segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Festival Geraldo Azevedo

Mal baixou a poeira do Festival Edésio Santos, em Juazeiro, e começou tudo de novo por aqui. Entre quarta e ontem, sábado, aconteceu o Festival Geraldo Azevedo em Petrolina. Assim como aquele, esse também é um concurso de músicas aberto para competidores de todo o país. Diferentemente daquele, no entanto, o homegeado deste, que empresta o seu nome ao festival, está vivo e produzindo.

No primeiro dia, quarta-feira, aconteceu a Noite da Dança, com apresentações de vários (acho que 12-15) grupos folclóricos, clássicos e de salão da região. Muita variedade e muita coisa interessante, realmente. Entre os folclóricos, tivemos a chance de assistir caboclinhos, côco, frevo, danças africanas e várias outras. Na dança de salão os expoentes da região apresentaram, juntamente com os seus alunos, desde o mambo até o bolero e o tango.

Fiquei especialmente tocado com a apresentação de um grupo de crianças vestidas de rosa e preto que dançaram o Mambo Nº5 de Perez Prado, popularizado por Lou Bega. Foi um show de delicadeza, sutileza, leveza, inocência e ginga, oferecido por crianças de idades de variadas. Uma graça, que me deixou sensações muito gostosas.

Os grupos de balé clássico também proporcionaram bons momentos para uma platéia significativa e atenta, especialmente quando as bailarinas com mais anos de estudo subiram ao palco para compartilhar um pouco da sua arte. Na dança de salão, destaque para as apresentações de tango, que foram de grande beleza e competência. Dançarinas virtuosas foram o destaque.

A quinta e a sexta-feira foram dedicas às eliminatória do festival, que recebeu cerca de 50 canções de todo o Brasil. Apesar de ser uma quantidade inferior à recebida pelo Festival Edésio Santos, a qualidade dos competidores, apesar de ter deixado um pouco a desejar no primeiro dia, se equilibrou no segundo dia (sexta-feira) e assim na final, no sábado, os 12 selecionados exibiram um painel interessante, com vários candidatos sérios às primeiras colocações.

Depois de anunciados os ganhadores, o público, que lotou a concha acústica da catedral, foi brindado com apresentações que fizeram todos se levantar, dançar e cantar durante horas, enquanto desfilavam pelos palcos o Samba de Véio, Chico César, Libório e a Combustão Espontânea e, finalmente, Os Matingueiros.

O Samba de Véio é uma dança tradicional da Ilha do Massangano (a mesma onde foi feito o filme "Eu, Tu e Eles", com a Regina Cazé), em Petrolina, e vem sendo passada de geração em geração há décadas, sem se descaracterizar, sem desaparecer e, o que é mais importante, empolgando a platéia com a sua música forte e vibrante e a sua dança frenética e ritmada. Delírio total no público que assistia. Consta que esse nome vem da época em que a dança era realizada apenas por adultos e as crianças não podiam participar. Ainda há mais à descobrir, mas que fique anotado no caderninho de todos aqueles que estiverem por aqui um dia e que quiserem conhecer algo verdadeiramente típico, tradicional e sensacional.

Depois desse "aquecimento", foi a vez do Chico César, esse grande artista que entrou calado, pegou na guitarra e mostrou que não estava para brincadeiras. Em pouco minutos ele levantou de novo a platéia, que cantou e dançou ensandecida até o último acorde. Nesse meio tempo, rolou de tudo: do rock ao forró, passando pelo frevo, pelo catimbó, pela poesia, pelo reggae e até pelo Roberto Carlos. Muita energia no palco, uma banda muito competente acompanhando essa máquina de mover multidões e, do lado de baixo, uma galera que não parava de pular, cantar e dançar, e que não queria deixar o seu ídolo ir embora.

Eu, que estava na parte de baixo do palco, cumpri mais uma missão fotográfica, e mais uma vez com grande prazer. Não apenas pela admiração que eu tenho pelo Chico e pela sua música, mas porque foi uma alegria revê-lo depois de vários anos, ele que era meu colega de academia na Competition em São Paulo, que eu já tinha tido a oportunidade de fotografar antes (na FNAC, para o livro da MTV), e com o qual eu trocava cumprimentos eventuais. Clique aqui para ver as fotos do show.

Depois dele ainda teve esse grupo de Salvador, que eu não conhecia, Libório e a Combustão Espontânea, cujo vocalista é de Petrolina e que fez um rock de boa qualidade e que segurou legal a onda de manter aquecida uma platéia na ressaca do grande paraibano.

Já eram 2 horas da manhã e ainda ia começar o show dos Matingueiros. Mas dessa vez eu parei antes. Vim para casa dormir, só que acabei acordando por volta das 4 da manhã, com um grupo que vinha cantando animadamente pela rua. Provalmente voltando para casa, depois dessa festança que lavou a alma de tanta gente... parabéns Roberta Duarte!

3 comentários:

Anônimo disse...

Ola Marcus, as fotos estão excelentes. Mais uma vez parabéns. O show do Chico Cesar foi um dos melhores que já. abs, RAR

Marcus disse...

Valeu!!

JUÁ DA BAHIA disse...

Marcos, viajei 1.000 km pra participar do festival Edésio Santos e não conseguir trazer nenhuma foto do evento. Será que voce pode mandar alguma pra mim?
juadabahia@hotmail.com
Ou então mandar os sites que estão postadas as imagens.
Abração
Juá da Bahia - Itapetinga-BA