sábado, 20 de dezembro de 2008

On the road


Origem: Petrolina. Destino: Salvador. Saí de casa às 11:00hs da manhã e lá fui eu. Não vou nem comentar o significado de dirigir por quase 7 horas tomando o pior sol do dia num carro 1.0 sem ar-condicionado. Isso seria chover no molhado. Ou melhor, jogar palito de fósforo aceso numa fogueira. Vou falar sobre a estrada, a paisagem e os motoristas com os quais cruzei pelo caminho.

A estrada é boa e pode-se viajar sem nenhuma preocupação quanto a isso. Apenas no trecho entre Feira de Santana e Salvador, onde o tráfego é mais intenso, e onde supostamente a pista deveria ser muito boa, é que acontece justamente o contrário. Em algumas partes são tantos remendos e buracos na estrada que fica realmente difícil e perigoso dirigir.

Me chamou a atenção o contraste entre a paisagem que se vê quando se vai de Petrolina para o Recife (pelo interior de Pernambuco) e a paisagem que se vê quando se vai de lá para Salvador (pelo interior da Bahia). Em PE ela é árida, seca, desértica, muito castigada. Na BA é justamente o contrário: a paisagem é verde o tempo todo, com fazendas, árvores, pastagens, animais e morros desenhando belos cenários para aliviar os olhos dos motoristas. Em alguns trechos a paisagem chega a ser bucólica mesmo.

Parei o carro umas 5 ou 6 vezes para procurar o que comer. Desisti em todas elas, após passar os olhos pelos ambientes e pelas respectivas "vitrines". Mil vezes a água, o panetone, as castanhas e as uvas que eu tinha no carro.

A estrada pode ser boa mas os perigos estão lá do mesmo jeito. A começar pelos animais, que cruzam a pista o tempo todo, criando situações de alto risco para motoristas e pedestres. Jegues, burros, vacas, bois, bodes e cachorros não estão nem aí para os veículos. Acostamento nem pensar, então temos mais um fator de risco. E, para terminar, aquelas famosas placas de beira da estrada com os dizeres "Lombada AQUI". E haja lombada...

Mas o pior de tudo são os próprios motoristas. A falta de respeito pelos outros, a falta de observação à sinalização, a falta de educação e o atrevimento são impressionantes. Assim como os jegues, os burros, as vacas, os bois, os bodes e os cachorros, eles não estão aí prá ninguém e constituem grande ameaça. De longe, esse é o principal fator de risco para se pegar uma estrada por essas bandas: os próprios motoristas e a forma como eles conduzem as suas "armas". Presenciei várias cenas de arrepiar os cabelos e pelo menos dois quase acidentes graves, por pura imprudência desses condutores.

Por tudo isso, nem se cogite em viajar de noite. A menos que se esteja pensando em suicídio.

Cheguei no meu destino são e salvo às 18:00hs. Segunda-feira tem Lençóis by bus (620Km, mas dessa vez com direito a ar-condicionado!). Dia 5 de janeiro tem repeteco: back on the road to Jualina.

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