma noite) longo e cansativo, mas altamente recompensador em função dos resultados alcançados.

O Workshop de Fotografia, coordenado por mim, fez parte da SUA UNIVASF - Semana Universitária de Arte da UNIVASF, que foi promovida e organizada pelo curso de Licenciatura em Artes da universidade.

Para quem quiser ver os ótimos trabalhos produzidos pela turma que me acompanhou, a exposição fica no João Gilberto até domingo (13/06) de noite. Depois disso ela vai circular por outros locais, mas eu ainda não sei precisar exatamente quais (exceto a própria UNIVASF).

Como a idéia do workshop foi documentar as ilhas do rio, eu fiz uma edição ampla, contemplando os vários aspectos da vida e da paisagem encontradas nesses lugares. Quem não puder ver a exposição ou tiver pressa em conhecer os trabalhos, pode clicar aqui e acessar o conteúdo integral da mesma. Confiram e apreciem a produção dos nossos talentos regionais.

Mulher de verdade

Diferentemente da Ilha do Rodeadouro e da Ilha do Massangano, a Ilha da Amélia é um lugar praticamente virgem, no sentido amplo (habitantes, serviços, atrações turísticas etc).

Conforme já comentado, a Ilha do Rodeadouro é um destino essencialmente turístico. Vá para lá se você quiser tomar uma cerveja gelada com os pés mergulhados na água fresca do rio. Ou então para comer uma piranha grelhada enquanto curte o som das dezenas de bares instalados no local. Evite os finais de semana, pois o local fica superlotado.

A Ilha do Massangano, por outro lado, é um lugar residencial. Lá você encontra uma comunidade constituída, com habitantes, comércio, escola, igreja, tradições folclóricas etc. Vá para lá se você quiser conhecer essas tradições ou apenas para espiar o funcionamento de uma comunidade rural no meio do rio São Francisco.

Tanto uma quanto outra são acessíveis a partir das "travessias", como são chamados os locais que transportam passageiros em pequenos barcos motorizados entre a costa e as ilhas, que ficam uma ao lado da outra. As travessias do Almizão e do Juarez são as mais recomendadas. Para o Rodeadouro a passagem custa R$2,00. Para o Massangano, cujo trajeto é um pouco mais longo, são R$5,00. Ida e volta, em ambos os casos.

Para chegar na Ilha da Amélia, no entanto, é necessário seguir mais alguns quilômetros pela estrada, depois das travessias citadas, até chegar na Travessia do Gringo, que também cobra os seus R$2,00 para te levar até a ilha.

E o que há para ver lá? Basicamente nada, ou seja, apenas natureza, um bar com quatro ou cinco quiosques e duas ou três casas, apenas uma habitada. A diversão lá é andar pelas trilhas, afastar o mato alto e fazer as suas descobertas.

Depois de andar por boa parte da ilha, eu vi apenas uns bodes e uma única família, com uma única criança. A qual, apesar de ser única, parecia estar tão à vontade e se divertir (fingindo que surfava nas águas do rio) tanto quanto as outras que eu conheci no outro dia, na Ilha do Massangano.

Hora marcada, nosso barqueiro chega para nos levar de volta. Retornamos ao ponto de encontro. O bar já estava aberto e aproveitamos para tomar uma água. Mais uma para o currículo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Infância

Depois de passar a manhã de ontem na Ilha do Massangano (famosa, entre outros, pelo seu Samba de Véio e por ter sido locação do filme "Eu Tu Eles", com Regina Casé e Lima Duarte), eu voltei convencido de que o ideal de uma infância leve, alegre e saudável, daquelas que a gente só vê em filme mesmo, ou então nas recordações dos mais antigos, não está, afinal de contas, tão distante assim do meio urbano em que vivemos.

Longe dos carros, do trânsito, da poluição visual e, aparentemente, de outras ameaças também, as crianças de lá vivem soltas, de casa para a escola, da escola para casa, brincam no meio das ruas, se divertem com pouco, correm, pulam, sobem nas árvores, se embrenham pelo mato, inventam os seus jogos, enfim, reúnem momentos que farão parte, no futuro, de um conjunto de agradáveis lembranças de um período importante da vida.

Apesar de toda a simplicidade da vida que levam, elas esbanjam alegria, simpatia, energia e tem o (seu) mundo ao seu dispor, sem maiores restrições. E tudo isso a apenas 10 minutos de travessia de barco, que por sua vez fica distante cerca de 20 minutos do centro de Petrolina.

Foi uma ótima experiência, juntamente com o meu grupo de caçadores de boas imagens. Deve ser muito bom ser criança na Ilha do Massangano.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Working like a dog

Na próxima vez que você se sentir tentado a usar essa expressão, lembre-se da imagem acima e reflita se é exatamente isso o que você está querendo dizer.

Vida de cachorro na Ilha do Rodeadouro não deve ser fácil. Os sinais de estresse são evidentes, não é verdade? Vou torcer, quem sabe na próxima encarnação eu tenho essa colher de chá...

O flagrante foi feito hoje de manhã numa ilha ensolarada e deserta, exceto por uns poucos donos de bar aqui e ali, e um grupo de fotógrafos em busca de boas imagens.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Conhecendo Olinda

Depois de três dias viajando pelo interior e pelo litoral de Pernambuco, depois de muito trabalho furando e analisando o solo e as rochas, e depois de muita encrenca e problemas que acabaram atrapalhando e abortando a nossa programação, finalmente tivemos um domingo de pura diversão em Olinda.

Debaixo do maior sol, da maior animação (e nem poderia ser diferente, pois essas garotas são umas figuras...) e de lindas paisagens, caminhamos durante várias horas, subindo e descendo ladeiras, almoçamos no Bar da Noca, tomamos sorvete no Bacana e voltamos para o hotel com as baterias recarregadas.

As outras fotos desse passeio mostram o pique da galera. Para usar uma expressão regional, "diga uma turma divertida.........."

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Linda!

Visitar pela segunda vez esse monumento da natureza localizado na cidade de Venturosa apenas reforçou a impressão que eu tive quando por lá andei alguns anos atrás: a de que a natureza não conhece limites quando se trata de produzir coisas fascinantes, altamente inspiradoras e surpreendentes.

Apoiada nas suas duas extremidades em outras rochas no alto de um morro, e com um vão livre que eu estimo em cerca de 100 metros, a Pedra Furada emociona pela sua beleza, leveza, nobreza e, por que não, também pela sua engenharia.

Afinal de contas, como é que aquilo foi "construído" e colocado na aquele lugar? E como é que ela se mantém equilibrada? Não tenho as respostas, mas também não me canso de admirar esse presente que a natureza nos oferece sem cobrar nada em troca. É só chegar, estacionar o carro, subir umas escadinhas e pronto: você se sente a pessoa mais privilegiada do mundo. Simples assim.

Pedra


Pedra é o curioso nome dessa cidade que fica perto de Arcoverde, no caminho para o Recife. Nome este que não guarda muito mistério em relação às suas origens: ela fica localizada no pé de um morro, que na verdade é uma sólida, desnuda e gigantesca rocha, a qual funciona como uma espécie de Cristo Redentor que, de longe, anuncia a chegada da cidade, e, de perto, é onipresente na paisagem dos seus habitantes. Não cheguei a circular pela cidade, mas subi no morro e posso garantir que a vista compensa o esforço. No foto aparecem o pé da pedra, a cidade e uma bucólica vegetação verde que dá gosto. Atrás de mim, muita pedra para subir ainda...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Anotem essa

Não fiquei nem quinze minutos no lugar. Mas não precisei de nem um minuto para ficar encantado com tudo o que eu vi, e fui embora de lá prometendo para mim mesmo um breve regresso.

Diferente de tudo que eu já conheço na região, Triunfo (350Km de Petrolina, fronteira com a Paraíba) é uma cidade especialíssima. Diferenciada na topografia, na vegetação, no clima, na arquitetura, no urbanismo, no lazer, na hospedagem etc, ela é cheia de detalhes e sutilezas para serem exploradas e apreciadas.

Mas, assim como acontece com todo bom vinho, Triunfo não pode ser consumida com o olho no relógio. É necessário ter a calma e o tempo suficientes para poder entender, analisar, degustar e retirar o máximo de prazer que ela pode nos proporcionar.

E que tal então Triunfo (que possui as temperaturas mais baixas do estado de Pernambuco) acompanhada por um bom vinho? Será um evento digno das melhores lembranças, tenho certeza. Fica, portanto, para um futuro breve.

P.S. O belo edifício da foto é um cinema/teatro de 1922.

Só deixo o meu Cariri...

no último pau-de-arara....? Ah, então relaxa. Não precisa se apressar. Pau-de-arara é o que não falta e, pelo que parece, eles ainda vão marcar presença nessas estradas por muito tempo. Mesmo proibidos pela legislação de trânsito, eles circulam livremente e longe dos olhos da fiscalização. Esse aí, por exemplo, foi flagrado hoje de manhã num posto de gasolina em Serra Talhada. O fato é que eles estão em toda parte, só não vê quem não quer. Mas, como pondera o dono do referido, falar de mim é fácil, difícil é ser eu... abençoado seja!