segunda-feira, 9 de julho de 2012

A primeira vez a gente nunca esquece

No penúltimo domingo eu sofri um acidente. Bati forte com a cabeça no chão, quebrei um dedo da mão, desmaiei e perdi a visão temporariamente. Fui levado para o Hospital de Traumas, supostamente o mais moderno e preparado para esse tipo de situação na cidade, e tive a minha primeira experiência hospitalar na região. Nada gratificante, diga-se de passagem.

Cheguei com a pressão muito baixa, tremendo, com muita dor, com frio e sem camisa. Fui atendido por uma enfermeira que queria me aplicar soro, e para isso me espetou pelo menos umas 30 vezes, nos dois braços. Alegando que ela não conseguia encontrar a minha veia, eu me senti o próprio boneco de vodu nas mãos dela.

Depois veio o atendimento no setor de ortopedia. O trauma na cabeça foi totalmente ignorado por médicos e enfermeiras, que só se importaram mesmo com o meu dedo. O médico que me atendeu olhava para o alto, para baixo e para os lados, mas nunca para mim. Ele só abria a boca para falar sobre as farras do final de semana com os colegas do lado e contar piadas. Feito o raio-X, num setor abarrotado de gente, não recebi diagnóstico nem orientação sobre o tratamento. Levei umas picadas na mão (anestesia) e depois gritei feito um porco quando puxaram meu dedo para colocá-lo no lugar. Me mandaram embora com uma receita de medicamentos e a recomendação para voltar depois de uma semana. Um dos meus raios-X se perdeu na mesa do médico.

Hoje fiz o retorno. Horas de espera, salas lotadas, gente pelos corredores e a mesma má vontade de antes. No setor do raio-X um grupo de atendentes, técnicos e pacientes olhavam para os mesmos contra a luz do teto para decidir qual era de quem. De volta ao médico, descobri que ele tinha saído para o almoço e não havia ninguém para dar informação sobre o retorno. Consegui localizá-lo num corredor e perguntei que horas ele iria voltar a atender e como isso seria feito, já que havia uma multidão em frente à porta da sala de ortopedia. Ele nem virou o rosto para mim, apenas seguiu em frente e disse que seria necessário esperar. Entrou e trancou a porta, junto com um colega.

Joguei tudo por baixo da porta dele e fiz o que deveria ter feito desde o início: atravessei a rua e fui procurar um médico particular. Moral da história: diagnósticos divergentes, medicação desnecessária e fisioterapia urgente. Por sorte fui impelido para essa providência final. Nunca na minha vida eu tinha passado por um atendimento hospitalar tão desumano.  Na próxima vez eu vou direto para o aeroporto.

2 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente o terror que você descreveu não se trata de um episódio isolado...O atendimento à nossa saúde em muitos hospitais e clínicas das cidades( Juazeiro e Petrolina) chega a ser desumano.Já estive dos dois lados. E sofri em ambos. As lembranças não são boas,como profissional, por ter limitações e em muitas vezes os recursos serem escassos. Na pele de mãe então...foi muito sofrimento e decepção. Passou. Mas continuo apostando no aeroporto!

fernanda disse...

que pena,de verdade! sou de fora e vim para Petrolina fazer minha graduação na área de saúde,e espero,sinceramente,que os novos profissionais tenham uma melhor visão de atendimento e humanização!