sábado, 29 de maio de 2010

Meu Brasil brasileiro

São duas horas da manhã. A vontade de dormir é grande, mas eu acabo desistindo de tentar pegar no sono. Assim como na noite anterior, o Carnaval de Juazeiro é o responsável pela situação. Não se trata de uma micareta ou de um carnaval fora de época qualquer, como existem muitos pelo Brasil afora. Esse, como eu já antecipei em outra postagem, é o Carnaval "oficial" da cidade, realizado agora no mês de maio, já que em fevereiro/março, período em que o Carnaval é comemorado no restante do país, a dona Ivete e os outros "astros" idolatrados pela comunidade local possuem compromissos com gente mais rica e poderosa, e por isso nunca podem dar as caras por aqui.

Também não vou recorrer ao Rivotril, pois preciso estar de pé daqui a três horas, para um longo dia de trabalho árduo. Então, comecei a refletir sobre o assunto, já que essa é a única vingança que me resta, e acabei me lembrando da reportagem principal apresentada pelo Jornal Nacional na noite de hoje.

Um pouco antes de começar essa noite de terror (na verdade a segunda das quatro previstas), o William Bonner e a Fátima Bernardes noticiavam um encontro de autoridades e economistas para discutir os motivos pelos quais a produtividade do brasileiro ainda deixa tanto a desejar, inclusive se comparada com a de outros países do mundo, e como isso representa uma ameaça para o futuro da nação. Maior produtividade, bem explicado pelos dois, com o sentido de produzir mais com os mesmos recursos no mesmo tempo.

Entre as teorias levantadas pelos especialistas estão várias que, de fato, podem estar na raiz do problema. Educação deficiente e inacessível de uma forma geral, transporte público de má qualidade, além de várias outras, algumas simples outras nem tanto, trazem luz para as possíveis causas do problema. Enfim, reunir tanta gente importante para discutir esse assunto deve significar que ele tem mesmo alguma complexidade.

Complicado? Talvez nem tanto. Para mim, é só uma questão de sair na varanda, olhar para o outro lado do rio, e ali, no meio daquelas luzes e daquele som horroroso e insuportável, está uma outra causa, com certeza não menos importante do que as anteriormente citadas. Na verdade, não preciso nem ir para a varanda. É só esperar até a hora em que os amplificadores do lado de lá são ligados, e aí tudo faz sentido, mesmo trancado dentro de casa e com todas as portas, janelas, televisão e ventiladores ligados.

Como ser produtivo se o Carnaval é comemorado duas vezes por ano? Se, em pleno mês de maio, milhares de pessoas do lado de lá param de trabalhar e vão se embebedar nas ruas durante quatro dias? Se, desse lado do rio, outros milhares de pessoas tem a sua rotina de descanso perturbada e, naturalmente, tem a sua produtividade diminuída?

Ninguém precisa de especialistas para entender a origem dos problemas que comprometem o presente e o futuro do país. Eles estão aí, na cara da gente. Tão na cara que nem deixam a gente dormir.

P.S. Semana que vem tem feriado de Corpus Christi. Daqui a pouco menos de um mês, pelo menos mais quatro dias de festa, dessa vez para comemorar o São João. E, entre os dois, a Copa do Mundo. Que tal deixar para agosto?

2 comentários:

Ítalo disse...

Você acrescentaria "greves" ao repertório de causas da nossa baixa produtividade? Recentemente, uma ameaça de greve dos lixeiros provocou uma "parada para reflexão" de alguns dias. O que aconteceria se ela se concretizasse? Por falar nisso: e as greves por aí? De qual natureza são?

Um grande abraço!

Marcus disse...

Com certeza, greves são um recurso mal usado de uma forma geral, e quem sempre acaba pagando a conta é a população que não tem nada a ver com isso. Por aqui não vejo muitas greves, e quando há são de funcionários públicos. Mas nunca via nada que de fato atrapalhasse a vida da cidade...
Abraço!