domingo, 18 de maio de 2008

Driving in Petroland

A companhia de trânsito de Petrolina vai fazer campanha para educar os pedestres da cidade, pedindo que eles respeitem os motoristas. É isso mesmo. Após inúmeras campanhas voltadas apenas para os motoristas, agora é consenso que os pedestres é que precisam receber educação de trânsito, em prol do bem estar geral. Mas o problema não é exatamente falta de educação, e sim excesso de confiança.

Eu bem que já havia notado algumas coisas estranhas. Por exemplo, o risco de se atropelar um pedestre por aqui é altíssimo. O motivo? É que eles são tão confiantes na "educação" dos motoristas, que ninguém pára para olhar dos lados antes de atravessar uma rua. Eles se jogam, destemidos, do meio-fio para o asfalto, bem na sua frente, e você que se vire. Até parece Europa ou EUA, mas aqui a coisa chegou num ponto que está merecendo a atenção das autoridades.

Eu mesmo achava que, tendo saído da era dos carros de boi, talvez os pedestres daqui ainda não tivessem atentado para o perigo que um automóvel pode representar. Mas que nada. Foi detectado que essa atitude decorre mesmo é do excesso de confiança dos pedestres nas campanhas anteriores voltadas apenas aos motoristas, e pedindo, naturalmente, cuidado com os pedestres.

Por outro lado, falta campanha para que o motorista respeite o seu semelhante. Outro dia, depois de 30 minutos andando em passo de tartaruga, esperando a minha vez para subir na ponte, um nativo encostou do meu lado e, todo alegre, com o polegar voltado para cima, pediu para entrar na minha frente, furando a fila. Eu falei que não, é claro, e mandei ele ir para o final da fila como tudo mundo. Resultado: ele me chamou de mal-educado, me falou um bocado de palavrões e, naturalmente, ainda jogou o carro na minha frente quase provocando um acidente. Acidentes desse tipo, aliás, eu soube que são bem comuns por aqui. Cabra-macho is another thing.

2 comentários:

Anônimo disse...

Hello everyBode:

Parece-me que Petrolina é um modelo do que acontece no Brasil.

Tudo isso que você narrou acontece em Recife, em escala maior.

Dirigir em Porto Alegre, Rio de Janeiro ou qualquer outra cidade brasileira (incluindo Curitiba) é um teste de sobrevivência.

Como disse Emerson Fitipaldi, o povo mais educado no trânsito é o alemão, pois lá se ensina desde cedo. NAS ESCOLAS! Com um detalhe que as leis (para os adultos) são brabas e cumpridas. Afora isso é se acostumar com a nossa condição terceiro-mundista e meditar bastante para não se meter em confusão desnecessariamente.

Abraços e paciência, muuuita paciência.
Romano.

Roseli disse...

oMarcus,
Ao acompanhar sua saga, lembrei quando 20 anos atrás sai da USP para a SUCEN. O laboratório na USP ficava a beira da mata, o clima era ameno, o silêncio equilibrado pelo canto dos pássaros; além disso meu orientador era um perfeito lorde inglês, e etava empenhado na minha conversão à corte. Bom, acabei o mestrado e fui para a SUCEN, ocupar um cargo bacana e efetivo, até que a morte nos separe. My God, parecia que havia sido teletransportada para um país africano ou asiático, mais próximo da barbárie que da sociedade.O laboratório ficava na rua Paula Souza, mais conhecida por abrigar dezenas de lojas de panelas e máquinas de lavar pratos. Entre as ruas Senador Queiroz e 25 de Março , a poucos passos da cracolândia,com as esquinas mais sujas da cidade. Na rua, nemhuma (juro!) árvore. Meu Chefe colocou a minha mesa voltada para a parede, e eu passei um bom tempo com crises de espirros assim que adentrava o recinto. Todos diziam que era alergia a poluição, mas acho que era resultado do choque emocional diário.Já se vão 20 anos, já vou receber meu adicional por tempo de setviço. Mudei minha mesa, mudei para outro laboratörio, a paisagem da janela continua a ser o céu poluído e a zona leste cinza. O chefe do laboratório agora é esta que lhe escreve. Tenho alunos de pós-graduação, jovens inquietos que alegram o meu dia. DNA é meu sasunto diário. Modernidade total no meio da 25 de Março. Conformismo?Polianice??Adaptabilidade? Falta de oportunidades? De fato, depois de tantos anos meu microcosmo é muito legal. Minhas defesas e preconceitos foram por água abaixo e devo isto a aproximação de pessoas reias, desde a Dona Benê, a senhora diabética e deprimida que passa boa parte do tempo na copa...até meus jovens alunos, todos com histórias pessoais ricas. Petrolina ou São Paulo, o segredo para a sobreviência pode estar no bode, no padre,nos colegas da universidade...mas é presiso olhar além da ponte congestionada.