domingo, 21 de novembro de 2010

Segura, peão

Mais uma para o currículo do paulista que aqui escreve. Aconteceu ontem e hoje a Primeira Grande Vaquejada de Juazeiro, evento que reuniu dezenas de vaqueiros e centenas de curiosos num misto de competição e show com astros da música sertaneja/brega/country.

A tarde de ontem começou com uma missa em homenagem aos vaqueiros, todos eles em cima dos seus belos cavalos e vestidos com roupas de couro tradicionais, ocasião essa que foi prestigiada com a presença do prefeito municipal. Depois começou a competição propriamente dita que, pelo que eu entendi, premia o vaqueiro mais habilidoso no manejo e derrubada do boi (ou vaca) dentro dos limites do espaço físico estabelecidos pela organização.

Eles - vaqueiro a bordo do seu cavalo e o boi selecionado - correm por uma espécie de corredor bastante largo e com piso de areia, e do lado de fora a torcida se manifesta nas arquibacandas que foram montadas nas laterais. Ao lado das arquibancadas, uma grande área é reservada para os shows noturnos, destinados a embalar e relaxar os ânimos aqueles que suaram a camisa durante o dia (exceto os bois...), assim como daqueles que só chegam para se divertir. Durante a noite a competição continua, e aí o visitante tem a chance de alternar a torcida nas arquibancadas com o saculejo do esqueleto nesse pátio de eventos.

A idéia da areia é evitar que os atores envolvidos (bois e vaqueiros) se machuquem numa eventual queda. Algumas das quais são de fato espetaculares, motivo do entusiasmo da platéia, e por isso não dá para para imaginar outro tipo de piso realmente. A diversão é grande, mas eu imagino que os bois não devam se divertir tanto assim. Afinal de contas, ser puxado pelo rabo e dar piruetas no ar, como geralmente acontece, vez por outra resulta em rabos arracandos e espalhados pela arena, ou ainda em cortes com feridas expostas. Mesmo assim, posso imaginar que um boi ou outro até que possa se divertir também, especialmente quando ele entra na arena, estampa aquela cara de sonso, resiste às provocações e fica imune a todas as tentativas para atiçar o coitado, que sai tranquilamente pela porta dos fundos, do jeito como entrou.

Alguma semelhança com as touradas da Espanha? Talvez, mas tudo muito menos violento, com certeza. Apesar de que, pelo menos na minha impressão, na essência o espírito não seja muito diferente.

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