João Erbetta, competente guitarrista paulistano que eu não conhecia nem nunca tinha ouvido falar, se apresentou na noite de hoje em Juazeiro numa noite de vento frio e garoa típica e igualmente paulistana. Mas a sua música eclética e sofisticada mostrou que, fazendo justiça a uma tradição de décadas, o Brasil continua produzindo instrumentistas de primeiríssima linha, a maioria deles, infelizmente, ainda desconhecida do grande público. Acompanhado de baixo e percussão, Erbetta deu um show de técnica, sensibilidade e repertório, que contou com Zequinha de Abreu, clássicos do jazz e do blues, Alberto Dominguez (Perfídia) e, last but not least, com as suas próprias e excelentes composições. Alimento para a alma, da melhor qualidade.
Os outros artistas da noite foram Donna Lee (RJ), Mateus e Fabiana Aleluia (BA), Ilê Aiyê com Marku Ribas (BA) e Eddie (PE). Não fiquei para o último, mas os outros três não trouxeram nada de tão novo, interessante ou impactante quanto o João Erbetta. Dele foi a noite.
O show fez parte de um evento denominado "Conexão Vivo", criado para promover a marca da operadora de telefonia celular. Ela, no entanto, ainda tem muito a aprender com os seus artistas convidados, especialmente em termos de qualidade no serviço que presta e no respeito ao público que paga por esses serviços aqui na região. Os quais, como eu, só o fazem mesmo porque não tem outra opção, pelo menos no caso da assim chamada "banda larga" 3G - uma piada cara e de mau gosto, que só sobrevive por aqui porque não há fiscalização do governo, não há movimento popular contra os péssimos serviços prestados e, especialmente, não há concorrência.

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