segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tourist Information 20 - Jecana do Capim

Pelo menos para o locutor oficial não restava dúvida: aquele era, inquestionavelmente, o maior evento jeguístico (sic) de todo o país. Ele estava se referindo à 40ª Jecana do Capim, realizada ontem no povoado do Capim, distante 20Km do centro de Petrolina na direção da saída para o Recife.

Trata-se uma corrida de jegues e jumentos que começou como uma brincadeira em 1971, mas que hoje alcançou o status de evento regional de grande importância, que atrai competidores de todo o Brasil, seus melhores animais e jegue-jóqueis, assim como uma multidão de curiosos, estimada em vários milhares, além da própria comunidade rural do Capim que sedia a festa.

Com duração de três dias, a festa começou na sexta-feira, contou com barracas de todos os tipos, shows ao vivo (de forró, é claro) e teve o seu ponto alto justamente no domingo de manhã, quando os competidores se alinharam para disputar os bons prêmios em dinheiro e os visitantes se acotovelaram para garantir momentos de boa diversão. Prefeitos e deputados também estiveram presentes, distribuindo bonés e disputando um título paralelo, o daquele que mais esforços fez para que a festa pudesse acontecer. Também estava sendo comemorado o asfaltamento da via de acesso ao Capim, que ao longo do dia mais me parecia a rodovia Imigrantes em véspera de feriadão, tamanho era a fila dos carros daqueles que ainda queriam participar da festa.

E tudo isso apenas por uma corrida de jegues? É claro que não! Houve também o jeguefashion, um concurso onde as melhores fantasias (do jegue, é claro) são premiadas por um júri especializado. Tudo muito interessante e pitoresco, pelo menos para mim que nunca havia participado de uma Jecana. Pitoresco que começou com algumas figuras diferenciadas que frequentavam o local, passou pela obervação do locutor de que "graças ao bom trabalho da polícia militar não temos registros de mortes, nem tiros ou facadas", e chegou ao inusitado camelo que, coitado, suava em bicas enquanto era apresentado para a comunidade local debaixo de um calor de rachar.

Mas o ambiente era o melhor possível, a festa foi muito legal e eu recomendo para todos que queriam conhecer algo de diferente na região. Os jegues e jumentos eram, sem dúvida, os mais bonitos e saudáveis que eu já vi em toda a minha vida, e com toda a razão - a festa era deles!

3 comentários:

Gizelle disse...

Temos um povo totalmente hibrido.Essa primeira foto mostra isso.Somos feitos de Brasil e suas belas diferenciações.
Boas fotos.

Marcus Ramos disse...

É verdade, Gizelle. Deputado e peão, rico e pobre, chique e simples, jegue e camelo, a festa era puro contraste. Assim como o Brasil. Obrigado!

Paulo Ferreira disse...

Quem sabe com a Jecana as escolas passem a incluir em seus conteúdos escolares a importância dos Muares para a nossa história e civilização. Que jegues, jericó, asno, burros e mulas carregaram as pesadas gargas da colonização brasileira, que sem eles certamente muito ainda estaria por fazer. Muares fazem parte do cerne de nossa cultura é importante que estes amigos tenham o reconhecimento que merecem, porque já fazem parte da história sem nunca serem mencionados.
Quem sabe os Muares ainda tenham o ressarcimento que historicamente lhe é devido.
Paulo Ferreira.