quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Terceiro dia - Mostra de Dança Contemporânea

Se a programação de eventos culturais de qualidade por aqui não é freqüente, não é difícil imaginar então que a oferta de espetáculos de arte contemporânea seja mais rara ainda. O Aldeia do Velho Chico 2010, no entanto, está conseguindo suprir ambas as deficiências de maneira exemplar. Em particular, por causa do concerto de música contemporânea do Quinteto Latino-Americano de Sopro realizado na sexta-feira (13/08), e pela Mostra de Dança Contemporânea realizada na segunda-feira subseqüente (16/08).

Formado por professores da Universidade Federal da Paraíba, o concerto trouxe obras de Cláudio Santoro e Guerra-Peixe e teve um caráter didático ao procurar explicar a trajetória desses dois importantes compositores brasileiros do século XX, desde a sua fase inicial mais radical, até a incorporação de elementos nacionais na sua música. Com referências à música atonal, ao dodecafonismo, e até à H.J. Koellreutter, o quinteto fez uma apresentação impecável, didática e bem-humorada.

É fato que o auditório do SESC começou cheio e estava apenas pela metade ao término da apresentação. Mas (como se costuma perguntar no caso do copo d´água), será que ele estava meio cheio ou meio vazio? Nesse caso eu não tenho dúvida: que metade dos espectadores tenham ido embora durante o concerto, eu considero esse fato bastante compreensível. Mas que a outra metade tenha permanecido nos seus lugares até o final, isso sim eu considero relevante e digno de registro.

Já a Mostra de Dança Contemporânea trouxe nove grupos diferentes formados por bailarinos locais, os quais apresentaram coreografias bastante criativas, interessantes e até divertidas, explorando novas linguagens e formas de expressão. Foi justamente lá que aconteceu o terceiro e último dia de atividades práticas da Oficina de Fotografia de Espetáculos coordenada por mim. Uma edição das fotos que eu fiz nesse dia está disponível aqui.

Música contemporânea na sexta-feira, dança contemporânea na segunda seguinte. Dois espetáculos de alto-nível que supriram espírito e cérebro de alimento de excelente qualidade. Espero que, no rastro deles, outros espetáculos do mesmo gênero estejam à caminho de Petrolina. E, desde já, parabéns ao SESC pela realização de mais essa edição do Aldeia do Velho Chico.

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