domingo, 5 de setembro de 2010

Quarteto de Brasília

Vinte e quatro anos de atividade e nove CDs gravados. Um currículo conhecido e respeitado no Brasil e no mundo. Não preciso falar mais, não é verdade? E eu, que já acompanho a carreira deles há muito tempo, e que tenho vários desses CDs na minha coleção, nunca tinha tido a oportunidade de assistir a uma apresentação do Quarteto de Brasília ao vivo. Ontem, no entanto, essa falha imperdoável foi reparada no Teatro do SESC, com mais um recital do projeto Sonora Brasil, série de quatro apresentações de música de câmara que circulam o Brasil num roteiro que inclui (thanks a lot!) a cidade de Petrolina.

Assim como no recital anterior da série, realizado pelo Quinteto Latino-Americano de Sopro em agosto, o tema do presente recital foi Cláudio Santoro e Guerra-Peixe, a música dodecafônica e a música nacionalista de ambos. Dois quartetos e dois duos foram executados de forma impecável, num contexto didático e de grande empatia com o público, em que os principais fatos e realizações das vidas dos dois compositores foram apresentados ao público, assim como explicações introdutórias sobre a música dos 12 sons, o movimento Música Viva etc.

Informações essas que não foram simplesmente passadas ao público por profissionais que conhecem o assunto, mas por músicos que se relacionaram e conviveram intimamente com Cláudio Santoro durante a fase da sua vida em que ele trabalhou como educador e regente titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília. Da relação entre colegas e amigos, surgiram histórias e informações preciosas, que por si só já valeram a noite.

Mais uma vez, foi um grande prazer assistir a um espetáculo desse nível. E, para minha surpresa, o auditório estava com uma lotação bastante razoável, bem mais do que eu esperaria para esse tipo de apresentação. Terminado o recital eu ainda fui, quase levitando, até o auditório do Centro de Convenções, onde consegui assistir o final do show do novato Erisson Porto, cantor e compositor pernambucano que encerrou a noite com seus interessantes frevos e maracatus. E, para minha nova surpresa, com um público bastante inferior ao do Quarteto de Brasília. Talvez a fama do primeiro e a novidade do segundo expliquem o fato. Mas ainda assim, um recital de música dodecafônica com público maior do que um show de música típica pernambucana? Alguma coisa está acontecendo por aqui...

O fato é que eles não ficaram apenas na música dodecafônica. Quando chegou a hora do bis, eles foram generosos e enveredaram pelo repertório popular, executando Corta-Jaca, de Chiquinha Gonzaga, Feira de Mangaio, de Sivuca e Glorinha Gadelha, Carinhoso, de Pixinguinha e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Foi o suficiente para a empatia surgida entre músicos e platéia virar uma paixão intensa, a qual foi celebrada diversas vezes com demorados aplausos da platéia de pé e com vários retornos dos músicos ao palco. E que terminou com uma pequena multidão disputando os CDs que foram colocados à venda no próprio palco, enquanto músicos e espectadores conversavam animada e descontraidamente.

Os próximos recitais da série acontecerão nos dias 25/09 e 23/10, sempre às 20:00hs no Teatro do SESC Petrolina, respectivamente com os conjuntos Gyn Câmera, de Goiás, e Quinteto Leão do Norte, de Pernambuco. Eu não conheço nenhum dois, mas pelo observado nos recitais anteriores, o prognóstico é o melhor possível. Mais informações em http://www.sesc.com.br/sonorabrasil/.

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