sexta-feira, 26 de junho de 2009

Bacalhau com porca

Aviso aos navegantes: o seu ensopado de bacalhau na moranga do restaurante Barcarola pode estar premiado com uma porca de latão. Infelizmente o parafuso não acompanha o prato, somente arroz e feijão de corda.

Esse é o São João



No ano passado eu escrevi neste blog relatando a minha decepção por não ter encontrado uma genuína festa junina por essas bandas. Dias depois eu me redimi, quando descobri a festa da igreja vizinha lá de casa.

Mas nada se compara com a experiência que eu tive neste último dia 24. Ao invés de passar mais um feriado em casa, em frente à TV e ao computador, eu resolvi colocar o pé na estrada e dar um pulo até Senhor do Bonfim, distante 130Km de Petrolina, em direção ao interior da Bahia.

A experiência foi inesquecível. Nunca vivenciei um São João tão bonito, alegre e espontâneo. Sai de casa às 11:00 hs e cheguei de volta às 20:30hs. Uma hora e quarenta e cinco para ir, outro tanto para voltar. Mas o durante valeu qualquer sacrifício.

Para começo de história resolvi sair a pé pela cidade, observando o movimento. Barracas, música de forró legítima, pessoas alegres e dispostas a se divertir, decoração singela mas interessante. Sem destino determinado, acabei chegando na antiga estação de trem onde, para minha surpresa, a animação era grande: estava de partida o "Forró no Trem".

"Forró no Trem" é o nome da iniciativa local que leva um vagão cheio de turistas e populares para um trajeto pequeno, em ritmo de desfile, puxado por uma locomotiva pelos trilhos que ainda existem em volta da cidade. Dentro do vagão todo decorado, por dentro e por fora, com chita colorida, um trio de sanfona, zabumba e triângulo, tocava uma música ótima e botava fogo na animação dos passageiros, que dançavam e conversavem alegremente. O sanfoneiro, em particular, era uma figura interessantíssima, um senhor de 70 anos muito bem caracterizado e com a sanfona mais bonita que eu já vi.

Ao longo do passeio, saudações da população que mora na margem dos trilhos, crianças correndo em volta do trem, famílias comendo a sua feijoada nas calçadas e nas varandas das casas, tudo perfeitamente integrado nesse cenário de festa do interior.

Passada a euforia da festa, de volta ao centro da cidade. Num dos palcos, um grupo de forró pé-de-serra animava crianças, jovens e adultos que dançavam animadamente na praça e em volta dela. Tudo muito singelo, honesto e alegre, num astral super agradável.

Enquanto a música acabava, lá vinha o desfile das carroças decoradas. E depois do desfile, numa carroça especial, o "noivo", a "noiva" e os demais figurantes do casamento matuto.

Esse casamento foi fantástico. Atores excelentes, da própria cidade, muito bem caracterizados e, especialmente, super animados e interagindo amplamente com a população e os turistas que rodeavam as carroças. Um verdadeiro palco de teatro armado na rua, para deleite de todos, inclusive eu.

Noivo, noiva, delegado, padre, sogro, sogra etc, todos estavam lá cumprindo os seus papéis no meio do povo, no meio da praça e trazendo gargalhadas e sorriso no rosto de todo mundo. Depois desse "aquecimento", mais música, mais dança e, finalmente, o casamento propriamente dito no palco da pracinha. O prazer estampado no rosto das pessoas que assistiam o espetáculo era comovente.

Quando acabou o casamento, já estava escuro e a festa iria mudar de local, avançando madrugada adentro. A Guerra de Espadas, infelizmente, já tinha acontecido na noite anterior.

Hora então de voltar com atenção, tomando cuidado para não passar por cima de nenhuma vaca, jegue, cachorro, bode ou rato-do-mato na estrada. Mas a alma estava lavada e feliz. O São João que eu sempre sonhei existe e está logo ali. Ano que vem não mais por algumas horas apenas, mas pelo menos por dois dias inteiros. Torço para que muitas e muitas gerações ainda tenham a chance de ver e curtir uma festa como essa.

As fotos estarão no meu site em breve: http://www.marcusramos.com.br/

Sim, amo!


Ouvido num programa de rádio religioso na hora do almoço:

"A esposa deve ser submissa ao marido. Por isso, jovens namorados, vou dar um conselho importante para lhes ajudar a escolher as suas futuras companheiras. Prestem atenção se elas são odedientes aos pais, especialmente à mãe, que a carregou no ventre durante 9 meses. Pois a filha que não é obediente à mãe dificilmente será uma esposa dócil e submissa ao homem".

Amém. Ou será que é "eu, heim?"...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

18 em 30


Quantos dias tem o mês de junho? 30, certo! E dias úteis? 22 menos o feriado de Corpus Christi, que nesse ano caiu numa quinta-feira. Se você emendou o feriado na sexta-feira, então foram 20 dias úteis. Senão, foram 21.


Se você mora no Recife, o Corpus Christi é trocado pelo São João. Portanto, trabalha-se nos dias 11 e 12 mas folga-se nos dias 23 e 24. Continuamos com 22 dias úteis. E assim deve ter sido na maioria das cidades brasileiras, salvo engano...


Mas não por aqui. Afinal de contas, não se pode desmerecer o corpo de Cristo nem o santo das festas mais importantes da região. Logo, tivemos dois feriadões com 4 dias cada um no mesmo mês, separados por apenas uma semana. E um mês de junho com, provavelmente, o menor número de dias trabalhados em todo o Brasil: apenas 18.

Custo e benefício

Você viaja por 4 dias e deixa o seu carro estacionado no aeroporto. Quando retorna, descobre que deixou a luz ligada e a bateria está na lona. Chama o mecânico, que vai até lá te socorrer. Lá faz o seu carro funcionar, leva ele de volta até a oficina, retira a bateria exaurida, substititui por uma outra emprestada, e manda mandar uma carga de 24 horas na sua. Depois de alguns dias você aparece na oficina, devolve a bateria emprestada e ele coloca a bateria original de volta no lugar. Tudo funcionando as mil maravilhas.

Quanto vale todo esse serviço? Socorro na rua, empréstimo de bateria, recarga de bateria e duas trocas de bateria. Para mim custou R$12,00 (doze reais), "apenas o custo da recarga". São Paulo não tem dessas coisas, pelo menos não por esse preço...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Em cartaz nos teatros


  • Ôxe, e Dorinha vai casar?
  • Se o meu ponto G falasse...
  • Lisas, lesas e loucas ("você vai se mijar de tanto rir...")