quarta-feira, 30 de julho de 2008

Uvas, vinhos e bacalhau

A indústria de vinhos é poderosa por aqui. Várias vinícolas estão instaladas ao longo do rio São Francisco. Algumas delas vieram do sul (como é o caso da Miolo) e outras são de propriedade de grupos estrangeiros.

Esse é o caso da Rio Sol, que produz, ao que parece, os melhores vinhos da região. Segundo eu soube, eles já exportam para 20 países e também conquistaram uma parcela importante do mercado nacional. A empresa pertence a um grupo de portugueses e ocupa uma área de 2.000 hectares localizada a cerca de 70 Km de Petrolina. Lá trabalham 113 pessoas e estão plantadas 50 espécies diferentes de uva.

Com duas safras e meia por ano, temperatura alta de dia e baixa de noite, um sofisticado sistema de irrigação e colheitas semanais, a produtividade por aqui é recorde, e esses parecem ser os motivos que estão fazendo os gaúchos reclamarem e perderem mercado.

Maior região produtora de uvas do Brasil, a região do vale do São Francisco responde também por 90% da exportação brasileira da fruta para o exterior. E a Conab, segundo informações deles mesmos, está hoje com a atenção voltada para os produtores do sul, que não podem naufragar assim de uma hora para a outra, já que eles estão com imensas dificuldades para colocar os seus produtos no mercado.

Na Rio Sol, quatro enólogos portugueses se revezam ao longo do ano na fazenda Santa Maria (onde fica a produção) para garantir a qualidade do vinho que é produzido aqui. E, como uma coisa puxa a outra, para nossa sorte a esposa de um dos sócios portugueses da Rio Sol resolveu abrir um restaurante de comida típica portuguesa em Petrolina.

Com um cardápio formado apenas por receitas de bacalhau, sobremesas típicas portuguesas e vinhos da Rio Sol, o Maria Bonita é um lugar ótimo para se fazer uma refeição memorável. Comida excelente, preços bons e um ambiente agradável. Prometo que estará no roteiro gastronônimo de todos os próximos visitantes que resolverem me honrar com o privilégio da sua presença por aqui.

Campina Grande

Depois de quase um mês ausente, aqui estou eu de volta. Muita coisa aconteceu nesse período, e sobre elas estarei publicando nos próximos dias.

Estou escrevendo de Campina Grande, interior da Paraíba. Vim, juntamente com 11 alunos e outros dois professores, participar do Encontro Nacional dos Estudantes de Computação, onde fui convidado para ministrar um mini-curso.

Foram 10 horas de viagem de ônibus (da própria universidade) desde Petrolina. Uma viagem extremamente cansativa, em especial no trecho que passa por Sertânia e Monteiro, fazendo a ligação entre os estados de Pernambuco e Paraíba. Uma estrada péssima, cheia de buracos, onde não se consegue dirigir em linha reta por mais de 50 metros.

Campina Grande, para quem não sabe, é a segunda maior cidade da Paraíba, depois apenas da capital, João Pessoa. Eu, pessoalmente, fiquei encantado com a cidade. Campina Grande deveria ser tomada como exemplo por Petrolina.

A cidade é bonita e agradável de se olhar e de se passear. Ela é toda arborizada e limpa, as ruas são calçadas, o tráfego é organizado e as edificações bem apresentadas e arrumadas. Possui um comércio de rua atraente, com belas vitrines, e um shopping center bem arrumado e com boa diversificação de lojas. E o trânsito aparentemente flui bem também.

Na região central tem um lago muito agradável e outros parques igualmente interessantes povoam a cidade. Definitivamente dá vontade de sair por aí a pé, para conhecer melhor os seus recantos. E tem também uma vida cultural, como atesta um Festival de Inverno que está sendo realizado em diversos lugares da cidade. Entre outras atrações, orquestras e bandas sinfônicas, Naná Vasconcelos, Denise Stocklos e Cordel do Fogo Encantado.

Pode ser impresão de visitante que fica por pouco tempo na cidade, mas também os nativos parecem ser mais acessíveis, amistosos e simpáticos do que os de Jualina.

Campina Grande tem 370.000 habitantes, 100.000 a mais do que Petrolina. Será que esse é motivo de tanta diferença? Ou será que a proximidade do mar (130Km daqui) ainda faz tanta diferença nesse Brasil que historicamente se divide em dois: litoral e interior? Ou será que a existência de duas universidades públicas já consolidadas é que contribuiu para esse distanciamento entre as duas cidades?

É difícil saber, mas provavelmente todos esses fatores contribuíram de alguma forma para o resultado que se vê. Parabéns Campina Grande. Espero poder voltar mais vezes, a passeio, para curtir melhor o bom astral que se respira pelas ruas.