segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nova Vida

Se, depois de passar uma temporada na Penitenciária de Petrolina, você finalmente recupera a liberdade e se depara, logo do outro lado da rua, com um boteco chamado "Nova Vida", você:
  • Resolve atravessar a rua e tomar uma branquinha para saudar à nova vida e garantir um bom recomeço;
  • Fica logo frustrado por que alguém teve a idéia de montar esse bar num local tão estratégico - e começar a lucrar - antes de você;
  • Nem acredita que uma nova vida pudesse estar assim tão perto de você;
  • Logo pensa que a nova vida e as tentações andam sempre de mãos dadas;
  • Decide seguir em frente, apesar das coisas boas que uma nova vida pode oferecer...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cosme Cavalcanti

Além de ser arquiteto, paisagista, marchand, dono de galeria de arte, produtor cultural, idealizador do Museu do Pai Chico e coordenador da Comissão de Revitalização do Caboclo, Cosme Cavalcanti é também um talentoso artista. A prova disso são os quadros e os arranjos por ele executados, e que estão atualmente em exposição na sua galeria Tenda.

Além da beleza e da delicadeza que são característicos dos seus arranjos, Cosme desenvolve um trabalho original ao utilizar apenas elementos oriundos da vegetação do sertão, como sementes, frutos, cascas de árvore, folhas e galhos secos. O resultado são montagens geométricas e vibrantes, de grande apelo visual, e que nos mostram que a beleza pode estar mesmo nos lugares mais áridos e menos favorecidos. Basta ter talento para enxergar, extrair e reproduzir essa beleza.

Para conhecer um pouco das obras recentes do artista Cosme Cavalcanti, clique aqui e veja algumas fotos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Estranha mania

Tá na hora da consulta médica que você marcou? Ou do exame que você tem que fazer? O show que você vai assistir começa daqui a 15 minutos? A cerimônia de formatura já está para iniciar? Você está correndo para não chegar atrasado naquela importante reunião de trabalho? Caramba! Você ainda não aprendeu?? Relaxa, vai fazer as suas coisas (ou então não faça nada), e procure chegar com pelo menos uma ou duas horas de atraso. Ou então nem apareça. Que idéia de ficar querendo sempre chegar no horário. Onde foi que você adquiriu essa estranha mania? Pára com isso...

É Samba de Véio!

Conforme comentado em outra postagem, o tradicional "Samba de Véio" da Ilha do Massangano se apresentou no Festival Geraldo Azevedo, realizado recentemente em Petrolina. Apesar das péssimas condições de iluminação do palco, lá estava eu procurando registrar esse evento tão raro quanto delicioso. Espero ter conseguido captar um pouco da energia, do ritmo, do balanço e da animação desse grupo de homens, mulheres e crianças que levantou e sacudiu a platéia do festival. Entre coreografias, figurinos, expressões fortes e simpáticas, umbigadas, batucadas, garrafas de cachaça na cabeça e a graça das crianças, as imagens do show podem ser vistas clicando aqui.

Friday Night Fever

Sexta-feira, dia 11/12: Secabudega na Depositto (sic) Dancing em Juazeiro. Sexta-feira, 18/12: Tayrone Cigano no Clube América em Petrolina. O primeiro levou a multidão com clássicos do rock tocados de forma competente e com muito balanço. O segundo, fez o arrasta-pé com base no forró, xote e baião. O primeiro tocou para um público de classe alta e média-alta. O segundo cantou para um público um pouco mais simples. No primeiro, roqueiros de plantão sacudindo o esqueleto e muita gente jovem curtindo o som. No segundo, gente de todas as idades, famílias e vários casais, inclusive de idosos, dando show com o swing do forró. Em comum: R$20,00 o ingresso, congestionamento no trânsito, dificuldade para estacionar, gente saindo pela ladrão, muita animação e agitação madrugrada adentro. Prá John Travolta nenhum botar defeito, seja lá qual for o seu estilo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tempos modernos

Em tempos modernos, passar o mês de dezembro sem ligar a televisão, sem entrar no shopping center e sem ler jornal representa praticamente a negação do Natal. É quase como se nada disso estivesse realmente acontecendo, ou ainda fosse acontecer... alienação total...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Festival Geraldo Azevedo

Mal baixou a poeira do Festival Edésio Santos, em Juazeiro, e começou tudo de novo por aqui. Entre quarta e ontem, sábado, aconteceu o Festival Geraldo Azevedo em Petrolina. Assim como aquele, esse também é um concurso de músicas aberto para competidores de todo o país. Diferentemente daquele, no entanto, o homegeado deste, que empresta o seu nome ao festival, está vivo e produzindo.

No primeiro dia, quarta-feira, aconteceu a Noite da Dança, com apresentações de vários (acho que 12-15) grupos folclóricos, clássicos e de salão da região. Muita variedade e muita coisa interessante, realmente. Entre os folclóricos, tivemos a chance de assistir caboclinhos, côco, frevo, danças africanas e várias outras. Na dança de salão os expoentes da região apresentaram, juntamente com os seus alunos, desde o mambo até o bolero e o tango.

Fiquei especialmente tocado com a apresentação de um grupo de crianças vestidas de rosa e preto que dançaram o Mambo Nº5 de Perez Prado, popularizado por Lou Bega. Foi um show de delicadeza, sutileza, leveza, inocência e ginga, oferecido por crianças de idades de variadas. Uma graça, que me deixou sensações muito gostosas.

Os grupos de balé clássico também proporcionaram bons momentos para uma platéia significativa e atenta, especialmente quando as bailarinas com mais anos de estudo subiram ao palco para compartilhar um pouco da sua arte. Na dança de salão, destaque para as apresentações de tango, que foram de grande beleza e competência. Dançarinas virtuosas foram o destaque.

A quinta e a sexta-feira foram dedicas às eliminatória do festival, que recebeu cerca de 50 canções de todo o Brasil. Apesar de ser uma quantidade inferior à recebida pelo Festival Edésio Santos, a qualidade dos competidores, apesar de ter deixado um pouco a desejar no primeiro dia, se equilibrou no segundo dia (sexta-feira) e assim na final, no sábado, os 12 selecionados exibiram um painel interessante, com vários candidatos sérios às primeiras colocações.

Depois de anunciados os ganhadores, o público, que lotou a concha acústica da catedral, foi brindado com apresentações que fizeram todos se levantar, dançar e cantar durante horas, enquanto desfilavam pelos palcos o Samba de Véio, Chico César, Libório e a Combustão Espontânea e, finalmente, Os Matingueiros.

O Samba de Véio é uma dança tradicional da Ilha do Massangano (a mesma onde foi feito o filme "Eu, Tu e Eles", com a Regina Cazé), em Petrolina, e vem sendo passada de geração em geração há décadas, sem se descaracterizar, sem desaparecer e, o que é mais importante, empolgando a platéia com a sua música forte e vibrante e a sua dança frenética e ritmada. Delírio total no público que assistia. Consta que esse nome vem da época em que a dança era realizada apenas por adultos e as crianças não podiam participar. Ainda há mais à descobrir, mas que fique anotado no caderninho de todos aqueles que estiverem por aqui um dia e que quiserem conhecer algo verdadeiramente típico, tradicional e sensacional.

Depois desse "aquecimento", foi a vez do Chico César, esse grande artista que entrou calado, pegou na guitarra e mostrou que não estava para brincadeiras. Em pouco minutos ele levantou de novo a platéia, que cantou e dançou ensandecida até o último acorde. Nesse meio tempo, rolou de tudo: do rock ao forró, passando pelo frevo, pelo catimbó, pela poesia, pelo reggae e até pelo Roberto Carlos. Muita energia no palco, uma banda muito competente acompanhando essa máquina de mover multidões e, do lado de baixo, uma galera que não parava de pular, cantar e dançar, e que não queria deixar o seu ídolo ir embora.

Eu, que estava na parte de baixo do palco, cumpri mais uma missão fotográfica, e mais uma vez com grande prazer. Não apenas pela admiração que eu tenho pelo Chico e pela sua música, mas porque foi uma alegria revê-lo depois de vários anos, ele que era meu colega de academia na Competition em São Paulo, que eu já tinha tido a oportunidade de fotografar antes (na FNAC, para o livro da MTV), e com o qual eu trocava cumprimentos eventuais. Clique aqui para ver as fotos do show.

Depois dele ainda teve esse grupo de Salvador, que eu não conhecia, Libório e a Combustão Espontânea, cujo vocalista é de Petrolina e que fez um rock de boa qualidade e que segurou legal a onda de manter aquecida uma platéia na ressaca do grande paraibano.

Já eram 2 horas da manhã e ainda ia começar o show dos Matingueiros. Mas dessa vez eu parei antes. Vim para casa dormir, só que acabei acordando por volta das 4 da manhã, com um grupo que vinha cantando animadamente pela rua. Provalmente voltando para casa, depois dessa festança que lavou a alma de tanta gente... parabéns Roberta Duarte!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Onde estou?

Só faltou o mar, o Cristo, o Pão de Açúcar e a Lagoa. Fora isso, parecia um domingo tipicamente carioca: multidões aglomeradas nos bares e restaurantes, casas, carros e torcedores enfeitados com a bandeira do Flamengo, e tudo mais o que se espera encontrar no dia de uma decisão que mexe diretamente com a emoção das pessoas. Depois da vitória, então, nem se diga. Festa, buzinaço pelas ruas da cidade e torcedores comemorando pelos quatro cantos. Estou no Rio de Janeiro ou em Petrolina, sertão de Pernambuco?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ritual diário

Primeiras providências ao chegar em casa:
  • Tirar toda a roupa;
  • Abrir todas as portas e janelas;
  • Ligar o ventilador;
  • Manter o menor número de luzes acesas possível;
  • Tomar água;
  • Procurar uma fruta gelada para comer;
  • Tomar um banho de água fria.

A última, é claro, é procurar a folha de parreira na gaveta do armário...

sábado, 5 de dezembro de 2009

São Gonçalo

"São Gonçalo" é nome de santo, mas também de uma festa bastante popular no nordeste, especialmente no interior. Quando alguém alcança uma graça, creditada ao São Gonçalo, reza a tradição que a pessoa deve organizar uma grande festa na sua própria casa, de portas abertas para quem quiser entrar, e com muita comida para todos se servirem durante o dia. Além disso, um grupo de violeiros é chamado para executar músicas típicas para o evento, enquanto as pessoas dançam coreografias bem características e sempre sob as ordens de um ou mais "puxadores", pessoas mais experientes que conhecem e zelam pela preservação da tradição. Tudo isso com direito, naturalmente, à imagem do santo exposto num altar improvisado e muitas velas para as homenagens de última hora.

Eu nem imaginava encontrar esse tipo de coisa por aqui, mas foi graças ao convite da Roberta Duarte, diretora de cultura da Prefeitura de Petrolina, que eu tive o prazer e a honra de participar de uma festa de São Gonçalo no último domingo, dia 29/11.

Numa casa muito simples de periferia, chão de terra batida, uma multidão se concentrava na entrada e no quintal da casa. Chegamos na hora do almoço e fomos muito bem recebidos, inclusive com convite para nos servirmos juntamente com os demais presentes. Logo depois, no entanto, a música recomeçou do lado de fora e, debaixo de uma lona azul improvisada, um grupo de 20 ou 30 jovens, adultos, idosos e crianças iniciou mais uma dança em homemagem ao santo. Enquanto isso, um grupo ainda maior se mantinha ao redor observando o ritual.

A dança é frenética, muito ritmada e lembra uma mistura de quadrilha de São João com ciranda e mais alguma coisa. Os pés se arrastam no chão e a poeira sobe. Todos dançam muito concentrados e estão sempre atentos às ordens do puxador. Alguns parecem até que entram em transe e fazem daquele momento, talvez, o seu instante de maior intimidade com o santo.

Chegamos ao meio-dia e fomos embora um pouco depois das três da tarde. Mas a informação era que a festa tinha começado cedo e iria se estende até o sol se por. Muito interessante, digna de ser mais pesquisada e merecedora de estar em qualquer em qualquer livro ou documentário sobre o folclore e as tradições religiosas do nordeste.

Segundo consta, não existe época ou calendário para a festa, que pode acontecer muitas vezes ao longo do ano. Tudo depende das graças alcançadas e de quando os seus beneficiários resolvem cumprir as promessas. Mas, para saber quando e onde acontecerá a próxima, isso ainda eu não sei como descobrir...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Festival Edésio Santos

Entre quarta-feira da semana passada (25/11) e esse último domingo (29/11), Juazeiro acolheu a décima-terceira edição do Festival Edésio Santos, um concurso de abrangência nacional que premia as melhores canções recebidas de todas as partes do Brasil.

Na quarta e na quinta-feira o festival aconteceu na orla nova de Juazeiro, ao ar livre, e com uma programação bastante interessante. Apesar do pouquíssimo público, foi com satisfação que eu assisti o show da Fabiana Santiago na quarta e o do Raimundinho do Acordeon na quinta. A Fabiana tem um repertório latino-americano e interpreta com competência clássicos da música mexicana, cubana, espanhola etc. Como não poderia deixar de ser, ela também incorpora a "Carmem" no palco (na expressão corporal, no figurino etc), e com isso a viagem pela América Latina romântica, passional e caliente fica completa.

Sexta, sábado e domingo o local já foi outro. Dessa vez também ao ar livre, mas no teatro de arena do Centro Cultural João Gilberto. Com um bom público nos dois primeiros dias, aconteceu a eliminatória do concurso: 10 canções apresentadas em cada dia, apenas 5 classificadas em cada dia para a final do domingo.

Os autores e intérpretes vieram do Brasil inteiro. Havia, portanto, opções para todos os gostos, a maioria de muito boa qualidade, e assim foram se formando as torcidas para essa ou aquela música, na tradição dos melhores festivais. O público já era significativo e o clima prenunciava uma final bastante disputada.

Quando finalmente o domingo chegou, o teatro estava abarrotado. Pessoas de todas as idades, famílias inteiras e crianças dormindo no colo. As 10 finalistas, selecionadas entre as 220 músicas enviadas para o concurso, iriam se apresentar pela segunda vez e tentar conquistar o coração da platéia - e dos jurados também.

Após a apresentação das oficinas de canto e violão que foram realizadas ao longo da semana, o ilustre juri, formado por nada mais nada menos do que Baby (Consuelo) do Brasil, Paulinho Boca de Cantor e Luís Galvão, entre outros, tomou assento e passou a ouvir com cuidado cada uma das 10 finalistas.

Depois de muita emoção, de ótimas interpretações e depois de anunciados os vencedores, o festival, que esse ano homenageou os 40 anos dos Novos Baianos, trouxe ao palco, para um show de encerramento, os três ilustres jurados que, depois de 40 anos, ainda colocam uma platéia inteira para dançar, pular, cantar e cobrar, a plenos pulmões, esse ou aquele sucesso que marcou as suas vidas.

Foi um grande show, com muita energia, muita emoção e, principalmente, o grande prazer de ver, ouvir e poder fotografar de tão perto esses ícones da música brasileira. Melhor ainda foi estar lá na companhia dos novos amigos... Se assim não fosse, eu não teria ficado até o último acorde, que soou praticamente às 3 horas da madrugada, véspera de um início de semana pesada, com mil coisas para fazer na segunda-feira.

Alguns momentos do festival estão registados na composição acima. Clique para ampliar e ver os detalhes mais de perto.

Ano que vem tem mais!

sábado, 28 de novembro de 2009

Matingueiros

O nordeste tem uma longa e rica tradição musical, não há qualquer dúvida em relação a isso. São tantos e tão variados ritmos, muitos deles transformados em culturas com identidade própria (como é o caso do frevo, maracatú, caboclinhos e ciranda, apenas para citar alguns), que a música criada e desenvolvida no nordeste não pára nunca de ser decoberta, redescoberta, interpretada, pesquisada e documentada, com influências evidentes e cada vez maiores na cultura musical e nas manifestações artísticas do restante do Brasil e também do exterior.

No dia 14/11, sábado, eu tive a oportunidade de fazer uma descoberta dupla. Fui a um lugar novo, o Quintal do Poeta (em Juazeiro), assitir um show do grupo Matingueiros, do qual eu nunca tinha ouvido falar, a não ser pela curiosidade de ter visto um ou outro CD exposto numa ou outra loja de Petrolina.

Num quintal de uma casa onde um pequeno palco foi erguido a céu aberto, e um simpático barzinho servia bebidas para os presentes que se acomodavam nas mesas dispostas em frente ao palco, eu contei doze pessoas aguardando pelo início do show quando já passava uma hora do horário marcado para o seu início.

Apesar do pequeno público presente (fato esse que foge completamente da minha compreensão), o show foi realizado e, para minha sorte, eu pude usufruir, por cerca de uma hora e meia, de uma música vibrante, bem elaborada e construída sobre a mais nobre tradição musical nordestina com grande competência (além dos gêneros já citados, também o forró, o xote e vários outros).

Com muita percussão, sopros e eletrônicos, o Matingueiros (nome dado para aquele que vive no mato) é um grupo formado por sete músicos que estão na estrada há cerca de 10 anos e, juntamente com Geraldo Azevedo, representam o que de melhor Petrolina produziu como contribuição para a cultura musical nordestina e brasileira.

Nessa semana, no dia 26/11, eu tive nova oportunidade de assisti-los, dessa vez na própria UNIVASF, durante a cerimônia de inauguração do Complexo Multieventos e de comemoração dos 5 anos de funcionamento da universidade. Foram apenas quatro músicas, mas foi o suficiente para animar e elevar o espírito da platéia. Com o apoio de um competente grupo de dança folclórica, o espetáculo ficou completo.

Diferentemente do Gerado Azevedo, no entanto, parece que o Matingueiros ainda não é suficientemente conhecido no restante do Brasil, apesar de já ter produzido vários CDs e de já ter se apresentado até na China, de onde o líder e vocalista trouxe inspiração para a criação de novos instrumentos musicais. Talvez isso ocorra justamente pela força que a música regional tem no seu repertório, o que, de qualquer forma, deveria ser considerado como mérito e não o contrário.

Toda essa tradição e esses expoentes, no entanto, constrastam com o reducionismo da seleção musical que se percebe nesse interior. Tudo isso, e muito mais (como por exemplo a música popular brasileira, antiga e recente, a música instrumental, brasileira ou não, o jazz, o blues, o pop, o rock, brasileiro ou não, clássico ou não, a música acústica, a música erudita etc) é praticamente ignorado pelos programadores musicais e, pior, pelos próprios consumidores finais, que parecem enxergar na sua frente apenas dois "gêneros musicais": o forró e o pagode.

E aqui não me refiro ao legítimo e delicioso forró que encanta gerações há décadas e que possui Luiz Gonzaga como seu maior representante, mas ao pseudo-forró moderno, que tem as suas raízes na qualidade musical inferior, nas letras de mau gosto, nas coreografias ridículas, na megaproduções, na ganância e na falta de respeito pela inteligência e sensibilidade do ouvinte/espectador.

Com exceções, como por exemplo nesse show do Matingueiros que eu assisti no Quintal do Poeta, na maioria dos lugares onde se vá por aqui, ou pelo menos nos lugares onde existe público consumidor, só se ouve o tal do pseudo-forró e do pagode. Mesmo que não se vá para lugar nenhum, ouve-se da mesma forma, querendo ou não. Na TV, no rádio, nos clubes, nos shows ao ar livre, nos bares e restaurantes com música eletrônica ou ao vivo, nos vendedores de mídia pirateada da rua, é quase a única coisa que se vê e ouve por aqui. Está impregnado no ar. É praticamente uma unanimidade musical entre crianças, jovens e adultos, homens e mulheres, solteiros e casados, de dia e de noite, enfim. É como se mais nada existisse, como se mais nada importasse, e ainda não consigo me acostumar com isso.

O curioso é que esse fenômemo acontece no interior, não no litoral. Não posso falar por todo o interior, é claro, pois ainda conheço apenas uma pequena parte dele. Por outro lado o Recife é um pólo multicultural por excelência. Lá se ouve de tudo o tempo todo, as opções não param de aparecer, o publico é senhor do seu destino e desenvolve a sua bagagem cultural com total arbítrio. Em Salvador não deve ser muito diferente. Claro que eles também tem o pseudo-forró e o pagode, mas eles não asfixiam ninguém, a menos que seja por opção da própria vítima.

Segundo eu soube, o Mantigueiros teria, de certo forma, sido "adotado" pela Fundarpe, a Fundação do Patrimônio Artístico de Pernambuco, e agora dispõe de perspectivas mais concretas para consolidar uma trajetória que até então só existiu por causa da persistência de uns poucos abnegados. Que assim seja.

Pré-requisitos

Amigos, família e identidade cultural.

Não necessariamente nessa ordem, mas essas parecem ser as condições necessárias para se morar bem em qualquer lugar.

Tourist Information 12 - Geopark Araripe

Dessa vez a viagem foi pelo lado norte do estado, em direção à Chapada do Araripe, que ocupa praticamente toda a fronteira entre os estados de Pernambuco e Ceará. É um passeio de cerca de 300Km de distância (apenas ida), que pode ser feito num final de semana, e que proporciona momentos de grande beleza e diversão.

Saindo de Petrolina, sugere-se tomar, em Lagoa Grande, a estrada que segue por Santa Cruz, Ouricuri, Bodocó e Exu. A alternativa mais natural talvez fosse seguir por Santa Maria da Boa Vista, Cabrobró e Salgueiro. No entanto, a primeira opção disponibiliza uma estrada igualmente boa, com a vantagem de ser praticamente isenta de caminhões, o que torna a viagem mais tranquila e segura.

Exu, a última cidade de Permanbuco nesse roteiro, fica no pé da Chapada do Araripe, e é lá que começa a subida da mesma. É lá, também, que a vegetação da paisagem começa a sofrer transformações radicais, apresentando-se mais verde, mais alta e mais densa. Depois de uma longa e tortuosa subida, percorre-se cerca de 50Km em cima da Chapada, num lugar onde a estrada é absolutamente plana e o horizonte segue a linha da estrada. Quando começa a descida, pode-se seguir em frente por mais alguns poucos quilômetros e chegar no Crato, já no Ceará, ou então entrar à esquerda e tomar o caminho no destino de Santa do Cariri.

O Geopark Araripe, administrado pela Universidade Regional do Cariri é, na verdade, um conjunto de pontos localizados na Chapada e ao redor dela, onde são encontrados locais com formações de grande interesse geológico. A área não é delimitada, mas em cada um desses pontos podem ser encontrados grandes totens com textos em português e em inglês que explicam as suas origens e a sua importância científica.

Na estrada entre Nova Olinda e Santana do Cariri (em más condições gerais de conservação, diga-se de passagem, com um trecho onde a estrada está praticamente desabada), por exemplo, é possível visitar morros e montanhas com formações rochosas de grande beleza. Depois que o asfalto acaba, é possível ainda seguir por uma estrada de terra e chegar no alto de um morro onde foi montada uma infraestrutura com mirante e restaurante, para o turista descansar e desfrutar da belíssima paisagem oferecida pelo vale no entorno de Santa do Cariri.

Voltando para o Crato, o roteiro tem pontos de interesse tanto nesse cidade, como também em Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha. Consta que por lá existe um dos maiores museus brasileiros de paleontologia, pois a região é rica em fósseis animais e vegetais, mas esse eu não cheguei a conhecer.

Em Barbalha a parada obritagória é no Arajara Park, um complexo botânico e aquático de grande beleza, onde as ricas fauna e flora da região são preservadas e exibidas para os visitantes. Num ambiente formado por piscinas, praças de alimentação e quiosques, é possível admirar bromélias, samambaias, grandes árvores, vegetação alta e densa e tudo mais que se imaginar encontrar numa verdadeira floresa tropical, porém no meio do sertão.

Mas é em Missão Velha que fica o "geotope" (nome dado para esses pontos de interesse geológico que compõem o Geopark Araripe) mais interessante. No meio de um imenso terreno árido e com solo rochoso, abre-se uma gigantesca e belíssima cratera no chão, e ali um nasce rio, a partir de uma cachoeira que nem sempre está (como não estava dessa vez) derramando água.

Estando em Petrolina, não se deve deixar de conhecer o Geopark Araripe. Reserve dois ou três dias para o passeio e prepare-se para descobrir locais de grande beleza, além de conferir, na prática, a riqueza e a diversidade das paisagens que o sertão nordestino proporciona aos seus visitantes.

As fotos aparecerão por aqui em algum momento futuro, em outro post sobre esse mesmo assunto. Vale a pena, no entanto, conferir o site oficial do parque em www.geoparkararipe.org.

Esta foi mais uma excursão em companhia da Profª Carmem Masutti e sua turma de Geologia Aplica à Solos do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental da UNIVASF.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Salada de frutas

Os cajús nessa época estão incrivelmente bonitos e perfumados. Eles são grandes, macios, apresentam uma coloração combinada de tons de vermelho e amarelo e tem um aroma delicioso. Sem nenhum defeito, parecem mesmo objetos de decoração, daqueles que são feitos de cera, madeira ou cerâmica pintadas. Ponto para a natureza.

As acerolas também estão bem bonitas, grandes, cheirosas e com cor vermelho intenso. Lembro-me que no ano passado eu vi umas acerolas expostas na Fenagri (Feira Nacional da Agricultura Irrigada) que ficaram registradas na memória: elas eram absolutamente imensas e perfeitas. Nunca tinha visto nada igual. Também nunca vi para vender, mas isso não vem ao caso. De qualquer forma, outro ponto.

As uvas, infelizmente, já não são mais as mesmas. As poucas que ainda se encontra para comprar possuem qualidade irregular e preço maior. Apenas os produtores que estocaram em câmaras frigoríficas na época da safra ainda tem algo de bom para vender.

Portanto, sai a uva e entra o cajú e a acerola.

domingo, 8 de novembro de 2009

Paisagem brasileira

Fotografado próximo da Mineradora Caraíba, durante uma excursão por Sobradinho e Jaguarari com os alunos da disciplina Geologia Aplicada a Solos do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental da UNIVASF, turma da Profa. Carmem Masutti (clique para ampliar)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Azul e vermelho

Final de tarde em Juazeiro, depois de um passeio de caiaque pelas águas do Rio São Francisco (clique na imagem acima para ampliar).

domingo, 1 de novembro de 2009

Fotos de Caboclo

Foram muitas e muitas horas de trabalho, distribuídas em inúmeras noites e finais de semana em casa, debruçado em cima do Photoshop. Mas finalmente eu consegui editar e tratar o material que eu trouxe de Caboclo, quando lá estive em agosto, para as comemorações da Festa do Tamarindo (veja postagem anterior).

Só que as fotos da festa propriamente dita (com a apresentação da orquestra sinfônica e da dupla de repentistas) ainda vão ficar para uma próxima vez. Dessa vez eu resolvi priorizar o povoado, com as suas simpáticas casas coloridas, a sua igreja, as suas crianças, os seus bodes e o Museu do Pai Chico. Também fiz questão de mostrar a natureza e a beleza do entorno, especilmente da trilha que leva ao mirante no alto do morro e, depois, do outro lado da cidade, da trilha que conduz às lagoas, que eu mesmo acabei não encontrando dessa vez.

As fotos estão aqui. Espero que vocês gostem delas. Pois, se gostarem, já sentirei que o meu trabalho foi recompensado e que tantas horas de atividade solitária afinal de contas valeram para alguma coisa.

Bem-vindos à Caboclo, povoado histórico que fica no distrito de Afrânio, alto sertão pernambucano, divisa com o Piauí.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ascebolado (divagações gastronômicas)

Se, num mesmo cardápio, são oferecidas, entre outras opções:
  • Filé de tilápia acebolado, e
  • Fígado "assebolado" (as aspas são minhas),

você logo imagina que:

  1. A pessoa que digitou o cardápio naturalmente se enganou. O correto seria "fígado acebolado", e não "fígado assebolado";
  2. A pessoa que digitou o cardápio NÃO se enganou. O filé de tilápia é servido COM cebola e o fígado é preparado SEM cebola, especialmente para os fregueses que não suportam essa hortaliça. Naturalmente, caso queira, o freguês pode também pedir o filé de tilápia "assebolado" ou ainda o fígado "acebolado";
  3. Na dúvida entre "acebolado" e "assebolado", a pessoa que digitou o cardápio resolveu tentar as duas opções e assim garantir pelo menos uma média 5, suficiente para aprovação em muitas escolas;
  4. É óbvio que o cardápio foi digitado por duas pessoas diferentes, com convicções diferentes sobre o mesmo assunto.

De qualquer forma, foi lá (no Restaurante Piracema, Atrás da Banca, ao lado do Bompreço) que eu comi a primeira linguiça de peixe da minha vida. Apesar de não ter gosto de peixe, ela é saborosa, muito mais saudável do que a linguiça tradicional e, já que estamos falando do assunto, é servida "acebolada".

Essa história me lembra aquela outra, em que o garçom, ao ser consultado pelo cliente sobre a grafia correta de R$60,00 - sessenta, secenta, seçenta, sescenta... -, para preencher o cheque de pagamento da conta, recebe como resposta: "Não se preocupe, pode fazer dois cheques de R$30,00 mesmo"...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Passando mal

Em casa, na rua, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, com ventilador, sem ventilador...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tourist Information 11 - Pindobaçu e Carnaíba

Indo pela estrada que vai de Petrolina até Salvador, são cerca de 120km até Senhor do Bonfim e depois outros 17km até Antônio Gonçalves. Lá, é possível fazer um "circular", um caminho de cerca de 100km de comprimento, a maior parte de terra, que parte e chega nessa mesma cidade, passando por Pindobaçu, Carnaíba, Brejão da Grota, Santo Antônio, Poços e Campo Formoso. Foi por essas bandas que eu andei nesse último final de semana/feriado em companhia do Ricardo Ramos, amigo e também professor.

Pindobaçu serviu apenas como dormitório e base para o passeio até Carnaíba. Para chegar lá, deve-se seguir pela estrada de asfalto e, depois de Pindobaçu, avançar por outros 7km e entrar à direita, numa estrada de terra. Essa estrada segue ao largo de uma represa e depois um rio, revelando lugares paradisíacos e paisagens de extrema beleza. Feita para regular o abastecimento de água das cidades da região, o entorno da represa é forrado por uma vegetação verde e exuberante, que em nada lembra o sertão, a seca ou coisas do gênero. Ninguém diria, pelo visual, que não se estaria no interior de Minas ou de São Paulo.

Depois da represa, dos rios que a formam e da ponte, finalmente chegamos em Carnaíba, um pequeno distrito que é dividido em Carnaíba de Baixo e Carnaíba de Cima, este último no alto de uma serra. Confesso que achei o lugar um pouco estranho, especialmente a Carnaíba de Cima, pois a região é explorada pelo garimpo e, consequentemente, o "astral" do lugar é típico dos locais com esse tipo de atividade econômica: um misto de sertão com faroeste, comércio improvisado, pessoas amontoadas em ruas estreitas e uma certa tensão no ar. Fora isso, o clima é londrino (sim, as nuvens, a garoa, a elevada umidade do ar e até um certo friozinho foram companheiras durante dois dias inteiros), a paisagem é de montanha e as vaquinhas estão por todo parte, felizes com tanto pasto e tanta água para preencher as suas vidas.

A principal atração de Carnaíba são as minas de exploração de esmeraldas. Nelas, pessoas de todas as idades (crianças, adultos, homens e mulheres, idosos etc) passam o dia quebrando as pedras que rejeitadas pelas escavações das grandes mineradoras, em busca da sorte grande. Numa dessas minas, chamadas "serviços" pelos locais, as pedras são quebradas e lavadas para, apenas depois, o olho clínico do garimpeiro determinar se ali existe algo de valor ou não. Consta que vários serviços existem nessa região, mas como era domingo conseguimos ver apenas um funcionando. Consta, também, que durante a semana o comércio de pedras na vila é intenso, sendo que os principais clientes vem da Índia.

Na Carnaíba de Baixo a vida corre, aparentemente, mais pacata. Ao longo da estrada um bode assitia, compenetradíssimo, a uma partida de futebol entre crianças. Parecia mesmo final de Copa do Mundo e eu, é claro, não pude fazer outra coisa, depois de ser exposto a um presente desses, que não fosse sacar a minha máquina fotográfica e registrar imediatamente o episódio surrealista. O resultado você confere aqui.

Garimpo e paisagem são os atrativos para visitar a região. É impressionante como, numa distância tão pequena de Petrolina e Juazeiro, a paisagem e o clima podem se modificar tão radicalmente em relação àquela que é típica do sertão. Não é à toa que o local é conhecido como o oásis do sertão. Sabe-se que cachoeiras e trilhas também estão por ali, esperando pelos turistas aventureiros. Temos, portanto, um bom potencial turístico para ser explorado nessa região também.

Depois disso foi apenas estrada de terra até Antônio Gonçalves, e depois asfalto até Campo Formoso e Senhor do Bonfim, completando assim o "circular". No meio do caminho, uma parada para ver a feira livre e comprar umas frutas em Poços. A tentação de comprar uma cabritinha bonitinha de 3 semanas de idade por apenas R$10,00 foi grande, mas felizmente a razão prevaleceu sobre a emoção.

Com tudo isso, fica a vontade de voltar lá mais uma vez, dessa vez para ver tudo debaixo do céu azul e sol forte, para ver o comércio e as demais minas de esmeraldas e para explorar as trilhas e cachoeiras da região.

As fotos estarão disponíveis em breve.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

Maracatús

Com algum atraso, finalmente eu disponibilizo uma edição das fotos da concentração de maracatús do Carnaval 2009 no Recife Antigo, conforme prometido numa postagem anterior. Para ver, é só clicar aqui.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Plugado

Dormir é uma experiência normalmente associada à economia e à reposição de energia do nosso corpo, entre outras coisas. Mas, no calor do alto sertão, é também uma experiência vinculada ao gasto de energia: da energia elétrica que sai das tomadas das paredes do seu quarto.

Eu, pelo menos, já não dispenso os meus apetrechos elétricos de sobrevivência noturna funcionando por horas à fio, ao redor da minha cama, todos os dias: ventilador, espanta muriçoca e umidificador de ar.

E, se você quiser, pode ainda adicionar à lista o aparelho de ar-condicionado. Outro dia, olhando para os lados, eu me senti (exageros à parte) mais ou menos como esse sujeito da foto: plugado para garantir a sobrevivência.

Há um certo alívio, mas o resultado nem sempre é garantido.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tourist Information 10 - Passeio diurno de barco

A mesma embarcação que faz o passeio noturno (Rio dos Currais, vide postagem abaixo), também faz esse passeio durante o dia. Todo domingo ela parte às 10:00hs da manhã do local habitual (a saída das barquinhas de Juazeiro) e segue numa jornada de subida pelo rio, passando por várias ilhas (Rodeadouro, Massangano, entre outras), até chegar na ilha da Amélia onde é feita uma parada, após cerca de duas horas de viagem, para os passageiros desfrutarem da água cristalina e refrescante.

Nesse meio tempo, pode-se desfrutar da vista das margens de ambos os estados. Pernambuco na margem direita, Bahia na margem esquerda. A alternância de tipos de moradia parece ser a marcada registrada desse trajeto. Belas casas, grandes mansões e lindos jardins decoram as margens em ambos os lados, assim como moradias bem humildes e áreas abandonadas. Eventualmente, um ou outro condomínio de luxo pode ser visto também.

Apesar do forte sol, é possível se proteger debaixo de umas faixas de pano coloridas colocadas na parte superior do barco, onde também estão as mesinhas e os passageiros, que conversam animadamente. Um rapaz acomodado no fundo liga o seu teclado e os seus alto-falantes, e garante o fundo musical da viagem que, dependendo da animação dos passageiros, acaba virando trilha sonora para embalos de um domingo pela manhã.

Ao chegar na ilha da Amélia, mesinhas, cadeiras de plástico e sombrinhas são transportadas pela tripulação para a água e para a areia, e aí você pode se instalar e tomar aquela cerveja gelada com os pés na água fresca. Além da cerveja, a tripulação disponibiliza petiscos e, um pouco mais tarde, um almoço self-service dentro do próprio barco.

O banho de rio nesse trecho é maravilhoso, a água é fria na medida certa e você pode caminhar que a profundidade é sempre pequena. A ilha em si é pequena e não tem muito a ser explorado. Mas se você convencer o Rogério, proprietário do barco, a te levar para um passeio de bote pelas redondezas, você poderá chegar até a desembocadura do rio Salitre, um lugar muito bonito onde a água parece um espelho. Dá vontade de seguir rio adentro para descobrir os seus segredos. De qualquer forma, dá para relaxar bastante, tomar muitos banhos de rio e desfrutar da linda vista durante a permanência na ilha.

Lá pelas 16:00hs, é hora de voltar para casa. Todo o material desembarcado já foi recolhido e estamos prontos para zarpar. Na volta estão todos cansados, pois o sol e a cerveja foram os senhores do dia. Mesmo assim o barco vai animado, a música tocando e, agora, o sol se pondo vai dando o tom quente das cores no final do passeio.

É sem dúvida um grande passeio. Se você estiver com o domingo disponível, não pense duas vezes. Ligue para o Rogério (telefone abaixo) e faça a sua reserva. Por apenas R$25,00, fora o almoço, as cervejas e os petiscos, você vai aproveitar bastante o seu dia, se divertir um bocado e ainda conhecer mais sobre o Rio dos Currais, também chamado de Nilo Brasileiro.

As fotos estão em http://www.marcusramos.com.br/passeiodebarco.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ele é o máximo!











Faz muitos anos, mas muitos mesmo, desde que eu comprei o meu primeiro LP dele. Acho que foi por indicação do Robson, que sempre tinha dicas boas para me dar, desde aquela época. O disco tinha um retrato dele na capa, usando um paletó verde sobre um fundo também verde ("Eu e o Tempo", Copacabana, 1977) e trazia músicas e coletâneas que já eram ou se tornariam clássicos rapidamente ("Feche este porta", "Sonhar contigo", "O relógio" e "Tão somente uma vez", entre outras).

Eu logo fiquei encantado com o estilo, o repertório e a originalidade dele. Virei fã de carteirinha instantaneamente, e mantenho essa condição desde então. De lá para cá ele virou assíduo das minhas festas e estava em todas as minhas seleções de músicas preferidas.

Pois hoje, depois de todos esses anos, eu tive a chance de assitir, pela primeira vez, a um show ao vivo dele. Foi na orla de Petrolina, como parte das comemorações do 5º Festival da Primavera.

Quase me faltam palavras para descrever o show. Creio que, dessa vez, as fotos poderão contar melhor a história. Ele é simplesmente sensacional e a emoção de assisti-lo ao vivo foi muito forte. Para começar, aquele repertório que é ao mesmo tempo clássico e atual, que balança com jovens e adultos da mesma forma. Além dos seus grandes sucessos, ele também cantou Lulu Santos, Roberto Carlos, Altermar Dutra e vários outros.

Não bastasse isso, em cima do palco o Adilson é pura energia e alegria, nunca vi coisa igual. Cantou e pulou como um adolescente durante uma hora e meia. Fez caras e bocas, arrebatou a platéia e colocou toda a sua paixão nos seus gestos e na sua voz. Ele é, mesmo, um eterno apaixonado.

E, para completar, ele foi acompanhado por banda extremamente competente, que soube mesclar arranjos clássicos com outros mais modernos, com grande segurança e brilho, o que garantiu o excelente resultado final da apresentação.

Fotografei o show inteiro com um sorriso que ia de uma orelha até a outra, muitas vezes arrepiado mesmo. Eu me senti transportado para uma das minhas antigas festas, e também para os momentos da minha vida que foram definitivamente marcados por esse artista tão especial.

Num certo momento do show ele agradeceu aos presentes por terem deixado que ele fizesse parte da história das suas vidas. Pois sou eu que agradeço, Adilson. Ter uma história de vida pontuada por artistas como você é uma alegria e um privilégio. Torço para que você tenha uma vida longa e sempre com muita energia. Você é o má-xi-mo!!

sábado, 19 de setembro de 2009

Tourist Information 09 - Passeio noturno de barco


Desfrutar de uma noite de queijos e vinhos a bordo de um barco que trafega lentamente pelas águas do rio São Francisco é um passeio que deveria estar na agenda de todo visitante de Petrolina e região.

O barco chama-se Rio dos Currais, e é um daqueles que faz diariamente a travessia entre Petrolina e Juazeiro, ao custo de R$0,80. Mas uma vez por mês, de noite, ele decora e transforma o seu convés superior para uma noite de gala e de confraternização entre os amigos do "Clube do Vinho", que pagam R$50,00 para fazer esse passeio diferente.

Pois é lá em cima, de onde se tem uma linda vista noturna da ponte e das duas margens do São Francisco, com as luzes de Petrolina e Juazeiro, onde são montadas as mesas para os convidados e onde são servidos os pães, queijos, espumantes, vinhos e brandys que garantem uma noite de relaxamento e diversão, especialmente se você estiver acompanhado pelos seus amigos. Os garçons são alunos do curso de enologia do Instituto Federal de Tecnologia do Sertão Pernambucano e por isso, além de muito atenciosos, sabem o que estão servindo e como estão servindo.

Ontem, em particular, o barco não trouxe música ao vivo para bordo, uma vez que na orla de Petrolina acontece o Festival da Primavera, com um grande palco montado junto ao rio, onde todas as noites se apresentam os artistas que animam as comemorações do aniversário de 114 anos da cidade (no próximo dia 21/09/09). Assim, dessa vez fomos embalados pelas águas do rio, pelas ondas do vinho e pelo som ao vivo do grande Geraldo Azevedo.

Por mais de quatro horas se estendeu o passeio, das nove da noite à uma da manhã, quando fomos devolvidos à margem de Petrolina. O embarque para o passeio noturno, no entanto, pode ser feito tanto em Petrolina quanto em Juazeiro, nos respectivos locais de embarque da barquinha que faz a travessia.

Para agendar, deve-se entrar em contato diretamente com o proprietário do barco, Rogério, que atende pelo telefone (74)8805.1809. Não há, inflelizmente, datas fixas para a realização desse passeio, que depende sempre de se conseguir reunir um número suficiente de interessados.

Mas vale a pena ligar para ele com antecedência e manifestar o desejo de subir a bordo. Quem sabe o próximo passeio coincide com o período em que você estiver por aqui, e assim você volta para casa com uma diferente e etílica lembrança do rio são Francisco. E não se esqueça de torcer para que a lua cheia também resolva aparecer.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tenda - 30 anos


(Foto de Eliane Pozzebon)

Tenda é o nome da Galeria de Arte dos arquitetos e promotores culturais Carolina e Cosme Cavalcanti, e ontem foi a festa de comemoração dos 30 anos da sua existência. Num espaço repleto de belas obras de artistas locais e regionais, como por exemplo as pinturas de Caboclo realizadas por Otoniel Fernandes e, para minha supresa, do próprio Cosme Cavalcanti, arranjador de mão cheia, foram recebidos os convidados para celebrar esta importante data.

Com apresentação da orquestra de Câmara do IFET do Sertão Pernambucano (a mesma que se apresentou na Festa do Tamarindo em Caboclo), lançamento dos livros de Wilton Souza (sobre a obra de seu irmão Wellington Virgolino) e de Marcos Cordeiro, discurso do prefeito Júlio Lóssio e presença de autoridades e personalidades da cultura (Geraldo Azevedo, ilustre petrolinense, estava lá para prestigiar o seu amigo Cosme), a festa trouxe ainda outra boa notícia para os presentes: o projeto de um futuro Museu de Arte Moderna e um Parque de Esculturas em Petrolina, numa ambiciosa e muito bem-vinda parceria entre governo federal, estado, município e iniciativa privada.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tourist Information 08 - São Raimundo Nonato


Visitar São Raimundo Nonato e conhecer as atrações que a cidade oferece faz parte indiscutível do roteiro de atrações turísticas aqui da região do Vale do São Francisco.

Com 31.880 habitantes, a cidade, que fica na beira do rio Piauí, é pacata, limpa e bem organizada. Mas é como porta de entrada para o Parque Nacional da Serra da Capivara que ela ganhou a sua fama, no Brasil e no exterior.

Esse parque, formado por cerca de 55 sítios arqueológicos, constitui um dos maiores, senão o maior, local de pesquisas e achados sobre a civilização americana primitiva. É lá, entre outras coisas, que estão sendo feitas as descobertas que poderão, no futuro, alterar radicalmente o conceito que se tem sobre as origens desse mesmo homem americano. Distante apenas 28 Km da cidade, esse é um passeio que precisa ser feito em diversos dias, pois a variedade de roteiros e atrações para serem visitados dentro do parque parece ser inesgotável. Dessa vez eu fui a trabalho, portanto não tive tempo de entrar no parque. Mas voltarei em breve, com toda certeza.

Na cidade de São Raimundo Nonato fica o campus da UNIVASF que oferece o curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial, o primeiro do gênero no país. E, ao lado do campus, o Museu do Homem Americano, idealizado e construído pela Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), coordenada pela pesquisadora francesa Niéde Guidon, que atua na região desde 1978.

Inaugurado em 1998, o Museu apresenta ao público os principais achados arqueológicos feitos até o momento no Parque Nacional, ao mesmo tempo em que ilustra, de forma didática, a história da evolução e da origem do homem americano desde tempos remotos. Recursos tecnológicos avançados são usados extensivamente em todos os espaços do Museu.

Dentro dele, nos curtos intervalos em que nos separamos da nossa viagem no tempo e no imaginário de épocas tão remotas, é difícil dizer se estamos em São Raimundo Nonato, São Paulo, Paris, Londres ou Nova Iorque. Pois o Museu não deve nada aos melhores do mundo, seja no conteúdo, na construção, na organização interna, na forma de contar tantas histórias ou na qualidade do atendimento. Um lugar de destaque internacional, sem sombra de dúvida. Além do espaço de exposição, fazem parte do lugar diversos laboratórios de pesquisa, um centro cultural, um anfiteatro, um auditório e uma loja onde é possível adquirir livros, CDs e outras lembranças que referenciam o Parque Nacional e o que já foi descoberto por lá.

Para mais informações sobre o Museu e a Fundação, clique em: http://www.fumdham.org.br/.

Distante 300Km de Petrolina, São Raimundo Nonato fica no sul do Piauí. Chegar lá é um exercício de paciência e resistência física pois, desses 300Km de estrada, mais da metade está totalmente destruída, tornando extremamente difícil a travessia. No geral, dependendo da disposição do motorista para agredir o veículo (e os passageiros) com os buracos da estrada, o tempo total de viagem ficará entre 4 e 5 horas, sem contar eventuais paradas.

Partindo-se de Petrolina deve-se pegar a saída para Casanova (BA) e seguir sempre em frente. Os primeiros 100Km são tranquilos, com asfalto em boas condições. A partir daí inicia-se o martírio de transpor os 150Km seguintes, formados por resquícios quase arqueológicos, quando existentes, de uma estrada que lá foi construída em tempos longínquos. Essa é a distância que nos leva, Bahia adentro, passando por Remanso, até a fronteira do Piauí. Fronteira essa, aliás, que marca o retorno do macio e confortável asfalto e traz alívio para corações e mentes desesperados. Depois disso, são apenas mais 50Km até São Raimundo Nonato. Desnecessário dizer que sinalização, locais para comer e beber, ou ainda para consertar um pneu furado, são praticamente tão frequentes nesse trecho quanto estações espaciais entre a Terra e a Lua. E que os animais soltos entre os carros poderiam quase formar um zoológico a céu aberto com 4 ou 5 espécies diferentes.

Mas nada disso importa quando a recompensa que se tem do outro lado é tão grande. Apenas evite ir de outra forma que não seja num utilitário e com ar-condicionado. E não se esqueça de tirar do armário aquela sua roupa de Indiana Jones. Você vai se sentir o próprio!

P.S. A estrada citada no texto aparece listada no Guia Quatro Rodas Bahia como uma das cinco piores do estado. "Fica do outro lado do rio São Francisco, onde parece que a estrada foi esquecida junto com os lugares por onde passa."

Anti-tucanês

Nunca frequentei, portanto não sei dizer se o sanduíche é bom. Mas, convenhamos, a sinceridade do proprietário é comovente.

sábado, 5 de setembro de 2009

Marcus viu a uva...

Depois de um ano e quatro meses, eu finalmente comecei a encontrar, em mercadinhos e supermercados locais, a famosa uva do Vale do são Francisco. Aquela, que de tão boa que é, a gente só toma conhecimento da existência pelo noticiário de jornais, revistas e TV. E a uva é de fato excelente. Verde, sem semente, grande e gorda, tenra, crocante e muito doce. Uma dávida, sem sombra de dúvida. "Será que andaram importando de algum país?", foi a minha primeira reação.

Mas hoje, no entanto, lendo com algumas horas de antecedência o jornal de amanhã, eu acabei encontrando a explicação para esse "fenômeno":

"Durante anos, colocamos para o Brasil apenas o que sobrava das exportações. Deixávamos o que não tinha qualidade e vendíamos para fora a melhor fruta. Hoje, reconhecemos que foi uma estratégia equivocada."

O depoimento é do vice-presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortifrutigranjeiros do Vale (Valexport), Arthur Souza, para uma reportagem publicada no Jornal do Commercio do dia 06/07/09, intitulada "O Vale agora mira o mercado interno". Que pode ser resumida nos seguintes termos: com a crise internacional, o preço da fruta lá fora caiu muito e agora a estratégia de sobrevivência desses produtores passa pelo mercado interno.

Já estava mais do que na hora disso acontecer. Faço votos de que os mercados, tanto o interno quanto o externo, se recuperem e que os produtores voltem a ganhar muito dinheiro. Mas rezo para que o aparecimento das boas uvas nos mercadinhos não seja apenas uma estratégia passageira, e que elas não nos digam adeus assim que as coisas melhorarem um pouco do outro lado do oceano. Enquanto isso, uva fresquinha na geladeira todos os dias!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Wordle


O de baixo foi feito por mim. O de cima foi feito pelo Wordle. Mais bonito esse, né?

Cartão de visita


Sinal dos tempos.

domingo, 30 de agosto de 2009

Tourist Information 07 - Caboclo


Caboclo é um distrito de Afrânio, município localizado ao norte de Petrolina, o último do estado de Pernambuco, praticamente na fronteira com o Piauí. Para chegar lá deve-se seguir por 110Km na rodovia que leva até Picos e Teresina e, chegando em Afrânio, seguir mais 9Km até chegar em Caboclo.

Caboclo é um povoado com características especiais. Fundado há cerca de 200 anos, ele conta um uma igreja bastante simpática, o Museu do Pai Chico, um mirante e várias atrações que justificam a visita.

O ponto alto são as casinhas coloridas e organizadas nas laterais de um retângulo perfeito, que deve ter algo como uns 200m de comprimento por 50m de largura. No meio dele, um amplo espaço de chão batido e um piso de concreto no meio dele que não ocupa toda a área, sempre disponível para uma grande festa que acontece no mês de dezembro. Quando ela não acontece, essa grande área serve como um terreno comum que interliga todas as casas ali construídas, e vira espaço de convívio social dos moradores, a maioria deles com as mesmas raízes familiares.

Também nessa área é que ficam três imensas tamarineiras, a mais velha delas com cerca de 150 anos. Debaixo delas, e sob a proteção das suas folhas, os moradores e os visitantes sentam em bancos de madeira, põem a conversa em dia, armam a sua rede e estacionam os seus carros.

Tudo começou, num passado muito longínquo, com o Pai Chico, patriarca de várias famílias e com quem todos por lá tem, de um jeito ou de outro, alguma ligação. Em sua homenagem foi erguido um museu muito interesante, bem organizado e bem cuidado. Lá estão preservados os objetos e a memória da vida sertaneja, em particular dos moradores da região, descendentes ou não, mas que doaram os seus pertecentes para ajudar a preservar uma memória de que outra forma acabaria desaparecendo. Destaque para o mobiliário doméstico, para os inúmeros outros objetos, fotos e utensílios. Gostei muito de uma carta manuscrita, um pedido de casamento feito por um noivo para o pai da noiva em 1923. Um formalismo e um cerimonial que hoje em dia já não existem mais, mas que são reveladores sobre os hábitos da época.

Além do museu, o visitante pode subir até o mirante, uma subida de encosta com duração de cerca de 30 minutos a pé a partir do centro do povoado, e defrutar de uma linda vista de toda a região, inclusive da chapada que está situada do outro lado da fronteira, no Piauí. Lá em cima, um cruzeiro em cuja base são depositados os votos do fiéis que receberam curas milagrosas (reproduções em madeira de partes do corpo humano). Descendo pelo outro lado do povoado há uma trilha que leva até duas lagoas e também pelo meio de um mato seco, mas cheio de lindas paisagens.

Para conhecer mais sobre Caboclo, as suas histórias e a sua tradição, clique em http://www.caboclo.org.br/.

Dá para ir e voltar no mesmo dia, mas fica um pouco puxado. Para aproveitar melhor, pode-se ficar na única pousada que existe por lá, a Pousada Caboclo, que cobra R$30,00 pelo pernoite, café da manhã sertajeno incluído. Ou, então, voltar alguns quilômetros na estrada e dormir em Afrânio mesmo.

Não bastassem tantas coisas interessantes para se ver por lá por si só, nesse final de semana aconteceu ainda a 6ª Festa do Tamarindo, organizada pela Comissão de Revitalização do Caboclo, e que teve como objetivo promover o povoado em torno dessa azeda mas deliciosa fruta.

Na noite de sábado, em frente à igreja, houve uma apresentação da Orquestra de Câmara do Instituto Federal de Tecnologia do Sertão, formada por garotos e garotas, estudantes de áreas diversas, mas que possuem em comum a paixão pela música e a batuta de um maestro obstinado em levar música de qualidade pelo interior do nordeste. Numa barraquinha ali do lado, a D. Lourdes vendia ótimos doces de tamarindo e de umbu.

Hoje de manhã foi a vez dos repentistas, do legítimo forró pé-de-serra e do concurso de receitas culinárias à base do tamarindo, cujo resultado foi anunciado em versos pelos próprios repentistas. Tudo isso prestigiado pelo Prefeito de Petrolina em pessoa, por autoridades da política, por personalidades importantes da região, pela TV Globo, e, principalmente, pelo arquiteto Cosme Cavalcanti, o nome que está por trás de toda essa agitação cultural e que não mede esforços para tornar Caboclo um destino turístico digno de ser visitado por todos que apreciam e valorizam a cultura e as tradições sertajenas.

Clique no link para ver vídeo sobre a 6ª Festa do Tamarindo em Caboclo, veiculado no Globo Rural.

Naturalmente, eu voltei com um bom material fotográfico. Tão logo tenha terminado de editar e tratar, publicarei o link para as imagens em outro post.

Em tempo: também fazem parte de Afrânio os distritos de Caveira (!) e Arizona (!!!). Não são só eles que tem o seu "Paris, Texas". Nós aqui competimos com o nosso "Arizona, Pernambuco".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Back to Juazeiro


Novas fotos de Juazeiro. Dessa vez também numa tarde de domingo, porém numa tarde ensolarada, com céu azul e direito a pôr-do-sol. Para ver, é só clicar em: http://www.marcusramos.com.br/juazeiro2/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gosta de... música?!?!!?

Uma das coisas mais estúpidas que eu vejo no nordeste, especialmente no interior, é o que se chama por aqui de "som automotivo", termo que designa automóveis de passeio e utilitários forrados de alto-falantes e amplificadores, normalmente ocupando todo o espaço do porta-malas ou do bagageiro, e que transmitem som em altíssimo volume, com potência comparável à dos equipamentos usados em shows ao vivo realizados em locais públicos.

Uso típico: andar por aí com as janelas do carro e a tampa do porta-malas aberto, o som no último volume, e, assim, impor a sua vontade e o seu mau-gosto para pedestres e moradores de casas e edifícios que estejam no caminho. Ou, então, estacionar num local bucólico, como um parque ou uma praça onde exista um bar e um lugar para sentar, e infestar o ambiente com a sua poluição sonora, atrapalhando e geralmente inviabilizando a conversa e o sossego dos outros.

Arrogância, prepotência, falta de educação, egocentrismo e falta de respeito são apenas alguns termos que me ocorrem agora para tentar qualificar os donos e os usuários desse tipo de equipamento. Sem contar, é óbvio, o apurado mau gosto mas escolhas musicais que se ouve por aí. Mas isso não importa e nem faz diferença. Penso que, se existe uma coisa boa nesse tal de "som automotivo", é que a gente pode, com grande facilidade, rapidez e segurança, determinar traços fundamentais da personalidade dos tais "motoristas".

A novidade é que agora não são mais apenas as iniciativas isoladas que contam. A tribo do som automotivo resolveu se reunir e está organizando o 1º Encontro de Som Automotivo, que vai acontecer em Juazeiro nos próximos dias 19 e 20 de setembro, com direito a competições e tudo mais. Não quero nem estar perto e tenho pena de quem não puder se afastar, de preferência para bem longe. Se você estava procurando um bom motivo para viajar nesse final de semana, acabou de encontrar.

sábado, 22 de agosto de 2009

Calorzinho



Conforme previsto, essa semana ligaram a fornalha. O calor está in-su-por-tá-vel. O ar do ventilador queima o rosto. Impossível sair na rua durante o dia, quase impossível dirigir e dormir sem ar-condicionado e outros apetrechos. E os "bros" ainda nem chegaram (setembro, outubro, novembro e dezembro). A coisa deve, portanto, piorar mais um pouco nas próximas semanas. Bom para quem vai para o inferno, porque já chega lá acostumado com o clima.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Onipresente


A França tem a Torre Eiffel e o Museu do Louvre, o Rio de Janeiro tem o Pão de Açúcar e o Corcovado, os Estados Unidos tem a Estátua da Liberdade, o Egito tem as pirâmides, a Índia tem o Taj Mahal, São Paulo tem o Masp, enfim, todo mundo tem o seu cartão postal. E Pernambuco também tem vários, entre eles um leve e bem colorido... clique aqui para ver!