segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nova Vida

Se, depois de passar uma temporada na Penitenciária de Petrolina, você finalmente recupera a liberdade e se depara, logo do outro lado da rua, com um boteco chamado "Nova Vida", você:
  • Resolve atravessar a rua e tomar uma branquinha para saudar à nova vida e garantir um bom recomeço;
  • Fica logo frustrado por que alguém teve a idéia de montar esse bar num local tão estratégico - e começar a lucrar - antes de você;
  • Nem acredita que uma nova vida pudesse estar assim tão perto de você;
  • Logo pensa que a nova vida e as tentações andam sempre de mãos dadas;
  • Decide seguir em frente, apesar das coisas boas que uma nova vida pode oferecer...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cosme Cavalcanti

Além de ser arquiteto, paisagista, marchand, dono de galeria de arte, produtor cultural, idealizador do Museu do Pai Chico e coordenador da Comissão de Revitalização do Caboclo, Cosme Cavalcanti é também um talentoso artista. A prova disso são os quadros e os arranjos por ele executados, e que estão atualmente em exposição na sua galeria Tenda.

Além da beleza e da delicadeza que são característicos dos seus arranjos, Cosme desenvolve um trabalho original ao utilizar apenas elementos oriundos da vegetação do sertão, como sementes, frutos, cascas de árvore, folhas e galhos secos. O resultado são montagens geométricas e vibrantes, de grande apelo visual, e que nos mostram que a beleza pode estar mesmo nos lugares mais áridos e menos favorecidos. Basta ter talento para enxergar, extrair e reproduzir essa beleza.

Para conhecer um pouco das obras recentes do artista Cosme Cavalcanti, clique aqui e veja algumas fotos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Estranha mania

Tá na hora da consulta médica que você marcou? Ou do exame que você tem que fazer? O show que você vai assistir começa daqui a 15 minutos? A cerimônia de formatura já está para iniciar? Você está correndo para não chegar atrasado naquela importante reunião de trabalho? Caramba! Você ainda não aprendeu?? Relaxa, vai fazer as suas coisas (ou então não faça nada), e procure chegar com pelo menos uma ou duas horas de atraso. Ou então nem apareça. Que idéia de ficar querendo sempre chegar no horário. Onde foi que você adquiriu essa estranha mania? Pára com isso...

É Samba de Véio!

Conforme comentado em outra postagem, o tradicional "Samba de Véio" da Ilha do Massangano se apresentou no Festival Geraldo Azevedo, realizado recentemente em Petrolina. Apesar das péssimas condições de iluminação do palco, lá estava eu procurando registrar esse evento tão raro quanto delicioso. Espero ter conseguido captar um pouco da energia, do ritmo, do balanço e da animação desse grupo de homens, mulheres e crianças que levantou e sacudiu a platéia do festival. Entre coreografias, figurinos, expressões fortes e simpáticas, umbigadas, batucadas, garrafas de cachaça na cabeça e a graça das crianças, as imagens do show podem ser vistas clicando aqui.

Friday Night Fever

Sexta-feira, dia 11/12: Secabudega na Depositto (sic) Dancing em Juazeiro. Sexta-feira, 18/12: Tayrone Cigano no Clube América em Petrolina. O primeiro levou a multidão com clássicos do rock tocados de forma competente e com muito balanço. O segundo, fez o arrasta-pé com base no forró, xote e baião. O primeiro tocou para um público de classe alta e média-alta. O segundo cantou para um público um pouco mais simples. No primeiro, roqueiros de plantão sacudindo o esqueleto e muita gente jovem curtindo o som. No segundo, gente de todas as idades, famílias e vários casais, inclusive de idosos, dando show com o swing do forró. Em comum: R$20,00 o ingresso, congestionamento no trânsito, dificuldade para estacionar, gente saindo pela ladrão, muita animação e agitação madrugrada adentro. Prá John Travolta nenhum botar defeito, seja lá qual for o seu estilo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tempos modernos

Em tempos modernos, passar o mês de dezembro sem ligar a televisão, sem entrar no shopping center e sem ler jornal representa praticamente a negação do Natal. É quase como se nada disso estivesse realmente acontecendo, ou ainda fosse acontecer... alienação total...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Festival Geraldo Azevedo

Mal baixou a poeira do Festival Edésio Santos, em Juazeiro, e começou tudo de novo por aqui. Entre quarta e ontem, sábado, aconteceu o Festival Geraldo Azevedo em Petrolina. Assim como aquele, esse também é um concurso de músicas aberto para competidores de todo o país. Diferentemente daquele, no entanto, o homegeado deste, que empresta o seu nome ao festival, está vivo e produzindo.

No primeiro dia, quarta-feira, aconteceu a Noite da Dança, com apresentações de vários (acho que 12-15) grupos folclóricos, clássicos e de salão da região. Muita variedade e muita coisa interessante, realmente. Entre os folclóricos, tivemos a chance de assistir caboclinhos, côco, frevo, danças africanas e várias outras. Na dança de salão os expoentes da região apresentaram, juntamente com os seus alunos, desde o mambo até o bolero e o tango.

Fiquei especialmente tocado com a apresentação de um grupo de crianças vestidas de rosa e preto que dançaram o Mambo Nº5 de Perez Prado, popularizado por Lou Bega. Foi um show de delicadeza, sutileza, leveza, inocência e ginga, oferecido por crianças de idades de variadas. Uma graça, que me deixou sensações muito gostosas.

Os grupos de balé clássico também proporcionaram bons momentos para uma platéia significativa e atenta, especialmente quando as bailarinas com mais anos de estudo subiram ao palco para compartilhar um pouco da sua arte. Na dança de salão, destaque para as apresentações de tango, que foram de grande beleza e competência. Dançarinas virtuosas foram o destaque.

A quinta e a sexta-feira foram dedicas às eliminatória do festival, que recebeu cerca de 50 canções de todo o Brasil. Apesar de ser uma quantidade inferior à recebida pelo Festival Edésio Santos, a qualidade dos competidores, apesar de ter deixado um pouco a desejar no primeiro dia, se equilibrou no segundo dia (sexta-feira) e assim na final, no sábado, os 12 selecionados exibiram um painel interessante, com vários candidatos sérios às primeiras colocações.

Depois de anunciados os ganhadores, o público, que lotou a concha acústica da catedral, foi brindado com apresentações que fizeram todos se levantar, dançar e cantar durante horas, enquanto desfilavam pelos palcos o Samba de Véio, Chico César, Libório e a Combustão Espontânea e, finalmente, Os Matingueiros.

O Samba de Véio é uma dança tradicional da Ilha do Massangano (a mesma onde foi feito o filme "Eu, Tu e Eles", com a Regina Cazé), em Petrolina, e vem sendo passada de geração em geração há décadas, sem se descaracterizar, sem desaparecer e, o que é mais importante, empolgando a platéia com a sua música forte e vibrante e a sua dança frenética e ritmada. Delírio total no público que assistia. Consta que esse nome vem da época em que a dança era realizada apenas por adultos e as crianças não podiam participar. Ainda há mais à descobrir, mas que fique anotado no caderninho de todos aqueles que estiverem por aqui um dia e que quiserem conhecer algo verdadeiramente típico, tradicional e sensacional.

Depois desse "aquecimento", foi a vez do Chico César, esse grande artista que entrou calado, pegou na guitarra e mostrou que não estava para brincadeiras. Em pouco minutos ele levantou de novo a platéia, que cantou e dançou ensandecida até o último acorde. Nesse meio tempo, rolou de tudo: do rock ao forró, passando pelo frevo, pelo catimbó, pela poesia, pelo reggae e até pelo Roberto Carlos. Muita energia no palco, uma banda muito competente acompanhando essa máquina de mover multidões e, do lado de baixo, uma galera que não parava de pular, cantar e dançar, e que não queria deixar o seu ídolo ir embora.

Eu, que estava na parte de baixo do palco, cumpri mais uma missão fotográfica, e mais uma vez com grande prazer. Não apenas pela admiração que eu tenho pelo Chico e pela sua música, mas porque foi uma alegria revê-lo depois de vários anos, ele que era meu colega de academia na Competition em São Paulo, que eu já tinha tido a oportunidade de fotografar antes (na FNAC, para o livro da MTV), e com o qual eu trocava cumprimentos eventuais. Clique aqui para ver as fotos do show.

Depois dele ainda teve esse grupo de Salvador, que eu não conhecia, Libório e a Combustão Espontânea, cujo vocalista é de Petrolina e que fez um rock de boa qualidade e que segurou legal a onda de manter aquecida uma platéia na ressaca do grande paraibano.

Já eram 2 horas da manhã e ainda ia começar o show dos Matingueiros. Mas dessa vez eu parei antes. Vim para casa dormir, só que acabei acordando por volta das 4 da manhã, com um grupo que vinha cantando animadamente pela rua. Provalmente voltando para casa, depois dessa festança que lavou a alma de tanta gente... parabéns Roberta Duarte!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Onde estou?

Só faltou o mar, o Cristo, o Pão de Açúcar e a Lagoa. Fora isso, parecia um domingo tipicamente carioca: multidões aglomeradas nos bares e restaurantes, casas, carros e torcedores enfeitados com a bandeira do Flamengo, e tudo mais o que se espera encontrar no dia de uma decisão que mexe diretamente com a emoção das pessoas. Depois da vitória, então, nem se diga. Festa, buzinaço pelas ruas da cidade e torcedores comemorando pelos quatro cantos. Estou no Rio de Janeiro ou em Petrolina, sertão de Pernambuco?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ritual diário

Primeiras providências ao chegar em casa:
  • Tirar toda a roupa;
  • Abrir todas as portas e janelas;
  • Ligar o ventilador;
  • Manter o menor número de luzes acesas possível;
  • Tomar água;
  • Procurar uma fruta gelada para comer;
  • Tomar um banho de água fria.

A última, é claro, é procurar a folha de parreira na gaveta do armário...

sábado, 5 de dezembro de 2009

São Gonçalo

"São Gonçalo" é nome de santo, mas também de uma festa bastante popular no nordeste, especialmente no interior. Quando alguém alcança uma graça, creditada ao São Gonçalo, reza a tradição que a pessoa deve organizar uma grande festa na sua própria casa, de portas abertas para quem quiser entrar, e com muita comida para todos se servirem durante o dia. Além disso, um grupo de violeiros é chamado para executar músicas típicas para o evento, enquanto as pessoas dançam coreografias bem características e sempre sob as ordens de um ou mais "puxadores", pessoas mais experientes que conhecem e zelam pela preservação da tradição. Tudo isso com direito, naturalmente, à imagem do santo exposto num altar improvisado e muitas velas para as homenagens de última hora.

Eu nem imaginava encontrar esse tipo de coisa por aqui, mas foi graças ao convite da Roberta Duarte, diretora de cultura da Prefeitura de Petrolina, que eu tive o prazer e a honra de participar de uma festa de São Gonçalo no último domingo, dia 29/11.

Numa casa muito simples de periferia, chão de terra batida, uma multidão se concentrava na entrada e no quintal da casa. Chegamos na hora do almoço e fomos muito bem recebidos, inclusive com convite para nos servirmos juntamente com os demais presentes. Logo depois, no entanto, a música recomeçou do lado de fora e, debaixo de uma lona azul improvisada, um grupo de 20 ou 30 jovens, adultos, idosos e crianças iniciou mais uma dança em homemagem ao santo. Enquanto isso, um grupo ainda maior se mantinha ao redor observando o ritual.

A dança é frenética, muito ritmada e lembra uma mistura de quadrilha de São João com ciranda e mais alguma coisa. Os pés se arrastam no chão e a poeira sobe. Todos dançam muito concentrados e estão sempre atentos às ordens do puxador. Alguns parecem até que entram em transe e fazem daquele momento, talvez, o seu instante de maior intimidade com o santo.

Chegamos ao meio-dia e fomos embora um pouco depois das três da tarde. Mas a informação era que a festa tinha começado cedo e iria se estende até o sol se por. Muito interessante, digna de ser mais pesquisada e merecedora de estar em qualquer em qualquer livro ou documentário sobre o folclore e as tradições religiosas do nordeste.

Segundo consta, não existe época ou calendário para a festa, que pode acontecer muitas vezes ao longo do ano. Tudo depende das graças alcançadas e de quando os seus beneficiários resolvem cumprir as promessas. Mas, para saber quando e onde acontecerá a próxima, isso ainda eu não sei como descobrir...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Festival Edésio Santos

Entre quarta-feira da semana passada (25/11) e esse último domingo (29/11), Juazeiro acolheu a décima-terceira edição do Festival Edésio Santos, um concurso de abrangência nacional que premia as melhores canções recebidas de todas as partes do Brasil.

Na quarta e na quinta-feira o festival aconteceu na orla nova de Juazeiro, ao ar livre, e com uma programação bastante interessante. Apesar do pouquíssimo público, foi com satisfação que eu assisti o show da Fabiana Santiago na quarta e o do Raimundinho do Acordeon na quinta. A Fabiana tem um repertório latino-americano e interpreta com competência clássicos da música mexicana, cubana, espanhola etc. Como não poderia deixar de ser, ela também incorpora a "Carmem" no palco (na expressão corporal, no figurino etc), e com isso a viagem pela América Latina romântica, passional e caliente fica completa.

Sexta, sábado e domingo o local já foi outro. Dessa vez também ao ar livre, mas no teatro de arena do Centro Cultural João Gilberto. Com um bom público nos dois primeiros dias, aconteceu a eliminatória do concurso: 10 canções apresentadas em cada dia, apenas 5 classificadas em cada dia para a final do domingo.

Os autores e intérpretes vieram do Brasil inteiro. Havia, portanto, opções para todos os gostos, a maioria de muito boa qualidade, e assim foram se formando as torcidas para essa ou aquela música, na tradição dos melhores festivais. O público já era significativo e o clima prenunciava uma final bastante disputada.

Quando finalmente o domingo chegou, o teatro estava abarrotado. Pessoas de todas as idades, famílias inteiras e crianças dormindo no colo. As 10 finalistas, selecionadas entre as 220 músicas enviadas para o concurso, iriam se apresentar pela segunda vez e tentar conquistar o coração da platéia - e dos jurados também.

Após a apresentação das oficinas de canto e violão que foram realizadas ao longo da semana, o ilustre juri, formado por nada mais nada menos do que Baby (Consuelo) do Brasil, Paulinho Boca de Cantor e Luís Galvão, entre outros, tomou assento e passou a ouvir com cuidado cada uma das 10 finalistas.

Depois de muita emoção, de ótimas interpretações e depois de anunciados os vencedores, o festival, que esse ano homenageou os 40 anos dos Novos Baianos, trouxe ao palco, para um show de encerramento, os três ilustres jurados que, depois de 40 anos, ainda colocam uma platéia inteira para dançar, pular, cantar e cobrar, a plenos pulmões, esse ou aquele sucesso que marcou as suas vidas.

Foi um grande show, com muita energia, muita emoção e, principalmente, o grande prazer de ver, ouvir e poder fotografar de tão perto esses ícones da música brasileira. Melhor ainda foi estar lá na companhia dos novos amigos... Se assim não fosse, eu não teria ficado até o último acorde, que soou praticamente às 3 horas da madrugada, véspera de um início de semana pesada, com mil coisas para fazer na segunda-feira.

Alguns momentos do festival estão registados na composição acima. Clique para ampliar e ver os detalhes mais de perto.

Ano que vem tem mais!