domingo, 29 de junho de 2008

Missa do Vaqueiro

Hoje foi o dia da Missa (ou Festa?) do Vaqueiro. O evento, realizado num terreno descampado na orla do rio, reuniu um bocado de gente. E um monte de vaqueiros também, muitos deles com as suas roupas típicas de couro. Uma missa tradicional, realizada pela sexagésima-primeira vez.

Muita gente na rua. E muitos cavalos também. Fiquei intrigado. Não sei de onde de repente apareceram tantos cavalos na cidade. Será que as pessoas guardam os seus cavalos na garagem de casa? Tava difícil de andar. Não só por causa da multidão, mas também por causa dos volumes abandonados no chão das ruas e das calçadas pelos bichinhos. Um perigo.

Por conta da festa, eu bati um recorde nesse final de semana. Ouvi forró hoje das 9:00 da manhã até às 17:00hs, sem interrupção. Em alto e bom som dentro de casa, naturalmente. Agora parou. Mas daqui a pouco começa a festinha da igreja. E mais forró. Ontem foi forró até meia-noite. Como se gosta de forró por aqui.

Ainda existe

Finalmente uma festa junina bacana de se ir. Nada de mega-produções, mau-gosto, música eletrônica ou barracas montadas especialmente para se atender os bêbados de plantão. Ao contrário.

Trio de sanfona, zabumba e triângulo, tocando de forma discreta e animada. Uma quadrilha imensa e super divertida. Comidinhas ótimas (milho, bolo de pé-de-moleque etc), gente vestida à caráter e brincadeiras típicas. Pessoas agradáveis e de bom astral. Legal mesmo. E para mim, melhor ainda: é só descer para a rua e já estou dentro da festa. Fui com o Edmundo (meu colega de Univasf e recém-chegado de Marília) e a esposa. Hoje vou de novo.

Acho que o São João que restou nos dias de hoje é esse. Festinhas de igreja ou nos sítios distantes de pessoas que ainda zelam pela tradição. Parece que em algumas cidades pequenas também ainda existe alguma coisa. Mas nas metrópoles, ou pelo menos nas "pretensas metrópoles", as festas oficiais são a expressão da maior e mais pura mediocridade. O negócio é ser "moderno". E tome Calypso, Gatinha Manhosa, Leonardo, Zezé de Camargo e Luciano e companhia.

sábado, 28 de junho de 2008

Arraiá Missionário com São Pedro

"Aos Paroquianos da Rainha dos Anjos

A Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Anjos realizará, no próximo dia 28 e 29 de junho/2008, o "Arraiá Missionário com São Pedro". É a grande festa junina das famílias católicas de nossa Paróquia que, em clima de congraçamento, promovem o "Arraiá Paroquiá", na praça ao lado da nossa Igreja Matriz.

Com esse evento, pretendemos além do encontro fraterno e amigo das famílias, arrecadar recursos financeiros destinados à manutenção do Templo e investimentos pastorais e missionários.

Portanto, solicitamos a V.Sra., presença e contribuições, elementos importantes para organização e sucesso da festa junina de nossa Paróquia.

Com os nossos agradecimentos,
Atenciosamente,
Pe. Francisco Augusto S. de Macedo
Reitor da Igreja Catedral e Administrador Paroquial"





Estão todos convidados.

domingo, 22 de junho de 2008

São Feriadão

Programa de feriadão: cuidar do Francisco (o gato do meu colega) de dia, matar mosquitos em casa de noite, assitir filmes na TV (vi um do Frtiz Lang ontem e outro da Bette Davis hoje), fazer ginástica na varanda enquanto ouço a missa da igreja ao lado, e escrever mais para o livro. Eu, que já tinha dado esse livro por encerrado quando cheguei aqui, não paro de ficar tendo novas idéias e de ficar escrevendo coisas novas e revendo coisas antigas. Tempo livre faz essas coisas com a gente...

Ontem resolvi dar uma passada lá no "Pátio do Forró", o local onde acontece a comemoração oficial do São João na cidade. Fiquei 10 minutos e fui embora. Tempo suficiente para ver que de São João só há o nome. Da comida que é vendida (churrasquinho de gato e mais nada. Pé de moleque, milho verde, essas coisas? Nem sonhar...) à música que é tocada (da pior espécie possível, anos-luz de distância daquela que associamos às festas juninas...), não há nem vestígio do São João que a gente aprendeu a reconhecer. A mediocridade grassa.

Amanhã eu vou conhecer uma ilha do rio que fica nas redondezas, com dois professores colegas meus. Dizem que é legal etc e tal. A "praia" da região. Depois eu conto.

Segunda e terça, naturalmente, são feriados por aqui. A festança vai até o domingo da semana que vem, com shows todas as noites. E na outra semana, para quem não acredita, tem mais um feriado: independência da Bahia. Outra oportunidade para eu continuar diminuindo a população de mosquitos da cidade. Ou para escrever uma nova seção para o livro que nem existe ainda.

sábado, 21 de junho de 2008

Oásis

Na segunda-feira, dia 16, foi inaugurada a loja do Makro em Petrolina. Ontem, dia 20, de noite, eu fui conhecer.

Fiquei perplexo. Não esperava encontrar nada parecido por aqui pelos próximos anos. É uma loja grande, moderna, com imensa variedade de produtos, tudo muito bem organizado e limpo. Diferente de tudo que existia até então por essas bandas. Minhas preces foram ouvidas!

Quando entrei na loja me senti como um cowboy do velho oeste americano que vê pela primeira vez uma locomotiva a vapor se aproximando da nova estação de trem da cidade. É a modernidade chegando. Se eu me senti assim, imagino como o restante da população deve ter se sentido. A loja estava lotada e as filas eram grandes.

Finalmente consegui comprar uma fatia de queijo provolone. Encontrei até macarrão italiano Barilla!! Preciso voltar com calma para poder conferir tudo, mas já sei que as condições de permanência aqui melhoraram, e muito.

Acho que os outros empresários do setor na cidade devem estar bem preocupados. Na minha modesta opinião, acho que não vai sobrar ninguém para contar história.

Infelizmente as frutas e as verduras não são diferentes das que a gente encontra nos demais lugares, mas isso também já seria pedir demais. Vamos aos poucos. Em compensação, encontrei muitos DVDs ótimos por apenas R$4,90 cada - Fassbinder, Fritz Lang, Jacques Tati e outros.

Dizem que as Lojas Americanas estão considerando retornar à cidade. Espero que o exemplo do Makro ajude-os a tomar uma decisão favorável rapidamente.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Arraiá do mosquito

Não sei como eu ainda não peguei dengue. Todas as noites eu sou mordido inúmeras vezes. A última coisa que eu me lembro todas as noites, antes de pegar no sono, é estar me coçando nos pés e nas mãos por causa de alguma picada. Nem o ventilador virado prá cama ou aquele aparelhinho que a gente põe na tomada estão resolvendo a parada.

A cidade não tem saneamento básico. Pessoas próximas contraem dengue. Terrenos baldios existem em toda esquina e não faltam poças de água para alimentar os bichanos. Até na margem do rio existe muita água parada.

Hoje a festa vai ser grande. É inauguração do São João "oficial" da cidade. A "música" (sim, eles chamam isso de música) já está num volume insuportável lá fora - e aqui dentro também, abafando o som da TV. E podem ter certeza: essa "música" não tem nada a ver, absolutamente nada, com o tipo de música que se costuma associar tradicionalmente ao São João.

Vai ser uma longa noite, com muita mordida de mosquitos e "música" alta até de madrugada. Eu sigo em frente, pagando os pecados passados e zerando as minhas dívidas com os "homens" lá de cima...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Rádio pela Internet

É uma grande invenção. Tenho curtido muito ligar o meu computador e poder "sintonizar" a Cultura FM de São Paulo. Ouvir as músicas que fazem a minha cabeça. As pessoas que falam do jeito que eu falo. Os assuntos que merecem ser discutidos. O jazz no final da noite. O programa do Almeida Prado de música contemporânea, e tantos outros que não eu não conseguiria esgotar nesse post. Enfim, o velho e bom banho diário de cultura que a gente se acostuma a ter e acaba até se esquecendo de agradecer por ele existir. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, eu agradeço à Cultura FM de São Paulo por ela existir. E por transmitir pela Internet.

E não pára por aí. Tem também a CBN-SP, a BandNews-SP e a Kiss FM. Nada como poder saber como está o tempo, o trânsito nas marginais, o tamanho do congestionamento na cidade no final do dia ou o engarrafamento da avenida Paulista. Ouvir a voz do Carlos Alberto Sardenberg, os comentários da Miriam Leitão e saber o que entra em cartaz no circuito cultural da cidade. Até o refrão das rádios é pura música para os meus ouvidos. Boas vibrações.

Thanks God!

domingo, 15 de junho de 2008

McBode

Antes que alguém pergunte: aqui não tem Kopenhagen. Aliás, tem um supermercado que vende chocolate na seção de frios, dentro de uma geladeira. Alguém consegue imaginar o motivo?

Não ter Kopenhagen é ruim, com certeza. Mas não ter McDonalds é ótimo. Acreditam nisso? Não tem McDonalds nem em Petrolina nem em Juazeiro!! Que delícia. Não achava que houvessem cidades no mundo que tivessem sido poupadas, mas encontrei logo duas. Meio milhão de habitantes e nem vestígio. Nem no shopping tem.

Mas as coisas mudam. Qualquer dia desses alguém abre uma franquia e, para ficar bem de acordo com o espírito da terra, vai colocar em destaque no cardápio a especialidade regional: McBode com saquinho de macaxeira frita. Vamos aguardar para ver.

Outro dia fui comer um "meio-bode" em Juazeiro. Tava bom, realmente. Meio bode para duas pessoas mais dois refrigerantes, tudo isso por dezesseis reais. Oito reais prá cada um. E o bode não era bode, era carneiro. Como na maioria dos restaurantes que são especializados em bode por aqui.

Vida social

Sexta-feira de noite: festa de São João da Assunivasf, a associação dos funcionários da Univasf. Boa oportunidade para estreitar as relações com os colegas de trabalho.

Sábado de noite: festa de aniversário de um ano do filho de um colega professor. Outra boa oportunidade para estreitar as relações com os colegas de trabalho.

Domingo: almoço na casa de um colega professor: uma bela macarronada, papos sobre São Paulo (ele e a mulher são de Marília e, como eu, também estão desbravando "Jualina") e sempre um pouco de conversa sobre o trabalho também.

Programa para o feriado de São João: cuidar do Francisco, o gatinho do meu colega professor que vai ficar sozinho enquanto ele viaja.

Não me queixo não. São pessoas legais e é bom conviver com elas. E também já não fico tão sozinho como nos primeiros tempos. Mas espero conseguir diversificar o meu círculo social nos próximos meses para além dos colegas de trabalho e dos gatos.

O reitor é uma pessoa que ainda me chama a atenção. Presente na festa da associação, ele veio até a minha mesa, conversou, perguntou como eu estava indo e ainda me convidou para dar uma passada na sala dele qualquer hora dessas. Parece ser um cara legal.

domingo, 8 de junho de 2008

Musicalidade

É raro o momento em que se pode estar em casa tranquilo, desfrutando da paz doméstica. Pelo menos aqui aonde eu moro, o ar está quase que permanentemente contaminado com ruídos oriundos das caixas de som espalhadas nas ruas pelos festeiros, pelos ambulantes, pelos botequeiros, pelos automóveis e pelos desocupados que não tem nada para fazer na vida a não ser infernizar a vida dos outros.

Sempre tem um "tum-tum-tum", uma batucada, um forró, alguma voz estridente, alguém exalando para as redondezas um som que penetra por baixo das portas, que atravessa as paredes e que te faz lembrar que a mediocridade domina o entorno.

No último domingo foi pior. Das 17 às 20hs eu tive que aturar um carnaval (ou forró?) fora de época aqui na vizinhança. Parecia que estavam todos - trio elétrico, caixas de som, gente histérica - dentro da minha sala. Para poder acabar de corrigir umas provas eu precisei ir para a universidade. Voltei para casa só depois da meia-noite.

Na terça-feira eu cheguei de viagem uma hora da manhã, depois de passar o dia no Recife. E entro em casa escutando, em alto e bom som, Asa Branca, do Luiz Gonzaga. Outro carnaval (ou forró?). Em plena madrugada de terça para quarta-feira. Liguei para a polícia, é óbvio, e escutei como resposta que, além de autorizado pela prefeitura, o evento iria até às seis horas da manhã. Se eu não estivesse satisfeito, que reclamasse com a promotoria.

Quer sossego? Vem morar aqui. Gosta de festa e não tem que trabalhar no dia seguinte? É aqui também.