domingo, 28 de agosto de 2011

Viva Lia de Itamaracá

Eu era pequeno, ainda pré-adolescente, quando morava em Recife com a minha família. Vez por outra meus pais levavam a mim e aos meus irmãos para vermos uma tal de Lia de Itamaracá, que fazia umas cirandas no chão de uma ilha que leva o nome dela (ou vice-versa...rs) , um pouco distante da cidade. Por causa disso tudo, esses passeios de final de semana eram quase uma aventura, um mergulho no exótico e no desconhecido, e eu me sentia de certa forma um desbravador dos segredos da cultura regional.

Eu era muito tímido e não gostava de dançar, mas aquele ritual todo me impressionava. Dançar ciranda era, para os meus pais e para os presentes naquelas noites de poesia na beira do mar, uma celebração da alegria, do prazer de viver, da amizade e da solidariedade. Depois, aquilo tudo ficou para trás e parecia um passado já bem distante. Nunca mais soube da Lia e tive poucas oportunidades para dançar ciranda desde então.

Ontem, no entanto, aquelas noites do passado voltaram com força total para mim quando eu assisti a apresentação da própria no Festival Raiz e Remix em Petrolina. Com a mesma cadência, a mesma música, a mesma simpatia, o mesmo carisma e cheia de energia, lá estava ela, ela mesma, comandando uma ciranda imensa feita por jovens e adultos que faziam a sua celebração e renovavam as suas energias da mesma forma que eu e a minha família na década de 1970. Fiquei assustado: o tempo não passou?? Que bom!! Sorte de todos nós.

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