sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mestre Luiz Baiano

O programa de TV é nacional mas o patrocinador é regional. Logo depois do Jornal Hoje, o locutor anuncia:

"O Videshow que você vai assistir agora é um oferecimento de... Mestre Luiz Baiano, o Espírita da Verdade"

Nada contra, mas a gente que não está acostumado com esse tipo de patrocinador acaba sempre se surpreendendo quando a mensagem passa na TV, ainda mais na TV Globo.

Para quem quiser conferir, é só acessar http://www.mestreluizbaiano.com.br/index.html. Seus serviços vão de tenda espírita de consulta até bola de cristal, búzios, passes mediúnicos e horóscopos.

O negócio deve ser bom, pois ele atende em Petrolina, Uauá, Caruaru, Garanhus e Serra Talhada. Business is business, e a mídia está aí para ajudar os business men.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Tome feriado

Hoje é Dia do Comerciário (no Brasil inteiro ou só aqui?), e por conta disso nenhuma loja abriu em Petrolina ou Juazeiro. Nunca reparei, mas será que em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade do gênero o comércio também fecha nesse dia? Imagino que não. E como não são só os comerciários que são filhos de Deus, segunda-feira da semana que vem é o Dia do Funcionário Público. Um bocado de gente (inclusive eu...) vai aproveitar. Aqui tem prá todo mundo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sr. Raimundo

Você sai do trabalho às 18:00hs e, depois enfrentar um trânsito pesado, consegue chegar em casa, exausto, às 18:50hs. Você saiu de Perdizes e foi para o Itaim? Trabalha no centro e mora no Morumbi? Nada disso, você só tem que atravessar uma ponte que separa o campus de Juazeiro da UNIVASF do centro de Petrolina. No total, o trajeto tem 3,5Km. Felizmente eu tenho as fitas-cassete do Robson para ouvir no carro e consegui, hoje, me distrair um pouco ouvindo BB King, Jimmy Hendrix e The Doors, entre outros.

Dá até vontade de deixar o carro em casa e ir a pé. Mas isso eu não faço, por dois motivos.

Primeiro, porque preciso do carro para poder ir almoçar todo dia. Sem ele, eu teria que caminhar uns 20-30min sob um sol de derreter para ir até algum restaurante, e depois outro tanto para voltar. No way. Segundo, porque o risco de você ser atropelado por algum dos inúmeros vândalos que conseguiram carteira de motorista em Juazeiro é muito grande.

Que o diga o Sr. Raimundo, porteiro do campus Juazeiro da universidade e recém-falecido. Atropelado por um carro desses na rua, ele foi atendido na rede pública de saúde da cidade. Mesmo sem movimentos nas pernas, ele foi liberado pelo médico local. Como ainda não se sentia bem, foi transferido pelos familiares meio que às pressas para Salvador. Lá, infelizmente, os médicos não tiveram condições de resolver os problemas decorrentes dos ferimentos internos causados pelo acidente de alguns dias atrás.

Esses são alguns dos riscos e das desvantagens de se morar numa cidade pequena. As vantagens eu ainda não consegui descobrir. Sinto muito pelo Sr. Raimundo.

Bendito bode

O "Bode Assado do Papa´s" (sic) ocupa uma área a céu aberto, um pouco abaixo e exatamente ao lado do prolongamento da estrada federal que liga Juazeiro e Petrolina, próximo da ponte. Fica mais ou menos perto do campus e numa área que deve ter sido utilizada, no passado, como praça pública. Lá estão as mesas e cadeiras de plástico para os clientes, a mesa de aço onde os bichanos são limpos, o "armário" de tela onde ficam expostas as carnes já limpas e o lugar do churrasqueiro, envolto numa nuvem permanente de fumaça e rodeado de pilhas de espetos de bode já assados ou por assar. Um bom cenário de filme, com certeza, inclusive pela freqüência.

Pois é lá que se almoça de vez em quando. Sexta-feira passada foi um dia desses. Eu e mais quatro colegas professores comemos bode assado à vontade, acompanhado por arroz, feijão, macaxeira, um tomate picado e mais alguma coisa. Para beber, refrigerantes.

A carne estava ótima, bem passada e temperada (na verdade, é o tal do carneiro). Um bom almoço por um preço melhor ainda:R$ 42,00 a conta. Ou seja, R$8,40 para cada um. Uma excelente relação custo/benefício. Mas não acredito que a prefeitura de Juazeiro tenha feito alguma inspeção sanitária no lugar. E, se fez, isso não deve fazer diferença nenhuma. O jeito é relaxar, gozar e esperar que o Homem lá de cima não tire os olhos da gente aqui de baixo...

Mudança de hábitos

Eu já visitava o Kibeloco, lia o José Simão e via uns vídeos divertidos na Internet de vez em quando antes de vir prá cá (aliás, uma coletânea bem legal desses vídeos está no meu orkut). Mas, passados 6 meses, a necessidade de humor ficou maior e agora essas coisas passaram a fazer parte da minha vida cotidiana, tornando-se quase indispensáveis para a manutenção de uma rotina mais leve e saudável. Rir sozinho, fazer ginástica em casa e andar de bicicleta pela periferia da cidade parecem ser os melhores remédios para conseguir carregar essa cruz.

Além disso, eu nunca vi tanta TV Globo (a única que pega aqui em casa) na minha vida. Noites e finais de semana inteiros, exceto quando saio para fazer alguma coisa. Não que eu preste atenção em tudo, aliás não presto em quase nada, pois estou sempre trabalhando no computador, fazendo ginástica, lendo, cozinhando ou fazendo qualquer outra coisa ao mesmo tempo. Então a TV fica como pano de fundo, só prá dar um pouco mais de vida na casa. Futebol, Faustão, Fantástico, novelas, um bocado de coisas que eu não gosto (e continuo sem gostar...) e nunca via , agora são a minha "família", ou seja, preenchem os vazios da minha casa e da minha vida, conseqüentemente.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Tourist Information 03 - Dunas do Velho Chico

As Dunas do Velho Chico são mais uma daquelas atrações turísticas maravilhosas que existem no nordeste, mas que ainda são quase que completamente ignoradas por tudo e por todos.

Quem poderia imaginar que, após andar cerca de 900km em direção ao interior, vindo do litoral, no extremo norte da Bahia, depois de Pernambuco e quase na fronteira com o Piauí, numa região castigada de toda forma pela seca, seria possível encontrar um lugar em que você se sente como se estivesse numa daquelas praias paradisíacas do litoral? Pois a paisagem ampla, a areia branca e macia, as dunas, a água limpa e cristalina e o vento suave soprando no rosto não deixam outra sensação senão essa mesma. "Puxa, é mesmo, esqueci que eu estava no interior!"

O acesso, prá variar, não é dos mais fáceis. Eu já havia tentado ir uma vez, com o Leo em julho, mas desistimos pela dificuldade em achar o lugar. Dessa vez eu e a Malu fomos com a Bárbara, uma mineira especialista em uvas que conhece a região como a palma da mão dela.

Você sai de Petrolina pelo aeroporto, passa por Santana do Sobrado e depois por Casanova, já na Bahia. Cerca de 50km depois de Casanova há uma entrada à esquerda, com uma placa enferrujada sinalizando "Dunas do Velho Chico". É quando você sai do asfalto e entra numa estrada de terra e pedras. A partir daí são 18km até o acesso às dunas, e é onde a aventura de fato inicia.

A paisagem ao longo dessa estradinha é quase lunar. Terra seca, pedras, galhos e árvores secas, um bode ou outro vagando pelo caminho e quase nenhuma alma viva (além dos bodes). Aridez total, cenário de "Deus e o Diabo na Terra do Sol".

Não existe muita dúvida sobre qual caminho seguir, exceto por uma bifurcação na qual, naturalmente, não existe nenhuma orientação. Entre à esquerda e tudo vai dar certo. Não tenho a menor idéia de onde você iria parar se fosse em frente. Obrigado, Bárbara!

Quando a estradinha acaba (18km exatos), você se depara com um portão de madeira. Estacione o carro, pegue as suas coisas, tire o tênis e atravesse o alagado que o separa do caminho que o leva até as Dunas. E isso é muito bom, porque você já começa a caminhada com os pés refrescados. Atravesse uma porteira de ferro e, depois de menos de 1km, você sobe uma primeira duna. Pronto, chegou.

A visão que recepciona o visitante é impressionante. A mesma sensação de quem chega numa praia ampla e deserta pela primeira vez. Até os pés custam a entender: como pode uma areia branca e macia como essa por aqui? E esse mar aí frente, está fazendo o quê aqui?

Domingo de tarde e, pasmem, quase ninguém para desfrutar desse paraíso. Duas pessoas de um lado, três de outra, todas bem longe. Um cachorro, nativo do local. Tudo bem longe de você e, graças a Deus, nenhum estúpido com o som do carro ligado por perto. Você se sente o dono do mundo, ou pelo menos de uma parte muito boa dele.

Banho de rio (mar?), cangas estendidas na areia, sol do são Francisco e caminhadas para apreciar as várias perspectivas de paisagem. Para refrescar, uma única barraquinha vende água, cerveja e um peixinho frito. Ela pertence a uma senhora que mora lá mesmo, sozinha e longe da civilização (é tudo apenas uma questão de referencial mesmo...).

As Dunas ficam numa região que foi inundada pela barragem de Sobradinho. Consta que, quando as águas baixam, parte do "cemitério" reaparece, segundo um nativo. O cemitério a que ele se refere são os restos das casas da antiga Casanova, desaparecida pela inundação. No alto de uma das dunas o antigo cruzeiro da cidade permanece intacto e serve, agora, quase como uma indicação de que ali jaz a antiga Casanova.

As fotos, dessa vez, estão em http://www.marcusramos.com.br/dunas/

Exceto talvez um pouco pela vegetação, as Dunas do Velho Chico me trazem à lembrança imagens de Maragogi (AL), Jericoacoara (CE) ou Genipabu (RN). É a verdadeira praia do sertão. O sertão não vai virar mar, já virou. Tudo isso a apenas 107 km de Petrolina. Você vai de manhã e volta no final da tarde. E nunca mais vai se esquecer do que viu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Fotos publicadas

Duas fotos minhas, da Procissão de São Francisco de Assis em Pedrinhas, foram publicadas no site oficial da prefeitura de Petrolina (http://www.petrolina.pe.gov.br/noticia.php?id=2050) e também na capa e contracapa da "Gazzeta do São Francisco", um dos dois jornais locais. O texto é da Malu.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Tourist Information 02 - Pedrinhas

O Balneário de Pedrinhas fica a cerca de 30Km do centro de Petrolina e vale a pena ser conhecido. Uma antiga aldeia de pescadores, o local recebe esse nome por causa das pequenas pedras arredondadas (como essas que se usa em paisagismo) que ocupam as margens do rio São Francisco. Nesse trecho, uma série de bares/restaurantes com arquitetura padronizada pela prefeitura dá um toque bastante agradável ao local, que é ideal para um bate-papo com amigos no final da tarde ou então uma simples caminhada para apreciar a vista.

Lá se pesca o Cari, um peixe que parece saído de um episódio de "National Kid contra os Seres Abissais". Se ele fosse do meu tamanho, eu ia sair correndo procurando ajuda sem pensar duas vezes. Todo preto, com escamas duras e nadadeiras trabalhadas (parece um crustáceo), dizem que ele rende uma boa moqueca. A conferir.

Depois de tudo visto, eis que eu e a Malu somos convidados pelo Geraldo, o dono do boteco onde tomávamos cerveja, para participar da Procissão de São Francisco. Participar de verdade, com direito a desfile de canoa pelo rio e depois acompanhar o cortejo até a igrejinha local. E lá fomos nós... só faltou mesmo carregar o santo nas costas, porque vela acesa para o santo a Malu levou. Eu, como vocês podem imaginar, estava com as mãos ocupadas com a máquina fotográfica.

É claro que havia um troglodita com o carro estacionado na beira do rio, com o porta-malas aberto e o som nas alturas, fazendo os poucos que ali estavam ter que digerir Calypso e companhia. Mas felizmente ele se mancou e desligou a "máquina" quando teve início a procissão. Dizem que nos domingos os carros lotam o local e competem pelo volume mais alto. Então, é para ir de segunda a sexta, de preferência.

As fotos, prá quem quiser conferir, estão em http://www.marcusramos.com.br/pedrinhas/

Foi um sábado à tarde "tudo de bom", mas em boa parte por acaso. Por quê esses eventos não são divulgados? Por quê pelo menos a prefeitura não coloca no site oficial da cidade um programa desses eventos tão interessantes? Por quê não se vê cartazes colados nas paredes?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sugestão para os TREs de SP, PE e BA

Reflexões pós-debate sertanejo me fazem pensar na seguinte sugestão. A cidade de São Paulo tem três candidatos mais fortes à prefeitura. A sugestão é a seguinte: apurados os votos, o que vencer as eleições fica por São Paulo mesmo. O segundo colocado assume a prefeitura de Petrolina e vem comer bode aqui por 4 anos. E o terceiro colocado assume em Juazeiro e vem ouvir pagode durante todo o seu mandato. Todo mundo ia sair ganhando, especialmente as cidades daqui.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Mediashow

Debate na TV Globo local entre os candidatos à prefeito de Petrolina. E o show, quem diria, ficou por conta do mediador.

- (mediador) Agora o candidato A fará uma pergunta para o candidato B...

O candidato A faz a pergunta para o candidato B e o candidato B começa a responder quando...

- (mediador) Desculpe, desculpe. Me enganei... Na verdade é o candidato B que deve perguntar para o candidato C. Por favor, vamos de novo...

E assim vai. Depois, numa interação entre os candidatos B e C:

- (mediador) Agora vamos ouvir a pergunta do candidato A...

- (candidato B) Mas eu tenho direito à uma réplica...

- (mediador) Tem? Deixa eu pensar... peraí um pouco... hummm... ok, vai lá...

Mais tarde:

- (mediador) Vamos agora ouvir a pergunta do candidato C...

- (candidato A) Ei!! Eu ainda não acabei, falta a minha tréplica!

- (mediador) Hã...? Será? Um momento... ok, acho que sim, pode falar...

No final do debate:

- (mediador) Vamos agora ouvir as considerações finais de cada candidato. Três minutos para cada um apenas...

Depois dos resumos, agradecimentos e despedidas de todos...

- (mediador) Atenção, atenção... acabamos de perceber que ainda sobrou um tempo... então, vocês podem fazer novas considerações finais... dessa vez com dois minutos e meio para cada um... vamos lá... tudo bem, pessoal? vocês concordam, podemos prosseguir...??

O melhor dos três candidatos foi o mediador, sem sombra de dúvida. Pena que o debate foi curto.

Preparando o assado

Quando a temperatura ambiente, às oito horas da noite, é de 30 graus (Celsius), você precisa tomar algumas providências para conseguir sobreviver.

A primeira coisa que faço ao chegar em casa de noite, por exemplo, é tirar o máximo de roupa possível do corpo. Ficar de sapato e meia nem pensar. Camiseta é um execesso, e até um short incomoda. A sorte é que ninguém fica me olhando pela janela.

A solução, então, é abrir todas as portas e janelas e torcer para circular algum ventinho. Como isso é raro, é bom deixar o ventilador ligado no máximo também. Para dormir, a maioria das pessoas aqui não sobrevive sem um poderoso ar-condicionado. Como eu não gosto (e nem tenho um), eu direciono uma hélice de helicóptero para o teto do quarto. Ela fica ligada a noite inteira jogando um vento difuso sobre a cama, que refresca um pouco e ainda ajuda a espantar as incansáveis trabalhadoras da dengue.

Um colega de trabalho (vindo do sul, como eu) foi além e resolver passar a dormir sobre toalhas e lençóis molhados. Eu ainda não cheguei nesse ponto, mas também sei que o pior ainda não chegou. Os próximos dias prometem temperaturas diurnas para além dos 40 graus.

Alguns cuidados básicos são recomendados pelos médicos e pelas pessoas: tomar muita água e lavar o rosto várias vezes durante o dia, porque a umidade relativa do ar é praticamente uma unanimidade: sempre baixíssima.

Mesmo assim, qualquer coisa que você faça durante o dia parece que cansa em dobro. É como se alguém estivesse segurando uma pedra de kriptonita do seu lado. Dirigir sem ar-condicionado, então, é um exercício diário de paciência e resistência. As pessoas aqui não compram carro com ar-condicionado. Como disse um outro colega meu, elas compram aparelhos de ar-condicionado sobre rodas.

De uma forma ou outra, a gente pode sempre olhar pelo lado positivo e entender que, afinal de contas, esse pode ser um bom treino para um eventual futuro ingresso no inferno.

Fotos!

Depois de quase 6 meses em que eu estive praticamente sem equipamento (ele esteve em manutenção todo o tempo em que eu estou morando aqui), eu finalmente consegui, neste último sábado, retomar uma das atividades que eu mais gosto: sair por aí com a máquina na mão, andando pelas ruas e fotografando aquilo que eu acho interessante.

Então, se você ainda não conhece Petrolina e Juazeiro, quer ter pelo menos uma noção de como as coisas se parecem por aqui, e, de quebra, quer também conhecer melhor o meu "entorno" e as paisagens que fazem parte do meu dia-a-dia, é só clicar em http://www.marcusramos.com.br/petrolina/

Espero que você goste. Das fotos e das cidades.