sábado, 8 de novembro de 2008

Fornalha ligada

O calor por aqui está IN-SU-POR-TÁ-VEL. Há cerca de uma semana que a coisa piorou, e muito. Como resultado, este pobre paulistano que aqui escreve está se sentindo nocauteado, inapetente, continuamente exausto, sem forças nem vontade para fazer nada que não seja ficar parado, de preferência na horizontal, esperando esse inferno passar.

Você se sente mal quando veste uma roupa. Quando sobe ou desce uma escada ou quando tem que andar ou dirigir debaixo do sol. Mesmo quando fica parado na sombra, sem receber sol direto. O vigor e a disposição só retornam quando se está num ambiente climatizado, ou seja, numa sala com ar-condicionado.

Fora isso, falta ar para respirar. Você faz força mas parece que o ar não entra. Também não há ar circulando. Quando há, ele circula quente, então você se sente como se estivesse na boca de uma fornalha que cospe ar em temperaturas muito altas prá fora. Usar o ventilador deixou de ser uma opção para aliviar o calor, pois ele só te joga com mais força no rosto aquilo do qual você está tentando se livrar.

Nessa época, a minha faxineira lava, seca e passa a roupa no mesmo dia. E sem usar máquina de secar, naturalmente. Eu nunca tinha visto isso antes.

Lembro-me de um episódio de Jeannie é um Gênio em que o Major Nelson é reduzido ao tamanho de um boneco e colocado amarrado num espeto giratório dentro de um forno doméstico ligado. É exatamente assim que eu me sinto. Onde está o Major Healey, para me salvar das mãos da terrível Jeannie?

Essa semana eu achei que fosse desmaiar pelo menos duas vezes. Desmaiar por não estar aguentando o calor. Eu nunca tinha experimentando essa sensação antes. E olha que eu já estive em muitos lugares muito quentes. O inferno é aqui mesmo, não tenho mais dúvida em relação à isso.

Mas, como tudo tem o seu lado bom, e eu estou continuo me esforçando para ver sempre o lado bom das coisas, eu descobri que as muriçocas (ou os pernilongos, como queiram), também não aguentam esse calor e simplesmente sumiram. Ou seja: tá tão quente, mas tão quente, que nem muriçoca, que não é besta, se arrisca a ficar por aí debaixo desse sol, procurando gente prá morder. Elas devem ter migrado para o pólo norte. Ou sul. Se eu fosse muriçoca, eu faria exatamente isso.

Então, são essas as opções que a cidade lhe oferece para você levar uma vida tranquila e saudável, com total concentração nas suas atividades diárias: um "inverno" onde você é devorado pelos insetos e, depois, um "verão" onde te negam o ar para respirar. Tudo lindo.

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