terça-feira, 28 de junho de 2011

Tourist Information 21 - Forró da Espora

Finalmente eu matei a curiosidade que já me acompanhava há algum tempo e fui conhecer o famoso Forró da Espora, organizado pela prefeitura e realizado na noite no dia 25/06, no estádio municipal da cidade. A história desse forró é a seguinte: os vaqueiros, que chegam em Petrolina vindos de vários estados para a Missa do Vaqueiro, realizada no dia 26/06, participam da festa na véspera. No final, eles tomam o café da manhã no próprio local e saem em desfile pela cidade até a orla, onde acontece a missa.

Tinha tudo, portanto, para ser uma genuína festa de São João, o que de fato aconteceu. Organizada numa área de chão batido, próxima ao campo de futebol, a festa foi contagiante, pelo menos para mim, que pela primeira vez me senti participando de uma genuína festa junina do interior do nordeste em Petrolina. Sensação igual eu só tinha experimentado, até então, no São João de Senhor do Bonfim (veja postagem).

Se o evento principal da cidade de Petrolina nesse período cresceu em tamanho e já ousa querer disputar com Caruaru e Campina Grande o título de maior festa do nordeste, o fato é que esse tipo de festa, pelo menos para mim, não tem nada de São João e, exceto por algumas bandeirinhas coloridas penduradas aqui ou acolá, em nada difere das outras dezenas de festas que acontecem ao longo de todo o ano na cidade e na vizinhança. Senão vejamos: com uma programação de shows que teve início no dia 22 e se estenderá até o próximo dia 30, ela acontece numa área de 17.000 metros quadrados, é servida por dezenas de bares e restaurantes com todo tipo de comida e bebida (não necessariamente juninas), possui uma mega-estrutura formada por dois palcos super-equipados, tem boate e camarotes privados para os mais abastados, e, é claro, com raríssimas exceções (como é o caso de Matingueiros, Samba de Véio e Elba Ramalho), conta com a apresentação de bandas de gosto oscilando entre o péssimo e o duvidoso. Tudo isso, naturalmente, apoiado por um amplo esquema de divulgação em todo tipo de mídia, eletrônica e impressa. Apesar do caráter comercial, deve-se reconhecer o investimento feito e a boa organização do evento por parte da prefeitura. Um prato cheio, para quem gosta, e que aparentemente veio para ficar pelos próximos anos.

Mas com o Forró da Espora foi diferente. De um lado havia o ambiente, intimista e lembrando uma festa de interior de verdade, decorado com profusão de bandeiras e balões. Do outro havia a música de forró legítima, com trios acústicos se alternando no palco de pequenas dimensões - a performance do Rochinha da Paraíba, por exemplo, foi sensacional. Mas nada disso teria sentido se, do lado de baixo, casais não dançassem animadamente ao som daquela música tão contagiante. Dava realmente gosto de ver, e a sensação que se tem é aquela que a gente não sabe explicar num primeiro momento mas que, quando sente, é porque sabe que está presenciando algo que faz sentido sob vários pontos de vista, especialmente o cultural. Entre os participantes, muitos vaqueiros com suas roupas e chapéus de couro e pessoas humildes com suas roupas simples e espontaneidade visível. Nenhum desfile de moda, nada fake, nada eletrônico, nada forçado, nada de plástico. Tudo muito genuíno e, portanto, bonito e tocante. Não fiquei até tarde pois na manhã do dia seguinte lá estaria eu novamente a postos para fotografar aqueles mesmos vaqueiros chegando para a missa na orla. Eles viriam diretamente da festa, mas eu precisava dormir um pouco antes. De qualquer forma, vontade de passar a noite acordado contemplando tão bonita festa do interior não faltou. Tampouco faltou inspiração, como sugere o nosso amigo aí de cima. Ano que vem estarei lá, sem falta, e desde já recomendo para todos os que se interessam pelas tradições e manifestações genuínas da nossa cultura.

Para ver algumas fotos dessa noite, clique aqui.

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