segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Belo arco-íris

Certa vez eu soube de uma história (verídica) que me pareceu emblemática. No rádio, o locutor pergunta para o entrevistado:

- De onde você é?
- Se você tivesse me feito essa pergunta há mais tempo, eu teria respondido "Salgueiro"
(ou Serra Talhada, não me recordo). Mas depois que fizeram uma parada gay por lá, eu tenho vergonha de dizer que nasci naquela cidade.

A primeira Parada LGBTS de Petrolina - e do Vale do São Francisco - ("Petrolina Além do Arco-Íris") aconteceu ontem. Como foi a primeira, a expectativa era grande. Vai mesmo acontecer? Será que vem muita gente? Que tipo de pessoas virão? Como será que vai ser? Vai haver reação? E assim por diante...

Marcada para ter início às 16:00hs, as pessoas começaram a chegar, timidamente, apenas por volta das 17:00hs. Inicialmente muitos curiosos e muitos policiais apenas, aguardando o movimento que ainda se formava. Ativistas, mesmo, pouquíssimos. Não obstante, o som do trio elétrico estava sendo ligado, mais pessoas foram chegando, a animação foi tomando conta dos presentes e, quando já eram umas 18:30hs, estava claro que não apenas haveria parada, como ela seria uma grande parada.

Feitos os discursos das autoridades e das pessoas ligadas às causas da diversidade, a multidão saiu pela avenida em direção à orla. Como era de se esperar, muita música dos anos 70 e 80. Como não era tão óbvio, uma imensa multidão marcou presença e seguiu o trajeto do início até o final. Eu estimo que umas 50.000 pessoas, cerca de 10% da população total de Petrolina e Juazeiro, devem ter passado por lá.

Havia de tudo, como é comum nesses encontros. As drags, naturalmente, foram o foco das atenções. Mas também estavam lá os casais (de todos os tipos), as famílias, as crianças e os idosos. Muita curiosidade no ar, é verdade, afinal de contas foi um evento histórico. Muito mais Ss, é verdade, do que Ls, Gs, Bs ou Ts. Mas foi uma festa animada, com muita harmonia e dignidade, que deu o seu recado e que entrou para a história da cidade. Petrolina deu um importante passo para se tornar mais justa, mais esclarecida e melhor para os seus habitantes e visitantes.

Não vi nenhuma briga, nenhuma confusão. À exceção de um ensaio de um beijaço coletivo, já no final da parada, também não vi muitas demonstrações explícitas de carinho ou amor, seja lá de que tipo fosse. Como era tudo muito novo, havia muita timidez também, eu imagino. Mas o mais importante foi feito e agora é só aguardar pelas próximas edições, que já foram garantidas pelos organizadores. Espero que esse evento não seja jamais motivo de vergonha para ninguém, apenas de orgulho e de alegria. Parabéns, Petrolina!

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