domingo, 8 de junho de 2008

Musicalidade

É raro o momento em que se pode estar em casa tranquilo, desfrutando da paz doméstica. Pelo menos aqui aonde eu moro, o ar está quase que permanentemente contaminado com ruídos oriundos das caixas de som espalhadas nas ruas pelos festeiros, pelos ambulantes, pelos botequeiros, pelos automóveis e pelos desocupados que não tem nada para fazer na vida a não ser infernizar a vida dos outros.

Sempre tem um "tum-tum-tum", uma batucada, um forró, alguma voz estridente, alguém exalando para as redondezas um som que penetra por baixo das portas, que atravessa as paredes e que te faz lembrar que a mediocridade domina o entorno.

No último domingo foi pior. Das 17 às 20hs eu tive que aturar um carnaval (ou forró?) fora de época aqui na vizinhança. Parecia que estavam todos - trio elétrico, caixas de som, gente histérica - dentro da minha sala. Para poder acabar de corrigir umas provas eu precisei ir para a universidade. Voltei para casa só depois da meia-noite.

Na terça-feira eu cheguei de viagem uma hora da manhã, depois de passar o dia no Recife. E entro em casa escutando, em alto e bom som, Asa Branca, do Luiz Gonzaga. Outro carnaval (ou forró?). Em plena madrugada de terça para quarta-feira. Liguei para a polícia, é óbvio, e escutei como resposta que, além de autorizado pela prefeitura, o evento iria até às seis horas da manhã. Se eu não estivesse satisfeito, que reclamasse com a promotoria.

Quer sossego? Vem morar aqui. Gosta de festa e não tem que trabalhar no dia seguinte? É aqui também.

2 comentários:

Anônimo disse...

É! O brasileiro tem esta vocação crescente para a bagunça. Depois quer ser respeitado pelos estrangeiros. Aqui dentro e lá fora. Como? Cada vez mais damos exemplos de uma cultura indígena, barulhenta e mal-educada. O resultado é isso que você descreveu. Durma com um barulho desse! Abs, Romano.

Anônimo disse...

Tive um grande "insight": já que o povo tem uma musicalidade extrema sugiro que aplique as provas aos seus alunos ao som do "aché music" (ou bate-estaca mesmo). Já que o professor é obrigado a corrigir provas assim, nada mais justo que os alunos sejam submetidos ao mesmo tratamento. Tenta e depois me diz o resultado. Abs, Romano.