sábado, 5 de dezembro de 2009

São Gonçalo

"São Gonçalo" é nome de santo, mas também de uma festa bastante popular no nordeste, especialmente no interior. Quando alguém alcança uma graça, creditada ao São Gonçalo, reza a tradição que a pessoa deve organizar uma grande festa na sua própria casa, de portas abertas para quem quiser entrar, e com muita comida para todos se servirem durante o dia. Além disso, um grupo de violeiros é chamado para executar músicas típicas para o evento, enquanto as pessoas dançam coreografias bem características e sempre sob as ordens de um ou mais "puxadores", pessoas mais experientes que conhecem e zelam pela preservação da tradição. Tudo isso com direito, naturalmente, à imagem do santo exposto num altar improvisado e muitas velas para as homenagens de última hora.

Eu nem imaginava encontrar esse tipo de coisa por aqui, mas foi graças ao convite da Roberta Duarte, diretora de cultura da Prefeitura de Petrolina, que eu tive o prazer e a honra de participar de uma festa de São Gonçalo no último domingo, dia 29/11.

Numa casa muito simples de periferia, chão de terra batida, uma multidão se concentrava na entrada e no quintal da casa. Chegamos na hora do almoço e fomos muito bem recebidos, inclusive com convite para nos servirmos juntamente com os demais presentes. Logo depois, no entanto, a música recomeçou do lado de fora e, debaixo de uma lona azul improvisada, um grupo de 20 ou 30 jovens, adultos, idosos e crianças iniciou mais uma dança em homemagem ao santo. Enquanto isso, um grupo ainda maior se mantinha ao redor observando o ritual.

A dança é frenética, muito ritmada e lembra uma mistura de quadrilha de São João com ciranda e mais alguma coisa. Os pés se arrastam no chão e a poeira sobe. Todos dançam muito concentrados e estão sempre atentos às ordens do puxador. Alguns parecem até que entram em transe e fazem daquele momento, talvez, o seu instante de maior intimidade com o santo.

Chegamos ao meio-dia e fomos embora um pouco depois das três da tarde. Mas a informação era que a festa tinha começado cedo e iria se estende até o sol se por. Muito interessante, digna de ser mais pesquisada e merecedora de estar em qualquer em qualquer livro ou documentário sobre o folclore e as tradições religiosas do nordeste.

Segundo consta, não existe época ou calendário para a festa, que pode acontecer muitas vezes ao longo do ano. Tudo depende das graças alcançadas e de quando os seus beneficiários resolvem cumprir as promessas. Mas, para saber quando e onde acontecerá a próxima, isso ainda eu não sei como descobrir...

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