quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Preparando o assado

Quando a temperatura ambiente, às oito horas da noite, é de 30 graus (Celsius), você precisa tomar algumas providências para conseguir sobreviver.

A primeira coisa que faço ao chegar em casa de noite, por exemplo, é tirar o máximo de roupa possível do corpo. Ficar de sapato e meia nem pensar. Camiseta é um execesso, e até um short incomoda. A sorte é que ninguém fica me olhando pela janela.

A solução, então, é abrir todas as portas e janelas e torcer para circular algum ventinho. Como isso é raro, é bom deixar o ventilador ligado no máximo também. Para dormir, a maioria das pessoas aqui não sobrevive sem um poderoso ar-condicionado. Como eu não gosto (e nem tenho um), eu direciono uma hélice de helicóptero para o teto do quarto. Ela fica ligada a noite inteira jogando um vento difuso sobre a cama, que refresca um pouco e ainda ajuda a espantar as incansáveis trabalhadoras da dengue.

Um colega de trabalho (vindo do sul, como eu) foi além e resolver passar a dormir sobre toalhas e lençóis molhados. Eu ainda não cheguei nesse ponto, mas também sei que o pior ainda não chegou. Os próximos dias prometem temperaturas diurnas para além dos 40 graus.

Alguns cuidados básicos são recomendados pelos médicos e pelas pessoas: tomar muita água e lavar o rosto várias vezes durante o dia, porque a umidade relativa do ar é praticamente uma unanimidade: sempre baixíssima.

Mesmo assim, qualquer coisa que você faça durante o dia parece que cansa em dobro. É como se alguém estivesse segurando uma pedra de kriptonita do seu lado. Dirigir sem ar-condicionado, então, é um exercício diário de paciência e resistência. As pessoas aqui não compram carro com ar-condicionado. Como disse um outro colega meu, elas compram aparelhos de ar-condicionado sobre rodas.

De uma forma ou outra, a gente pode sempre olhar pelo lado positivo e entender que, afinal de contas, esse pode ser um bom treino para um eventual futuro ingresso no inferno.

Um comentário:

Carmem Masutti disse...

Chorei de rir...